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Brasileiros morreram na Venezuela

29.09.2006
 
Brasileiros morreram na Venezuela

Um tribunal do estado de Bolívar, na Venezuela, ordenou a prisão de 14 militares por suposta participação nas operações que deixaram diversos garimpeiros mortos no dia 22, entre eles quatro brasileiros.

O caso mobilizou os dois governos envolvidos, além da sociedade civil, políticos e grupos de direitos humanos venezuelanos. O presidente Hugo Chávez pediu punição para os "excessos" dos militares que haviam sido destacados para proteger o garimpo ilegal em uma área de proteção ambiental. Os oficiais devem se apresentar à Justiça ainda hoje de tarde.

Quase metade dos 4 mil garimpeiros que trabalham na área, transformada em reserva ambiental há apenas dois meses, são brasileiros, segundo estimativas do consulado do Brasil em Ciudad Guayana.

Mais dois brasileiros mortos pelo Exército foram reconhecidos pelo Itamaraty, segundo nota oficial divulgada ontem. Eles são Elieser Alves Bastos e outro cidadão de nome Raimundo. O caso aconteceu na sexta-feira, em um garimpo ilegal na região de La Paragua, a cerca de 250 quilômetros de Ciudad Guayana. Relatos dos moradores afirmavam que havia quatro brasileiros entre os mortos. Outros dois são Nivaldo Sanches e Francisco Silva que também foram assassinado durante uma operação militar realizada no dia 22.

A contagem até o momento é de seis pessoas mortas por armas de fogo, mas moradores da região, dizem que outras cinco morreram afogadas ao tentar fugir dos militares, comunicou BBC Brasil.

Em protesto contra a operação do Exército, moradores da pequena Santa Elena de Uairén, o último povoado antes da fronteira com o Brasil, organizaram manifestações e bloquearam o centro da cidade, segundo o principal jornal de Bolívar, o Correio del Caroní.

Grupos de direitos humanos denunciam que é comum o uso de força excessiva por parte do Exército nas regiões da Amazônia venezuelana. La Paragua está a 800 quilômetros de Caracas, e Santa Elena, outros 600 quilômetros adiante.

Em sua nota divulgada ontem, o Itamaraty afirmou que "aguarda o desdobramento das investigações que vêm sendo conduzidas pelo governo venezuelano, com o fim de apurar responsabilidades, bem como individualizar e punir os culpados".


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