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'Traição': o que se esconde por trás das calúnias e acusações bizarras

30.07.2015
 
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A tentativa bizarra de me acusar de... traição, ao que dizem porque eu teria conspirado para arrancar a Grécia da Eurozona, reflete coisa muito mais ampla.

Reflete um esforço determinado para deslegitimar nossa negociação de cinco meses (de 25 de janeiro a 5 de julho de 2015) com uma troika enfurecida porque tivemos a ousadia de questionar a sabedoria e a eficácia do fracassado programa deles para a Grécia.

Posição ativa da Grécia
O objetivo dos que me acusam é caracterizar nossa posição ativa na negociação como uma aberração, um erro, ou - mais ao estilo do establishmentoligárquico dos amigos gregos da troika -, como 'crime' contra os interesses nacionais da Grécia.

O 'crime' mais covarde que eu teria cometido foi ter manifestado com clareza o desejo coletivo de nosso governo. Ao manifestá-lo, passei a personificar os pecados de:

§  Enfrentar líderes do Eurogrupo em pés de igualdade, usando meu perfeito direito de dizer 'NÃO' e apresentando razões analíticas poderosas, que desmascararam a catastrófica ausência de lógica que há em insistir em fazer empréstimos monstros a estado insolvente e forçado a viver sob condições de 'austeridade' que se autoderrota.

§  Demonstrar que é possível ser europeísta engajado, lutar para manter o próprio país na Eurozona, e, ao mesmo tempo, rejeitar as políticas do Eurogrupo que causam dano à Europa, desconstroem o euro e, crucialmente, algemam o país subjugado à dívida e em estado de servidão movida a 'austeridade'.

§  Planejar para enfrentar as situações que se poderiam criar, se se confirmassem as ameaças que os líderes do Eurogrupo e altos funcionários da troika estavam fazendo contra a Grécia, nas discussões  de que participei.

§  Revelar como o governo que nos precedeu converteu departamentos crucialmente importantes do governo grego - como o Secretariado Geral das Rendas Públicas e o Gabinete de Estatísticas do Estado Helênico - em departamentos efetivamente controlados pela troika; e como, comprovadamente, fez pressão mediante aqueles órgãos contra o novo governo eleito.

É abundantemente claro que o governo grego tem o dever de recuperar a soberania nacional e democrática sobre todos os departamentos do Estado e, em especial, sobre os do Ministério das Finanças. 

Instrumentos de tomada de decisões

Se não o fizer, o estado grego continuará a desperdiçar os instrumentos da tomada de decisões políticas que os eleitores esperam que o governo utilize para bem cumprir o mandato que recebeu das urnas.

Dentre minhas tarefas no Ministério, minha equipe e eu concebemos métodos inovativos para desenvolver ferramentas do Ministério das Finanças para lidar eficientemente com o aperto de liquidez induzido pela troika, ao mesmo tempo em que o governo grego recuperava poderes executivos que lhe haviam sido usurpados pela troika, com consentimento de governos anteriores.

Em vez de indiciar e processar os que, até hoje, continuam a operar dentro do setor público como prepostos e sargentos nomeados pela troika (embora pagos com salários arrancados aos sofridos contribuintes gregos), políticos e partidos que os eleitores já descartaram quando condenaram os esforços deles para fazer da Grécia um protetorado,  estão hoje me processando, ajudados e instigados pelos oligarcas da imprensa-empresa. 

As acusações dessa gente são trunfo que ostento com orgulho. 

As negociações honradas, orgulhosas e honestas que o governo do SYRIZA conduziu desde o dia em que fomos eleitos realmente mudaram para melhor os debates públicos na Europa. Ninguém conseguirá fazer parar o debate sobre o déficit de democracia que aflige a Eurozona.

Pena que os reizinhos de torcida da troika dentro da Grécia não deem sinal de ter competência para ostentar esse sucesso histórico. 

Os esforços deles para criminalizar nossa vitória  acabarão também, por ação da mesma força que fez afundar a vergonhosa campanha que 'comandaram' contra o voto "NÃO" no referendum de 5 de julho: pela ação da grande maioria do valente povo grego. *****

29/7/2015, Yanis Varoufakis, Blog

 


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