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O monopólio é a causa da fome no mundo

29.05.2008
 
Pages: 123
O monopólio é a causa da fome no mundo

Archibaldo Figueira

Bastou Luiz Inácio anunciar que pretendia fazer do Brasil "a Arábia Saudita do Biocombustível" e informar que os pobres do mundo estão comendo mais, para o imperialismo, representado por Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, pedir um esforço global contra o flagelo da fome, que seguirá em escalada até 2015 devido à alta dos preços dos alimentos.

Responsabilizando os biocombustíveis pela disparada dos preços alimentícios, Zoellick, como Luiz Inácio, finge não saber que apenas 50 transnacionais controlam a produção agrícola mundial, detendo a terra, os cultivos, a industrialização e a comercialização.

Voracidade

A escandalosa alta de preços do arroz, feijão, milho, soja e outras commodities vai matar 100 milhões de pessoas, sendo 10 milhões na América Latina, segundo cálculos da CEPAL, visto que a irracionalidade da chamada "globalização neoliberal" atingiu grau tão elevado, que as leis de mercado funcionam ao contrário do que apregoam os economistas de aluguel: a maior oferta, junto com a menor capacidade de compra, não resulta em queda de preços, mas no contrário.


O mito do "livre mercado" produziu concentração e centralização de capitais e recursos em poucas mãos, ou seja, fortaleceram aqueles poucos donos do mundo que intensificam a exploração e impõem os preços que bem entendem para obter o lucro máximo. Na verdade, a "globalização" não intensificou a concorrência, mas facilitou a tomada de controle do mundo por meia dúzia de potências que dão as cartas no FMI e Banco Mundial e OMC.


Sem a menor preocupação em alimentar a humanidade, os Monos-pólios condicionam diariamente a vida de todos, criando guerras reais e de mercado, infiltrando-se nos governos e meios de comunicação, concentrando enorme poder de propaganda, comprando políticos e tribunais inteiros, e se apropriando dos mercados, desde a produção até a compra direta do consumidor.


Se é assim, em âmbito doméstico, pior ainda no plano internacional, no qual o preço de cada mercadoria internacionalizada é objeto de especulação. Não há mais uma relação direta do preço com o custo de produção, que é apenas uma referência. A manipulação maior dessas empresas sobre a produção nacional e comércio internacional é um instrumento para alcançar seus lucros.


A influência desse setor sobre a política econômica da gerência Luiz Inácio é por meio do Banco Central, que monitora as taxas de juros e câmbio. Numerosos especialistas estabelecem uma correlação direta entre o aumento do preço do arroz e outros gêneros e a desvalorização do dólar. Para eles, governos (como o chinês) e os fundos de risco, que representam capitais especulativos, estão aplicando grandes somas de seus dólares, antes que se depreciem, em terras e bolsas de artigos agrícolas, como o arroz.

Supermercados

O bicho-papão dos supermercados é o Wal-Mart, com 4.500 lojas em 14 países e faturamento maior do que o produto interno bruto da Arábia Saudita e da Áustria. Em seguida, vêm Carrefour, Home Depot, Metro e Royal Ahold, segundo pesquisas do Grupo ETC, Oligopoly Inc 2005, que monitora as atividades das corporações globais, especialmente na agricultura, alimentação e farmácia.


Maior rede varejista do mundo — tem quase 1,7 milhão de funcionários —, maior companhia ianque, mais poderosa cliente das indústrias de bens de consumo, o Wal-Mart passou de um empório a uma potência cujas vendas alcançam inacreditáveis 300 bilhões de dólares ao ano. Muitos dos grandes movimentos do capitalismo americano — como a recente fusão da Procter & Gamble com a Gillette — foram resultados da enorme pressão exercida pela rede.


As prateleiras do Wal-Mart e de todos os outros supermercados do Brasil estão abarrotadas de produtos da Bunge, como as margarinas Delícia, Primor, Soya, Cyclus; os óleos Soya, Primor, Salada e Cyclus; as maioneses Primor e Soya; e azeites Delícia e Andorinha. Muitos desses óleos são transgênicos e, por determinação judicial, deveriam ter um rótulo especial para alertar o consumidor. Nunca respeitaram esse dispositivo legal. A gerência Luíz Inácio prometeu quebrar este monopólio, mas até agora não adotou nenhuma providência.


Com a Cargill e a ADM, a Bunge controla 60% da produção de soja no Brasil, para alimentar o gado na Europa. O preço e o comércio das commodities , em geral, são manipulados ainda pela Dreyfus, Syngenta e Monsanto.


Para colocar cada vez mais produtos no mercado mundial, esse grupo promove o desmatamento ilegal, inclusive com trabalho escravo, grilagem de terras públicas e violência contra comunidades locais.


A especulação desses grupos é responsável pela elevação dos preços dos cereais, principalmente o arroz, artigo que não é utilizado na produção de biocombustíveis e cuja safra atingiu o recorde de 423 milhões de toneladas. Seu preço, entretanto, mais que duplicou em um ano, passando a tonelada de 360 para 760 dólares.

Laticínios

Na área de laticínios, o mercado é manipulado por apenas três: a Nestlé, a Parmalat e a Danone. A Nestlé domina também o setor de processamento de alimentos e vende o dobro ou o triplo dos demais componentes do monopólio: Archer Daniel Midlands, Altria, PepsiCo, Unilever, Tyson Foods, Cargill, Coca-Cola, Mars e Danone.

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