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46 anos de batalhar por uma Nova Colômbia

30.05.2010
 
Pages: 123
46 anos de batalhar por uma Nova Colômbia

Há 46 anos que a oligarquia mais reacionária, sanguinolenta, terrorista e submissa à estratégia imperialista dos estados Unidos na Colômbia, decidiu empurrar a nação pelo pavoroso caminho da guerra, fazendo ouvidos surdos às milhares de vozes que clamavam pelo diálogo e as saídas políticas por encima das agressões militares contra os camponeses de Marquetalia.

Nesse tempo, o poder da violência e o terror, agitado pela provocadora palavra do senador Álvaro Gómez Hurtado que nunca iria à guerra, e que fantasiado pelo terror das falanges franquistas em Espanha, ambientou, sobre a mentira, a nova justificação do novo ciclo de violência como metodologia para arrasar o opositor político.

A demência do poder decretou que em poucas semanas arrasaria com a resistência encabeçada pelo mais grande Comandante Guerrilheiro de todos os tempos, Manuel Marulanda Vélez, e seu nascente Estado Maior, com Jacobo Arenas, Isaías Pardo, Hernando González, Joselo Lozada, Ciro Trujillo, Miguel Pascuas, Fernando Bustos e Jaime Guaraca, que juntos com os demais bravos camponeses, que não eram mais de 46, enfrentaram o terror bipartidista representado no excludente pacto da Frente Nacional, que engendrou essa guerra que em breve alcança o meio século.

Desde o início da campanha oligárquica e militarista, auspiciada e planificada pelo Imperialismo para justificar o terror contra o movimento agrário de Marquetalia e Riochiquito, e até o dia em que iniciaram a agressão, nossa voz, junto à de muitas organizações e personalidades nacionais e internacionais, vibrou com firmeza propondo saídas incruentas e construtoras de democracia, de desenvolvimento humano, de fortalecimento da produção de alimentos, de equilíbrio ambiental, de reconhecimento à cosmovisão das comunidades indígenas e dos negros, de participação equitativa na produção e distribuição da riqueza. Mas, a cegueira do poder e a genuflexa postura ante as migalhas do amo imperial, da oligarquia crioula, desqualificou e silenciou essas vozes, pois só busca o enriquecimento a base do terror e o despojo.

As FARC-EP somos fruto da intolerância, a exclusão e a perseguição violenta das castas que ostentam o poder e estabelecem os governos. "Temos sido vítima do furor latifundiário e militarista, porque aqui, em esta parte da Colômbia, predominam tanto, os interesses dos grandes latifundiários, quanto os interesses dos reacionários mais obscurantistas do país. Por isso, temos sofrido na nossa carne e em nosso espírito, todas as bestialidades de um regime podre que brota da dominação dos monopólios financeiros entroncados com o Imperialismo.", manifestamos em nosso Programa Agrário.

Não inventamos esta guerra, nem fomos a ela em busca de aventura para homologar epopéias redentoras dos pobres, assumimos com dignidade e seriedade o destino político imposto pelo abominável poder oligárquico à nação, como o manifestamos nessa época no Programa Agrário: "...somos revolucionários que lutamos pela mudança do regime. Mas, queríamos e lutávamos por esse mudança usando a via menos dolorosa para nosso povo: a via pacífica, a via democrática de massas. Essa via nos foi fechada violentamente, com o pretexto fascista oficial de combater supostas "Repúblicas Independentes" e como somos revolucionários que de uma ou de outra maneira cumpriremos o papel histórico que nos corresponde, nos tocou buscar a outra via: a via revolucionária armadas para a luta pelo poder". Foi assim como os potentados do poder nos transformaram em combatentes da resistência que a sabedoria do povo tem nutrido nesse quase meio século de acionar pela dignidade, a paz e a soberania.

Temos crescido ao calor do batalhar político-militar, aferrados ao legado histórico que nos deixaram as comunidades indígenas na resistência contra o invasor espanhol, as lutas contra esse mesmo poder desenvolvidas pelos negros e pardos, o levantamento guerrilheiro dos Comuneros com José Antonio Galán, Lorenzo Alcantuz e Manuela Beltrán. Nos animam os forjadores das mobilizações pela primeira independência do colonizador espanhol, há duzentos anos com Antonio Nariño; o fogo patriótico e soberano do pensamento e o exemplo do Libertador Simón Bolívar. Temos assimilado a experiência dos guerrilheiros dos mil dias, no ano de 1900 contra o "regenerador" Rafael Núñez. Consolidamos nossa luta contra a barbarie, ondeando a memória dos assassinados pelo exército oficial ao serviço do Imperialismo no massacre das Bananeiras, em 6 de dezembro de 1928 em Ciénaga, estado de Madalena, no comprometida lembrança de todos os lutadores assassinados pelo Estado e suas estruturas paralelas para o terror. Mas, também, temos crescido com a crítica, o reconhecimento, o abraço, o amor e a ternura de um importante número de compatriotas que nos animam com seu próprio sacrifício na luta por transformar o sistema econômico e os costumes políticos implantadas.

Nesses 46 anos de árdua luta, temos crescido em razões e no compromisso de luta com os cada vez mais numerosos camponeses sem terra vítima do deslocamento violento do terror para-estatal e, que já superam a infame cifra dos 4 milhões; com os milhões de sem-teto e com os mais de 20 milhões do pobres que se esforçam por romper o império da desigualdade; com os mais de 20 milhões de desempregados e com milhões de jovens sem acesso à

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