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Morreu ex-presidente dos EUA Gerald Ford

27.12.2006
 
Morreu ex-presidente dos EUA Gerald Ford

Gerald Ford, o ex-presidente dos Estados Unidos, morreu nesta quarta-feira aos 93 anos. Ford foi o único presidente dos EUA que assumiu o poder sem ser eleito. Gerald Ford sofria com problemas de saúde e no mês de agosto foi submetido a uma intervenção cirúrgica na Clínica Mayo de Rochester, em Minnesota, em decorrência de uma afecção coronária.

Ele chegou à Presidência dos Estados Unidos sem ter vencido uma eleição para a Casa Branca, e sua imagem será sempre ligada ao tumultuoso caso de Watergate, que custou o poder a seu antecessor, Richard Nixon.

Seu desejo de "cicatrizar" as conseqüências da renúncia de Nixon será, para o bem e o mal, a principal lembrança deste republicano de Michigan, que ficou pouco mais de dois anos no poder, entre 1974 e 1977.

Apenas um mês depois chegar à Presidencia, Ford decretou o perdão "absoluto" para Nixon, o que evitou o julgamento do ex-presidente por espionagem política do Comitê Nacional Democrata.

Ninguém duvida que essa decisão, que gerou uma séria controvérsia na época e provocou a renúncia de alguns de seus assessores, custou a Gerald Ford a reeleição em 1976, vencida com pequena margem de votos pelo democrata Jimmy Carter.

Sobre as acusações de que pactuou com Nixon o perdão, respondia que a humilhação dessa renúncia era, para o ex-presidente, "o equivalente a cumprir uma pena na prisão".

Leslie Lynch King, verdadeiro nome de Gerald Ford, nasceu em 14 de julho de 1913, em Omaha (Nebraska), sendo que apenas duas semanas depois se mudou para Grand Rapids (Michigan) com sua mãe, que fugiu de um trágico casamento.

O nome com o qual chegou à Presidência dos EUA foi herdado de seu padrasto, com o qual sua mãe se casou três anos depois de chegar a Michigan.

O ex-presidente chegou a conhecer seu pai biológico quando tinha 17 anos e trabalhava em um restaurante, mas nunca teve uma boa lembrança de seu progenitor, o qual considerava uma pessoa negligente.

Ford estudou Direito, esteve a ponto de morrer na Segunda Guerra Mundial - serviu na Marinha americana - e se dedicou à política.

Foi membro do Congresso desde 1949, para o qual foi reeleito em doze ocasiões, e em 1963 foi nomeado por Lyndon Johnson para a Comissão Warren, que investigou a morte de John Kennedy.

Sua personalidade afável e honesta sempre teve destaque na política americana, inclusive entre seus adversários, que, no entanto, o acusavam de não ter liderança.

O democrata Lyndon Johnson, outro vice-presidente que assumiu a chefia de Estado, o definiu como "um bom tipo", o que não impediu que Ford sofresse duas tentativas de assassinato, em ambos casos nas mãos de mulheres.

"O verdadeiro presidente deste país, no que se refere à política externa, era Henry Kissinger", então secretário de Estado, opinava, por sua parte, Jimmy Carter.

À sombra do mandato de Nixon, a Presidência de Gerald Ford teve de enfrentar as seqüelas do conflito bélico no Vietnã (apesar da assinatura de um tratado de paz), o aumento da inflação e um Congresso democrata cada vez mais consciente de seus poderes.

Ford usou muitas vezes seu direito de veto para controlar as despesas do Governo e tentou diminuir impostos e liberalizar os preços da energia para estimular a produção e conter a inflação e o desemprego.

Na política externa, viveu a vitória comunista no Vietnã, depois que o Congresso negou um pedido seu de ajuda econômica para Saigon, e o incidente do mercante Mayaguez, no qual morreram 41 americanos em águas do Camboja.

Os americanos sempre lembram de Gerald Ford acompanhado de sua esposa, Betty, com a qual estava casado há 58 anos, desde outubro de 1948. A união rendeu quatro filhos ao casal.

Nos poucos dois anos que viveu na Casa Branca, Betty Ford se manifestou a favor do aborto, falou do próprio câncer que sofria e confessou seus problemas com o álcool e os analgésicos.

Gerald Ford vivia em um rancho da Califórnia e durante os últimos anos teve uma saúde muito frágil.

EFE


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