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Um pouco da história de Israel

28.10.2017
 
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Hoje, o Estado de Israel parece ser uma realidade definitiva, o que significa que a única possibilidade de paz para a Palestina é a existência de dois Estados, um judeu e outro árabe, que se reconheçam e respeitem suas integridades geográficas, o que significa o fim do sonho de um Estado único, laico e democrático, onde palestinos e judeus pudessem viver em paz.

Essa percepção, não invalida o fato de que a criação de um estado fundado em conceitos religiosos de origem judaica em meio à populações islâmicas, foi um absurdo geopolítico e só se tornou possível pelos interesses das grandes potências após a Segunda Guerra.

O sonho de um retorno dos judeus à sua terra de origem, após séculos da diáspora, ganhou novo impulso com o movimento sionista iniciado por Theodor Herz no fim do século XIX. Jornalista austríaco, Herz vai tentar mobilizar a comunidade judaica européia para o que ele chamava de solução do problema judaico com a criação do Estado de Israel.

Seu movimento receberá forte apoio, principalmente das comunidades judaicas religiosas do Leste europeu, basicamente da Rússia, vítimas de constantes pogrons durante o czarismo. Herz vai realizar 21 congressos sionistas para discutir a questão, o primeiro dos quais na Basiléia, quando foi definida a Palestina como o local que deveria sediar o Estado Judeu.

Na Europa Central, principalmente na Alemanha, boa parte da população judaica mais intelectualizada e secular, se considerava assimilada pela cultura germânica e se apôs ao sionismo.

Mesmo assim, o movimento cresceu e realizou outros congressos, em que se discutiu propostas de novos locais para o futuro estado, incluindo a Ilha de Madagascar, Chipre,o Congo e até mesmo a Patagônia.

No terceiro congresso, em 1903, foi aprovada a indicação da Uganda como "novo lar judaico", proposta mais tarde abandonada.

A consolidação da opção pela Palestina se deu depois da famosa Declaração de Balfour, de  novembro de 1917, que garantia a "criação de um lar para os judeus na Palestina, desde que respeitado os direitos dos seus atuais habitantes.

Lord Balfour era o Secretário Britânico de Assuntos Estrangeiros e a declaração faz parte da carta que escreveu ao banqueiro, o Barão de Rothschild, dirigente do movimento sionista britânico, garantindo o apoio da coroa inglesa à causa sionista, em troca do financiamento dos banqueiros judeus à guerra contra os turcos.

Desde então, o movimento migratório judeu para a Palestina só fez crescer, apesar da oposição dos governos e populações árabes da região

O fim da guerra e a ampla divulgação do significado do Holocausto para a população judaica da Europa, criou o clima emocional necessário para a aprovação pela ONU, em 1947, da criação do Estado de Israel.

Como os palestinos, na sua luta histórica pela libertação do colonialismo inglês, haviam em determinado momento apoiado os nazistas (o Mufti de Jerusalém , Amin al- Usayni- a principal autoridade religiosa islâmica - esteve em Berlim em 1942, para pedir o apoio de Hitler contra a Inglaterra), tiveram escasso poder nas negociações da ONU.

Interessante lembrar que nos debates na ONU sobre a criação do Estado de Israel, a maior defensora dos interesses judeus foi a União Soviética, muito mais que os Estados Unidos e mesmo a Inglaterra, dividida em agradar os judeus e os xeiques árabes dos estados criados pela divisão entre franceses e ingleses da região (tratado  Sykes- Picot), depois da expulsão dos turcos.

Stalin imaginava enfraquecer a Inglaterra e a França na região e usar Israel como uma cunha no Oriente Médio, ainda mais que muitos dos novos dirigentes judeus eram socialistas vindos do Leste Europeu, com Ben Gurion e Golda Meyer.

O tempo mostrou como ele estava errado e logo Israel começou uma ampla campanha expansionista sobre o restante das terras árabes da região e se transformou no mais sólido aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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