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Ucrânia quer o reconhecimento da Golodomor na ONU

26.11.2006
 
Ucrânia quer o reconhecimento da Golodomor na ONU

A Ucrânia considera que a ONU reconhecerá a “Golodomor”( a morte de milhões de camponeses, de fome  na coletivização obrigatória das terras decretada por Stalin) como genocídio contra o povo ucraniano, declarou ontem na manifestação em Kiev o presidente da Ucrânia ,Viktor Yushchenko.

Acredito que o ano 2008, o ano de de 75º aniversário da Golodomor será marcado com esta declaração da ONU. Estou convencido, porque acredito na justiça”, disse Yushchenko.

Na capital ucraniana, Kiev, ontem foi realozada uma cerimônia oficial, com o lançamento da pedra fundamental da sede do futuro memorial para homenagear as milhões de vítimas da coletivização e da repressão polítiac estalinista.
Yushchenko apresentou em outubro ao Parlamento um projeto de lei que declara como genocídio a morte de milhões de camponeses ucranianos, que será votado no início da semana.

Yushchenko assumiu a tarefa de fazer justiça a seus antepassados. No entanto, o primeiro-ministro, Viktor Yanukovich, e o seu Partido das Regiões, anunciaram sua oposição ao projeto, assim como os comunistas.

O presidente ucraniano acredita que caso a Rússia, herdeira da União Soviética assumisse a responsabilidade e reconhecesse a crise da fome como genocídio contra o povo ucraniano, poderia ter de indenizar Kiev, abrindo um precedente. Entretanto a Ucrânia também é herdeira da União Soviética. Nos tempos da existência da URSS havia sido separadamente  representada na ONU, assim como a Rússia e Bielorússia. Tendo em conta este fato, tornam-se duvidosos as pretensões da Ucrânia em receber quaisquer indenizações. Além disso a coletivização também deixou um rastro de fome e desolação na Rússia, na bacia do Volga, no Cáucaso, no Casaquistão e no Quirguistão.

Em 1930, Stalin lançou seu ambicioso plano de coletivização das terras. A fome ocorreu em 1931-1932. A colectivização total da agricultura, a repressão contra os lavradores médios e abastados, bem como o aumento da exportação de cereais pela União Soviética provocaram a falta dos alimentos mais essenciais no país, tendo-se registado numerosos casos de canibalismo. “Muita gente morre de fome na nossa aldeia, os cadáveres não são enterrados durante cinco dias, porque não há ninguém que possa fazer isso, as pessoas estão esfomeadas, não abrem valas, a terra está gelada, sepultam-nos em celeiros e jardins”, escreveram os pais de um soldado, residentes no Norte do Cáucaso.

Esta é apenas uma das muitas cartas escritas por pessoas que viviam atingidas pela fome, mas que não chegaram às mãos dos destinatários, porque os serviços secretos as interceptavam para que as notícias da Golodomor não chegassem a outras regiões da União Soviética e ao estrangeiro. “A fome foi a coisa mais terrível na minha vida.

Certa vez, eu e o meu pai comprámos carne cozida num mercado e, quando íamos a comer, vimos que era carne humana, porque encontrámos a unha de um dedo”, recorda Ksenia Vassilevna, num outro testemunho desses tempos. De acordo com os cálculos aproximados dos historiadores, a Golodomor, um dos mais pesados crimes do estalinismo, ceifou a vida de 4 a 10  milhões de pessoas.


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