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Dilma, Irã e os EUA

28.03.2011
 

TEERÃ/IRÃ (PRAVDA.RU) - Irã diz que não vai permitir que emissário da ONU entre em seu território para investigar direitos humanos - O governo iraniano anunciou que não aceitará a entrada no Irá de um relator da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no país, e alegou que a decisão da organização é uma campanha dos Estados Unidos.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

Entretanto, mesmo se for impedido de entrar no Irã, o relator da ONU fará sua investigação, com base em informações de dissidentes, exilados, ONGs e parentes de vítimas. Ao final, emitirá um parecer oficial sobre a situação dos direitos humanos no Irã.

A votação do Conselho dos Direitos Humanos da ONU que aprovou a inda ao Irã de uma comissão para investigar a questão de direitos humanos no país teve o apoio do Brasil e está sendo considerada a decisão de política externa da presidente Dilma Rousseff que mais marcou uma diferença em relação à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hipotecava apoio incondicional ao Irã.

Uma fonte do PT, partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que as votações do Brasil contra países como o Irã estão irritando o ex-presidente Lula. Durante oito anos como presidente do Brasil, Lula manteve-se distante dos Estados Unidos e defendeu, a qualquer custo e preço, país com a Venezuela, Bolívia, Cuba, China e Irã.  

Embora só tenha sido eleita presidente por causa do apoio do ex-presidente Lula, Dilma Rousseff, logo após tomar posse no cargo, afastou Brasil do Irã e buscou uma aproximação imediata com os Estados Unidos, e a representação brasileira na ONU passou a apoiar, de forma irrestrita, todas as medidas punitivas contra países que violem os direitos humanos.

Esse episódio da presidente Dilma Rousseff desconhecer as regras da política externa do ex-presidente Lula é uma prática por demais conhecida mundo afora, que só surpreende aos tolos e idiotas, pois, ao final, é regra de conduta humana, desde que o mundo é mundo, a criatura se rebelar contra o seu próprio criador.

Uma informação confidencial da própria ONU diz que a escolha do relator para o caso dos direitos humanos no Irã deve ocorrer nas próximas semanas, devendo ser entre a paquistanesa Asma Jahangir e o indiano Miloon Khotari, destacados nomes na defesa dos direitos humanos no mundo.

Em declaração feita em Teerã e divulgada em Genebra, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, acusou a iniciativa de ser "politicamente motivada" e ter como meta "distrair" a comunidade internacional em relação aos próprios abusos sobre direitos humanos cometidos pelos Estados Unidos.

A diplomacia iraniana havia acusado o Brasil de ser um dos países que se "dobraram" aos interesses de Washington, com o governo de Teerã chegando a insinuar que o Brasil estava adotando uma posição de "país pequeno".

"O objetivo dessa resolução é aumentar a pressão sobre o Irã e distrair a atenção dos abusos no Ocidente, especialmente nos EUA", acusou o porta-voz da Chancelaria iraniana.

O Irã alega que abusos cometidos pelas forças americanas no Iraque e no Afeganistão e a existência de um centro de detenção na Baía de Guantánamo seriam provas de que Washington não está na posição de criticar outros países sobre direitos humanos.

"As políticas dos EUA, tanto em atitude como em palavras, sempre foram paradoxais e baseadas em duplos padrões, e a recente resolução exemplifica claramente esse comportamento", afirmou.

Para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a aprovação da resolução foi tida como uma vitória da diplomacia mundial. "Essa resolução é um marco que reafirma o consenso e a preocupação global e sobre a situação dos direitos humanos no Irã", afirmou Tom Donilon, conselheiro de Segurança Nacional de Obama.

Na Grã-Bretanha, o secretário de Assuntos Exteriores, William Hague, disse que a investigação que um emissário oficial da ONU deve realizar no Irã será um "incentivo aos iranianos que, de forma corajosa, continuam a defender seus direitos". Segundo Hague, o Irã tem sistematicamente silenciado a oposição desde as eleições de 2009.

Essa não é a primeira vez que o Irã se recusa a aceitar um relator da ONU. Desde 2005, nenhum emissário de direitos humanos da organização foi autorizado a visitar o país. Segundo um relatório preparado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a repressão no Irã ganhou novas dimensões nos últimos meses.

Apenas neste ano, 92 pessoas já foram executadas no Irã. Em 2009, o total das execuções foi 388, o que colocou o Irã como o segundo maior responsável por execuções no planeta, logo atrás da China, a primeira. Teerã, porém, insiste que a pena de morte é fundamental para manter a ordem pública de um país.

O presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Sihasak Phuangketkeow, enfatizou: "Espero que o Irã entenda a preocupação da comunidade internacional e que coopere com o emissário".

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU. E-mail:- jornalistadobrasil@hotmail.com

 


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