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As conspirações da CIA e a mídia

29.09.2010
 
Pages: 123
As conspirações da CIA e a mídia

"A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países". Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA.

A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de "jóias da família", apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de "inteligência" sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.

No caso do Brasil, tratado na época como "maior alvo do comunismo" na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é "um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda", taxa Leonel Brizola de "líder demagogo anti-americano" e acusa o governador Miguel Arraes de ser "um pró-comunista". O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da "crescente influência" do Partido Comunista. Outro documento, intitulado "A igreja engajada e a mudança na América Latina", critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo "forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria".

Máfia e assassinato de Fidel Castro

Na época, no auge da chamada "guerra fria", a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar "uma ação do tipo de gângsteres", que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore "Momo" Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas "de alto poder letal" para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passional de Giancana.

Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de "empresas de fachada" para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao dominio imperial. "Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores", explica Mary Junqueira, professora de história da USP.

Tarjas pretas e graves omissões

Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso "manual de torturas" da CIA, com seu "método médico, químico ou elétrico", que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, "a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acobertamento"; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.

"O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, 'porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente' e que a CIA agora tem 'um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal'? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantanamo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao 'Programa Talon', dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às "novas técnicas" de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?", questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.

Relações íntimas com a mídia

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