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Posada Carriles: A posição da Cuba

29.04.2007
 
Posada Carriles: A posição da Cuba

DECLARAÇÃO DO GOVERNO REVOLUCIONÁRIO DE CUBA

CUBA condena a vergonhosa decisão de libertar o terrorista Luis Posada Carriles e aponta para o governo dos Estados Unidos como único responsável por este ato cruel e infame que tenta comprar o silêncio do terrorista sobre seus crimes a serviço da CIA, nomeadamente no período em que Bush pai foi seu diretor-geral.

Com tal decisão, o governo norte-americano ignorou o clamor mundial, inclusive o proferido no território dos Estados Unidos contra a impunidade e a manipulação política deste ato.

Esta sentença é uma ofensa ao povo cubano e aos povos que perderam 73 de seus filhos no abominável atentado de 1976 a um avião civil da Cubana de Aviação, em frente das costas de Barbados.

Este veredicto é uma afronta ao próprio povo dos Estados Unidos e desmente categoricamente a suposta "guerra contra o terrorismo", declarada pelo governo do presidente George W. Bush.

Teria bastado ao governo dos Estados Unidos atestar o caráter terrorista de Luis Posada Carriles para impedir sua libertação e, conforme a Seção 412 da Lei Patriótica dos EUA, ter reconhecido que "sua libertação ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos ou a segurança da comunidade ou de uma pessoa qualquer".

O governo dos Estados Unidos também podia ter aplicado as regulamentações que permitem ao Serviço de Imigração e Alfândegas reter um estrangeiro não admissível no território norte-americano e sujeito à deportação. Para isso, teria sido suficiente que as autoridades estadunidenses tivessem determinado que Posada Carriles constituía uma ameaça para a comunidade ou que libertá-lo traria em conseqüência o risco de sua fuga.

Por que o governo norte-americano permitiu que o terrorista entrasse impunemente no território estadunidense, apesar dos alertas feitos pelo presidente Fidel Castro?

Por que o governo norte-americano o protegeu durante os meses que permaneceu ilegalmente em seu território?

Por que, tendo todos os elementos, se cingiu, em 11 de janeiro, a acusá-lo de delitos menores, de caráter eminentemente migratório e não do que ele é realmente: um assassino?

Por que foi libertado, quando a juíza Kathleen Cardone, em seu veredito de 6 de abril que ordenou a libertação do terrorista, reconheceu que era acusado "de estar envolvido ou ligado a algumas das ações mais infames do século 20? Dentre tais ações,

sobressaem a invasão à Baía dos Porcos, o escândalo Irã-Contras, a sabotagem ao vôo 455 da Cubana de Aviação, as bombas em instalações turísticas de Havana em 1997, e segundo teóricos do complô, participação no assassinato do presidente John F. Kennedy.

Por que agora o Serviço de Imigração e Alfândegas do Departamento de Segurança Interna dos EUA utiliza mecanismos que tem a seu dispor para manter na cadeia o terrorista, com o argumento incontestável, já usado pela Procuradoria Geral dos Estados Unidos em 19 de março, de que de ser libertado, há perigo de que fuja?

Por que o governo dos Estados Unidos fez ouvidos moucos ao pedido de extradição apresentado com todo o rigor, pelo governo da República Bolivariana da Venezuela?

Como é possível que hoje seja libertado o mais notório terrorista que jamais existira neste hemisfério e permaneçam presos jovens cubanos, cujo único delito cometido foi combaterem o terrorismo?

Para Cuba, a resposta é clara. A libertação do terrorista foi planejada pela Casa Branca para que Posada Carriles não divulgue tudo que sabe, para que não fale dos muitos segredos que guarda sobre o longo período em que era agente dos serviços especiais norte-amerianos, em que participou da Operação Condor e da guerra suja contra Cuba, Nicarágua e outros povos do mundo.

A responsabilidade pela libertação do terrorista e pelas conseqüências dessa ação é do governo dos Estados Unidos e, muito particularmente, do presidente desse país.

Agora, após sua libertação, o governo dos Estados Unidos possui toda a informação e os procedimentos legais para apreendê-lo de novo. Falta apenas a decisão política para lutar a sério contra o terrorismo e lembrar que, segundo o presidente Bush, "se alguém dar abrigo a um terrorista, apoiar um terrorista, alimentar um terrorista, então será tão culpado como o próprio terrorista".

Havana, 19 de abril de 2007


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