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No Brasil, igreja evangélica pode estar com parte do maior roubo a banco

30.05.2010
 
No Brasil, igreja evangélica pode estar com parte do maior roubo a banco

O Ministério Público está investigando os bispos Edir Macedo e Romualdo Panceiro, “astros reis” da Igreja Universal do Reino de Deus, a mais poderosa seita evangélica do planeta, por suspeita de receber R$ 200 mil procedentes do roubo de R$164 Milhões ao Banco Central de Fortaleza, no Ceará, em agosto de 2005.

Apesar de a Igreja Universal negar mais essa denúncia, segundo as investigações, há indícios de que o dinheiro seja parte dos R$ 164 milhões roubados do BC, dos quais a Polícia Federal conseguiu recuperar apenas R$ 12 milhões e indiciou 96 pessoas pelo assalto.

Há informações de que só na Justiça de São Paulo a Igreja Universal do Reino de Deus responde a 64 processos. Entre os indiciados está um homem preso por estelionato e lavagem de dinheiro e que é investigado pela suspeita de ser o doador ilegal à Igreja Universal do Reino de Deus.

A denúncia foi feita ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por um ex-fiel da Igreja Universal, o lavador de carros Edilson Cesário Vieira, que afirmou ter presenciado a entrega do dinheiro em dezembro de 2006.

A doação, segundo a denúncia, teria ocorrido em uma sala de reuniões do templo central da Igreja Universal do Reino de Deus, na Avenida João Dias, no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul da cidade de São Paulo, no Brasil.

Segundo Edilson Vieira, um homem de nome Alexandre, frequentador da igreja, procurou o bispo Edir Macedo, em uma segunda-feira, à noite, para entregar-lhe R$ 200 mil adquirido de “um roubo ao Banco do Brasil”, porque queria “se redimir pelo crime”.

O denunciante disse ainda que “O bispo Romualdo mandou um carro blindado pegar o dinheiro na casa do Alexandre, em Ermelino Matarazzo. Duas horas depois, chegaram com duas pastas pretas. O Alexandre jogou o dinheiro na mesa, ainda com lacre”.

Edilson Vieira disse que fez a denúncia por ter sido usado pelos líderes da igreja como “laranja” em lavagens de dinheiro, adquirindo uma dívida de R$ 380 milhões em nome da Universal.

“O Edir Macedo mandou o Alexandre se ajoelhar e rezar, gritando que todos deviam fazer como ele”, revelou o ex-fiel da Igreja Universal Edilson Vieira. “Dinheiro a gente recebe, não importa de onde vem”, teria enfatizado Edir Macedo, segundo o denunciante relatou ao Gaeco.

Apesar de dizer que foi amigo dos bispos e frequentador da igreja entre 1997 e 2006, o lavador afirma desconhecer o destino dado à quantia, mas disse ter ouvido o bispo Edir Macedo referir-se a “uma remessa grande de dinheiro ao exterior”.

ANTONIO CARLOS LACERDA

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