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Intrusão: Uma doença crónica ocidental

28.11.2007
 
Intrusão: Uma doença crónica ocidental

Na equação da história das civilizações, a intrusão ocidental tem sido um factor constante. As recentes declarações pelos Presidentes dos Estados Unidos da América e da Comissão Europeia sobre o estado de democracia e liberdade de expressão na Rússia demonstram mais uma vez a insolência com que certos elementos ocidentais se comportam nas suas relações com Moscovo.

Frases de ocasião utilizadas por George Bush e José Barroso, do tipo “gravemente preocupado” acerca da falta de “liberdade de expressão” soam sempre que uma manifestação ilegal é dispersada na Rússia mas quem as itera esquece que tem telhados de vidro.

Para começar, há que lembrar ao José Barroso que ele fazia parte de um governo PSD em Portugal não há muitos anos, em que cenas de violência policial contra manifestantes (na Ponte 25 de Abril e em Marinha Grande, para dar apenas dois exemplos) aconteciam amiúde. Não se lembra que a Rússia tenha oferecido qualquer palavra na altura sobre a falta de liberdade de expressão em Portugal, mesmo quando a polícia de choque espancava violentamente homens, mulheres e até idosos.

Relativamente a George Bush, “gravemente preocupado” fica o resto do mundo a constatar que campos de concentração como Abu Ghraib e Guantanamo ainda existem no século 21, gravemente preocupantes são os actos de tortura perpetrados pelas Forças Armadas norte-americanas das quais ele é Comandante Supremo, gravemente preocupantes são os estupros das mulheres iraquianas por soldados norte-americanos.

Gravemente preocupante é o acto de escolher como alvos estruturas civis, gravemente preocupante foi a prática de Washington atribuir contratos bilionários sem concurso público, gravemente preocupante é o estado em que chegou a sociedade iraquiana. Gravemente preocupantes são actos de assassínio em grande escala.

Gravemente preocupantes são os ataques contra civis pelas forças armadas norte-americanas em Iraque e Afeganistão, gravemente preocupante é o facto destes dois líderes falarem a toa como se tratassem de duas padeiras no cabeleireiro, ou duas aprendizes dum cabeleireiro na padaria. Gravemente preocupante é que estes dois senhores deram o aval a um dos erros mais colossais na história das relações internacionais – Iraque. A diferença é que um é estúpido ou arrogante demais para o admitir e o erro suficientemente espertalhoide para tentar aludir ao facto de não ter tido todos os elementos na altura da decisão.

Como em qualquer país do mundo, na Rússia existem leis. Há regras claras para a realização de manifestações e os que são devidamente registadas, acontecem pelo país fora todas as semanas. Como em qualquer país do mundo, na Rússia existem palhaços, e um destes palhaços é Garry Kasparov, um judeu de Azerbaijão com residência em Nova Iorque que tem a mania que tem qualquer importância na Rússia.

Sua “Outra Rússia” não passa de um bando de falhados nas margens da sociedade russa e nas próximas eleições, hão de receber entre zero e cinco por cento dos votos, numa eleição livre e justa, enquanto a Rússia Unida (formação perto do Presidente Putin), há de receber entre 60 e 75% do voto. Por isso se senhores com uma posição tão destacada como Bush e Barroso apoiam uma pessoa como Kasparov, e seu bando de ex-Bolcheviques e Fascistas, em primeiro lugar levanta questões sobre as escolhas políticas dos primeiros e segundo, coloca em questão a competência destes para ocupar as suas respectivas presidências.

Este final de semana, o povo russo dirá de voz muito clara com quem fica. Interessante será ouvir os mesmos Bush e Barroso a lamentarem profundamente que as eleições não eram livres e justas, como sempre, como se alguém na Rússia prestasse qualquer atenção às suas lamentações. Que se metam nos problemas dos países deles, que não são poucos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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