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O Golpe em Honduras: Em defesa da Alternativa Bolivariana

26.07.2009
 
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O Golpe em Honduras: Em defesa da Alternativa Bolivariana

Apesar do golpe em Honduras ser mais um golpe dentre tantos ocorridos na América Latina, ele ocorre num momento distinto: a ascensão do bolivarianismo no continente, encabeçado pela Alternativa Bolivariana para as Américas, tendo a maior expressão no governo da Venezuela; e o enfraquecimento da política norte-americana para o continente, devido à crise mundial e ao atoleiro no qual se tornaram as duas guerras no Oriente Médio. Nessa conjuntura o fato é que toda a diplomacia internacional tem se manifestado contra o golpe de Estado, apesar do imperialismo pressionar à negociação com os golpistas.

Neste momento se faz importante uma análise sobre os fatos, mostrando as semelhanças e diferenças do período anterior, para denunciar o governo fascista de Micheletti e nos armar para a luta socialista e internacionalista neste continente no próximo período.

A América Central sempre esteve no epicentro da luta de classes no mundo, desde os processos de independência até as revoluções no início dos anos 1980, como a nicaraguense, a salvadorenha e a guerra civil guatemalteca. Com a necessidade de dar resposta ao modelo neoliberal imposto a esses países, como ao conjunto da América Latina, a Frente Sandinista de Libertação Nacional na Nicarágua e o movimento Farabundo Martí em El Salvador retomam o poder, mas dessa vez com um programa de conciliação com a burguesia local e com o imperialismo, chegando ao ponto de Daniel Ortega, Presidente da Nicarágua, ter sido um defensor do Tratado de Livre Comércio. Ainda assim, o contexto de ascensão dos governos independentes ligados ao bolivarianismo e o enfraquecimento da influência norte-americana na região fazem com que esses governos passem a refletir a situação latino-americana e acabem se incorporando à ALBA.

Em Honduras ocorreu um processo similar ao desses países. Apesar do governo de Zelaya pertencer ao tradicional Partido Liberal, ele acabou por espelhar essa situação e se radicalizando até ao ponto de adesão à ALBA. É importante destacar que inclusive setores da burguesia viam com bons olhos o Petrocaribe que acompanharia essa adesão, porém o acirramento da luta de classes em um país com forte expressão popular, mobilização e greves, tais como a dos campesinos e professores, abriram um novo cenário provocando uma forte reação da burguesia.

Logo, Manuel Zelaya, presidente eleito, tomou medidas de caráter popular, como elevação do salário mínimo e investimentos em programas sociais, apoiando-se na mobilização que crescia. A partir desses processos há uma polarização cada vez maior entre os tradicionais setores golpistas, como a Igreja Católica, um grande setor do Partido Liberal, uma parte importante da burguesia hondurenha e a cúpula militar, em contraposição a setores populares que tem sua expressão mais forte na Via Campesina.

Junto a esse cenário, a Alternativa Bolivariana para as Américas, ALBA, impulsionada pelo governo Venezuelano oferecem uma alternativa de desenvolvimento social, popular e recursos para a América Central e o Caribe.

O avançar no processo de lutas de classe nesse país e a crise financeira mundial fazem com que Honduras se incorpore nesse grupo no dia 10 de outubro de 2008. A partir da entrada na ALBA, a direita golpista hondurenha passa a conspirar de maneira mais incisiva contra o governo de Zelaya, ao mesmo tempo em que a ofensiva popular aumenta, exigindo uma mudança institucional profunda de um sistema que privilegia apenas as multinacionais e a oligarquia local. A resposta a essa batalha seria uma reforma constitucional que garantisse os direitos do povo hondurenho e radicalizasse a democracia.

A entrada na ALBA o tornou inimigo das elites. A forte mobilização popular faz com que no início do ano de 2009 a discussão sobre a reforma constituinte passe a ganhar força, apesar da forte oposição da burguesia. Com a falta de apoio das elites, o vice-presidente se afasta a fim de concorrer à presidência no fim do mandato.

Com a oposição do Congresso, com a maioria do partido de Zelaya e do Judiciário, e através da Suprema Corte, da Igreja, e dos militares a direita faz com que se torne impossível a aprovação de uma reforma constituinte ou um referendo probatório. Logo, a fim de se apoiar no movimento de massas, aumentar a popularidade e conseguir forças para estabelecer uma assembléia constituinte, Zelaya propõe uma consulta popular para a construção de uma nova constituição.

Ao fim do mês de junho, nos dias que antecederam à consulta, o exército hondurenho invadiu a casa do presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya, o prendeu e deportou para a Costa Rica. Ao mesmo tempo que a Suprema Corte, o Congresso, grande parte das religiões e o exército nomeavam o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, presidente interino de Honduras.

Após as primeiras declarações de Zelaya do exílio, manifestações de apoio ao presidente eleito e de repúdio ao golpe partiram de todos os países do continente e de diversos outros países do mundo. As mais surpreendentes vieram dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA), que criticaram o golpe, porém sem deixar de apontar Hugo Chávez como principal estimulador da guerra civil em Honduras.

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