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O caminho suave ou a trilha dura?

30.01.2015
 
O caminho suave ou a trilha dura?. 21536.jpeg

Assim pois, Syriza venceu as eleições na Grécia. Formou um novo governo em coalizão com o partido Grécia Independente, partido pequeno, de direita. Antes da eleição, Syrizaanunciou um programa pelo qual a Grécia permanece no euro, mas renegocia condições para empréstimos. Espero que tenha sido golpe eleitoral.

O que Syriza deve escolher?
26/1/2015, Moon of Alabama http://goo.gl/9FvIju
Yves Smith expõe as dificuldades desse caminho suave de Syriza:


O xis desse problema, como o vemos, é que ao mesmo tempo em que, sim parece posição muito séria e sólida, pode não ser tão pragmática quanto parece. A Grécia parece ter mais chances de obter concessões se for menos razoável, uma vez que os alemães e mesmo os ainda mais implacáveis finlandeses estão convencidos de que os países da periferia não passam de pedintes imorais que merecem comer poeira se não podem pagar ou não pagarem as próprias dívidas. A Grécia dificilmente será capaz de desmontar a percepção, no Norte, de que o Norte joga com as melhores cartas e pode obrigar a Grécia a render-se só com algumas mínimas concessões.

A melhor chance da Grécia é se houver um aumento na popularidade de outros partidos antiausteridade e anti-Eurozona no resto da Europa. E mais provavelmente angariarão apoio no resto da Eurozona se assumirem posições fortes, do que se assumirem posições de cautela, muito estudadas. E mesmo nesse caso, pode não bastar que resolvam os problemas muito profundos que enfrentam. Não se trata simplesmente de estarem enfrentando um desafio muito difícil frente à Troika, mas de que, ainda que consigam grande parte do que querem, suas políticas não parecem suficientes para gerar suficiente demanda para arrancar a Grécia do buraco em que está.


Como Ian Welsh, entendo que a Grécia deva escolher a trilha dura, pelo menos durante as negociações e, se as negociações falharem, devem pôr firmemente o pé no chão duro:


A dívida grega está em tal nível que é efetivamente impagável e foi tornada muito, muito pior, por todos os "pacotes de ajuda" e "resgates" que recebeu dos "parceiros" europeus (o que equivale a dizer que deveriam ter requerido falência há muitos anos). 

Quanto ao euro, a Grécia não pode imprimir euros. E a Grécia precisará imprimir dinheiro.

Temo que Syriza fale sério sobre negociar a dívida. Não há essencialmente chance alguma de a Troika (ok, na verdade: a Alemanha) venha a dar aos gregos termos aceitáveis ou acordo por escrito. Negociações, só o mínimo necessário para demonstrar que nenhum bom acordo é possível. Enquanto qualquer negociação estiver em andamento, os gregos devem estar preparando a saída da UE [orig. Grexit] e repatriando todos os recursos que puderem ser repatriados.


A Grécia converter-se-á em mais um estado-pária do mundo 'ocidental', e Ian, corretamente, na minha opinião, avalia que essa é uma posição na qual não estará sozinha e que pode ser usada a favor da Grécia:


A imprensa-empresa não se cansa de mostrar a situação como voto antiausteridade, e é. Mas votar antiausteridade, para um país como a Grécia, que não se pode alimentar ele mesmo, que não tem petróleo, que não tem muitas indústrias é uma coisa: não ser 'austero' é outra. Se os gregos querem voltar a viver vida decente, terão de enfrentar algumas das mais poderosas nações do planeta e lutar por, pelo menos, um empate. 

Há muitas nações no mesmo barco que a Grécia: Rússia, Irã, Venezuela, Argentina. A Grécia precisa construir as necessárias alianças com esses países e precisa alinhar-se com o bloco chinês.

Esses passos exigem um passo psicológico que os gregos talvez não estejam dispostos a dar: reconhecer que seus interessem não são os interesses da Europa; compreender que os europeus desejam ver os gregos cada dia mais pobres, sem teto e mortos. Os gregos que vivem no passado e ainda pensam que União Europeia é assunto pró-prosperidade para todos no continuente europeu têm de aprender a ler de outro modo o mundo.


Syriza 
tem de escolher o caminho mais radical. Se não o fizer, muito provavelmente fracassará e, nesse caso, o caminho estará aberto para que a direita mais linha dura tome o poder e inicie guerras - para afastar a atenção dos eleitores da economia em rota de falência total. *****

 


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