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James Petras: FARC-EP - Bando terrorista ou movimento de resistência?

28.11.2006
 
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James Petras: FARC-EP - Bando terrorista ou movimento de resistência?

Autor da resposta:

James Petras

23.11.06

Em 9 de novembro de 2006, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) enviaram uma “Carta aberta ao povo dos Estados Unidos. Dirigiram-na especificamente a alguns produtores e atores de Hollywood (Michael Moore, Denzel Washington e Oliver Stone), assim como a três universitários esquerdistas (James Petras, Noam Chomsky e Ângela Davis) e a um político progressista (Jessie Jackson).

Dita carta aberta pedia nosso apoio para facilitar um acordo entre os governos dos EUA e da Colômbia e as FARC-EP para intercambiar 600 guerrilheiros encarcerados (entre eles, 2 julgados nos EUA) por 60 prisioneiros que estão em mãos dos rebeldes, entre eles, 3 expertos estadunidenses em contra insurgência.

FARC-EP: Bando terrorista ou movimento de resistência?

Contrariamente à posição do governo dos EUA, que rotula as FARC-EP de “organização terrorista”, estas são, hoje em dia, o movimento guerrilheiro campesino mais importante e antigo do mundo. Fundadas em 1964 por duas dúzias de campesinos ativistas com o fim de defender as comunidades autônomas rurais das violentas depredações dos militares e paramilitares colombianos, as FARC-EP se converteram num exército guerrilheiro altamente organizado de uns 20.000 membros com várias centenas de milhares de milícias locais e partidários e uma enorme influência em mais de 40% do [território] país.

Até o 11 de setembro de 2001, a maioria dos países da União Européia e América Latina reconheciam as FARC-EP como um movimento legítimo de resistência e, durante vários anos, mantiveram negociações de paz com o governo colombiano dirigido pelo presidente Andrés Pastrana. Antes do 11/9, os líderes das FARC se reuniram com chefes de Estado europeus para intercambiar idéias sobre o processo de paz. Numerosos e destacados dirigentes econômicos de Wall Street, da City londrina e de Bogotá, assim como personagens importantes como a rainha Noor de Jordânia, se reuniram com os líderes das FARC na zona desmilitarizada durante as frustradas negociações de paz (1999-2002).

Sob fortes pressões da Casa Branca, em particular de seus porta-vozes ultradireitistas mais proeminentes, como Otto Reich, Roger Noriega e John Bolton, o regime de Pastrana rompeu repentinamente as negociações e, em menos de 24 horas, enviou o exército colombiano à zona desmilitarizada, num intento de capturar os chefes das FARC comprometidos nas negociações. O ataque “por surpresa” fracassou, porém assentou as bases para a escalada do conflito.

Papel dos EUA no conflito

Começando pelo governo de Clinton em 2000 e seguindo com o de Bush, os EUA desembolsaram quatro bilhões de dólares em ajuda militar ao regime colombiano com a finalidade de destruir o exército guerrilheiro e sua suposta base social entre campesinos, sindicatos urbanos e profissionais (especialmente professores, advogados, ativistas de direitos humanos e intelectuais). Washington favorece energicamente uma solução militar subvertendo qualquer tentativa de negociações de paz, e, para isso, conta com um grande número de conselheiros militares, mercenários, agentes antidrogas, agentes da CIA, comandos de Corpos Especiais e outros muitos funcionários encobertos. Desde princípios da década dos oitenta e finais dos noventa, Washington manteve a ficção de que seus programas militares formavam parte de uma campanha contra os narcóticos, ainda que sem explicar por que concentrava a maior parte de seus esforços nas regiões sob a influência das FARC e não nas extensas áreas de cultivo de coca controladas pelos militares e paramilitares colombianos.

Com o início do Plano Colômbia em 2000, Washington sublinhou explicitamente a natureza contra insurgente de sua ajuda militar e sua presença. A Casa Branca, extremamente incomodada pela aceitação das negociações de paz por parte do presidente Pastrana e com os avanços dos movimentos guerrilheiros e sociais, apoio para presidente a Álvaro Uribe, um político direitista vinculado aos esquadrões da morte do país. Sua vitória eleitoral iniciou uma das mais sangrentas campanhas de extermínio da violenta história da Colômbia.

Oficiais militares estadunidenses e seus homólogos colombianos financiaram uma força de esquadrões da morte de 31.000 membros que devastou o país e assassinou a milhares de campesinos nas regiões onde as FARC têm mais presença. Centenas de sindicalistas foram assassinados à luz do dia por sicários nas cidades e povoados ocupados pelo exército. Ativistas de direitos humanos, jornalistas e universitários que se atreveram a denunciar a impunidade dos militares envolvidos nos massacres foram raptados, torturados e assassinados; não era infreqüente que aparecessem decapitados ou estripados para aumentar o terror.

Mais de dois milhões de campesinos se viram forçados a abandonar sua região para instalar-se em favelas urbanas miseráveis, enquanto que conhecidos chefes paramilitares ou grandes latifundiários lhes embargavam as terras. A “limpeza de classe” no campo se levou a cabo de acordo com os manuais de contra insurgência do Pentágono, que instruem os militares colombianos sobre como destruir a “infra-estrutura social” dos movimentos guerrilheiros, especialmente das FARC, que possuem amplos e antigos vínculos familiares, comunitários e sociais com os campesinos.

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