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Iraque: Instável, perigoso e fora de controlo

27.04.2006
 
Iraque: Instável, perigoso e fora de controlo

As boas notícias esta semana no Iraque são que um novo governou tomou posse, aceitável a todos – os Sunitas, os Curdos e as várias facções dos Xiitas – quer secularistas, quer fanáticos religiosos. As más notícias são que a autoridade deste governo, como em Afeganistão, é restrita às cidades principais.

As terríveis experiências vividas pelo Vice-Presidente Tariq al-Hashemi, é um exemplo do caos no qual o país se encontra – duas semanas depois de um irmão Ter sido morto a tiro, ontem foi a sua irmã, assassinada numa chuva de balas – prova viva que aqueles que querem aproveitar-se de um país que foi destabilizado pela campanha assassina e ilegal de Washington podem atacar onde, quando e como querem, impunes.

As medidas tomadas pelas autoridades são desesperadas – quase 30.000 pessoas detidas e metade destes ilegalmente, de acordo com a ONU. Mas a realidade para o homem na rua no Iraque continua a ser um pesadelo.

George Bush pregou Liberdade e Democracia quando ultrapassou o Conselho de Segurança da ONU para lançar sua campanha Choque e Pavor, ganhando corações e mentes por destruir as infra-estruturas do país com equipamento militar antes que fossem atribuídos contratos de reconstrução a amigos e companheiros. Mas o que foi tirado do povo iraquiano por George Bush foi precisamente a sua liberdade.

Sob o governo Ba’as de Saddam Hussein, só os activistas políticos mais notáveis tinham problemas com as autoridades. Hoje, as mulheres nem podem sair de casa sem usarem o véu, as que se atrevem podem ser decapitadas em pleno luz do dia, os maridos podem espancar as mulheres sob a lei iraquiana e as pessoas não têm a liberdade de estarem numa fila para comprar pão ou de irem ao mercado.

A questão não é se o Iraque agora encara uma amanhã mais risonha com seu novo governo – e todos na comunidade internacional esperam que sim – a questão é por quê esta situação existe, quem tem a culpa e por quê estas pessoas não estão num tribunal a serem julgados pelo assassínio de dezenas de milhares de pessoas, crimes de guerra e tortura.

Se Saddam Hussein assinou 140 condenações de morte, estava a seguir a mesma lei que permitiu ao George Bush assinar 152 quando era governador de Texas mas não quando as forças das quais ele é o comandante assassinaram dezenas de milhares de civis, violaram ou torturaram os detidos.

O Conselho de Segurança da ONU existe por uma boa razão e os que assinaram a carta da ONU sabem muito bem que qualquer uso de força é sempre sujeito a uma resolução separada – dai todas as energias gastas em obtê-la. O Washington de George Bush decidiu desrespeitar a lei internacional e alterar as peças do puzzle no Médio Oriente baseado apenas em capricho pessoal. Mas a ironia é que aqueles que pagam o preço são os cidadãos do Iraque.

Em vez de se congratular-se por sucessos menores, Washington deveria estar envergonhado por causa do muito que fez.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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