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Povo equatoriano consagra Rafael Correa e a Aliança País

28.04.2009
 
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Povo equatoriano consagra Rafael Correa e a Aliança País

O povo equatoriano ratificou domingo (26) seu crescente apoio ao processo de transformações encabeçado pelo presidente Rafael Correa e seu Movimento Aliança País. Além de reeleger Correa no primeiro turno – fato que ocorre pela primeira vez em duas décadas -, com cerca de 52% dos votos, contra 28% do segundo colocado, os eleitores deram ao movimento patriótico a ampla maioria dos governos estaduais e municipais, e garantiram as maiores bancadas parlamentares no Congresso Nacional (unicameral), nas Assembléias e Câmaras Legislativas.

Entre as principais conquistas da “Revolução Cidad㔠destacam-se a aprovação da Nova Constituição, em 28 de setembro do ano passado - com o fortalecimento do papel do Estado, da soberania nacional e do controle social sobre os setores estratégicos da economia -; a ampliação dos investimentos públicos na saúde, educação, moradia e obras de infraestrutura; a eliminação da terceirização e da intermediação de mão-de-obra e a reorientação da política externa, com a promoção da integração regional - através de organismos como a Unasul -, a suspensão do pagamento dos juros da dívida “ilegal e ilegítima” e a retomada, ainda neste ano, da base naval de Manta, hoje ocupada por tropas estadunidenses. Além disso, o governo decidiu realizar duas auditorias fundamentais para o pleno desenvolvimento da economia e da democracia, passando a limpo a partir de uma análise criteriosa a dívida externa - multiplicada pelos governos anteriores - e as concessões públicas de rádio e televisão, ambas comprovadamente contaminadas pela corrupção.

“Esta revolução está em marcha e nada nem ninguém a detém. Hoje renovamos o nosso compromisso com os mais pobres. Não somos excludentes, mas nosso governo tem uma opção preferencial, para que a Pátria seja, efetivamente, de todos”, afirmou Rafael Correa, logo após a divulgação da primeira pesquisa de boca de urna, que já apontava a vitória por ampla margem. “Precisamos, portanto, fazer com que este imenso capital político se transforme em organização”, enfatizou, pois “a luta é entre o povo e os que seqüestraram, venderam e traíram a Pátria”.

Desde o final da tarde de domingo, milhares de simpatizantes começaram a chegar até a sede da Aliança País, em frente à Tribuna do Parque Carolina, em Quito, para comemorar ao lado de seu presidente a acachapante derrota imposta à campanha midiático-banqueirista e ao imperialismo norte-americano.

Mídia

Para que o leitor tenha uma idéia do monopólio midiático entrincheirado na oposição a Correa, vale lembrar que, na televisão aberta, 19 famílias ainda controlam 298 das 348 frequências existentes. “Há uma relação incestuosa entre os bancos e os meios de comunicação, especialmente na televisão, onde um dos grandes acionistas do Banco de Pichincha, o maior do país, é proprietário da cadeia Teleamazonas, que detém 43 concessões a nível nacional, além de possuir as revistas Gestión e Diners”, informou o jornalista Eduardo Tamayo, do Fórum Equatoriano de Comunicação.

Um dos compromissos da Aliança País, inscrita na nova Constituição, é precisamente o impedimento à formação de “oligopólio ou monopólio, direto ou indireto, da propriedade dos meios de comunicação e do uso das freqüências”, com expressa proibição às entidades ou grupos financeiros, seus representantes legais, membros da diretoria e acionistas de controlar seu investimento ou patrimônio. Além disso, se estabeleceu um prazo de dois anos para que o setor financeiro se desfaça das ações que possui nos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, se incentiva que na sociedade equatoriana se expressem aqueles que nunca tiveram voz, com o governo fomentando a criação de meios de comunicação públicos e comunitários, os quais são colocados, constitucionalmente, em igualdade de condições com os meios privados.

Evidentemente contrários à boa nova - que ainda está sendo gestada -, os donos das grandes redes de rádio e televisão entraram de corpo e alma na campanha. Mesmo nesta segunda-feira, quando ficou claro que deram novamente com os burros n`água, as emissoras privadas deram destaque especial a oposicionistas e à cantilena do “país dividido”, com “conselhos” e “alertas” ao presidente, a quem acusam de “prepotente”e “arrogante”.

Comemoração

“Minhas primeiras palavras são de agradecimento ao povo equatoriano e as segundas são para ratificar o compromisso com esta revolução. Diziam que uma vez presidente eu me acalmaria, mas nós estamos aprofundando o processo. Fiquem tranqüilos pois a cada dia que passa vamos avançar mais, não haverá volta atrás. Somos e seremos mais radicais do que nunca na luta pela justiça social”, sublinhou o presidente, dirigindo-se à multidão que se assomava à sede do Aliança País.

Com o gigantesco respaldo popular vindo das urnas, lembrou Correa, “derrotamos mais uma vez a tentativa de linchamento midiático contra o nosso governo, levada a cabo por uma imprensa mafiosa, que quer ver crucificados os ladrões de galinha, muitos deles empurrados pela fome, enquanto dá sustentação imoral a banqueiros corruptos. Agora, após vencermos já no primeiro turno, dizem que o país está divido. A verdade é que estamos mais unidos do que nunca”.

Rafael Correa ressaltou que “o triunfo não teria sido possível sem o trabalho de milhões de almas, corações e mãos que lutam por esta revolução”, o que nos faz, “reafirmar que é preferível morrer do que perder a vida traindo os princípios e compromissos firmados”.

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