Pravda.ru

Mundo

Chávez expressou algumas reservas ao marxismo e à Marx

26.07.2007
 
Pages: 12345
Chávez expressou algumas reservas ao marxismo e à Marx

Recentemente, o presidente Chávez, sem dúvida um dos maiores líderes populares do mundo atual (e, por isso mesmo, contestado por toda sorte de charlatães que se dizem marxistas), após manifestar seu respeito pela figura e pela obra de Karl Marx, expressou algumas reservas em relação ao marxismo e à posição de Marx, que, segundo Chávez, “enganado e manipulado, chegou a aprovar a invasão dos EUA ao México e da Inglaterra à Índia”.

A dominação britânica na Índia

“Os invasores ingleses quebraram os ofícios de tecelagem dos indianos e destruíram suas rocas. A Inglaterra começou por excluir os tecidos de algodão indianos do mercado europeu, depois ela se pôs a exportar para o Hindustão o fio e enfim inundou de tecidos de algodão a pátria dos tecidos de algodão”, destaca Marx em seu trabalho acerca da dominação inglesa sobre a Índia

KARL MARX

Recentemente, o presidente Chávez, sem dúvida um dos maiores líderes populares do mundo atual (e, por isso mesmo, contestado por toda sorte de charlatães que se dizem marxistas), após manifestar seu respeito pela figura e pela obra de Karl Marx, expressou algumas reservas em relação ao marxismo e à posição de Marx, que, segundo Chávez, “enganado e manipulado, chegou a aprovar a invasão dos EUA ao México e da Inglaterra à Índia”. É natural que os homens, que não são perfeitos, cometam, às vezes, equívocos. Como o presidente Chávez é figura por quem temos particular respeito, resolvemos elucidar a questão.

Quanto ao México, quem citou a invasão dos EUA foi Engels, em 1849, na polêmica com Bakunin. Na época, não era ainda claro o papel dos EUA – mas esse não é o assunto de Engels, e sim demonstrar que, ao contrário do que Bakunin pregava, a História das nações não era guiada por conceitos éticos, por mais belos que eles soassem. Isso, evidentemente, só será possível em outro estágio da Humanidade.

Quanto à invasão da Índia pela Inglaterra, Marx publicou três artigos no jornal norte-americano New York Daily Tribune, em 1853.

Marx denuncia com sua costumeira eloqüência o circo monstruoso de horrores dessa dominação. Apenas, nota que ela, ao destruir a base econômica do milenar atraso hindu – ainda que em benefício do despotismo europeu – escancara a necessidade de uma nova Índia, livre das cadeias arcaicas onde antes vegetava, e também livre da opressão estrangeira.

Para maior esclarecimento da questão, condensamos nesta página os dois artigos mais importantes: “O domínio britânico na Índia” e “Resultados futuros da dominação britânica na Índia”. Tomamos a liberdade de grifar alguns trechos que consideramos especialmente reveladores da posição de Marx.

Os males que os ingleses causaram ao Hindustão são de um gênero essencialmente diferente e muito mais profundo do que aqueles que o Hindustão havia sofrido antes. Não faço alusão ao despotismo europeu que, somado pela Companhia Britânica das Índias Orientais ao despotismo asiático, forma uma combinação mais monstruosa do que os monstros sagrados que nos apavoram no templo de Salsette. Isso não constitui um traço distintivo da dominação colonial britânica e não é senão uma imitação do sistema holandês, a tal ponto que para caracterizar a atividade da Companhia Britânica das Índias Orientais é suficiente repetir literalmente o que sir Stamford Raffles, o governador inglês de Java, tinha dito a propósito da velha Companhia Neozelandesa das Índias Orientais:

“A Companhia Neozelandesa, movida unicamente pelo amor ao ganho e tendo por seus assujeitados menos interesse e consideração que um plantador das Índias ocidentais tinha pelos escravos que trabalhavam em seu domínio - dado que este pelo menos havia pago com o dinheiro seu instrumento de trabalho humano, enquanto aquela não havia gasto nada -, essa Companhia mobilizou todos os recursos existentes do despotismo para tirar do povo seus últimos suspiros por meio de contribuições e de todo o trabalho de que ele era capaz. Ela agravou assim os males causados por um governo caprichoso e semi-bárbaro e pela a avidez sem limites dos mercadores.”

Todas as guerras civis, invasões, revoluções, conquistas, fomes, por mais complexa, rápida e destrutiva que pudesse parecer sua sucessiva ação sobre o Hindustão, não o haviam arranhado senão superficialmente. A Inglaterra destruiu os fundamentos do regime social da Índia, sem manifestar até o presente a menor veleidade de construir o que quer que seja. Esta perda de seu velho mundo, que não foi seguida pela obtenção de um mundo novo, confere à miséria atual dos Hindus um caráter particularmente desesperado e separa o Hindustão, governado pelos ingleses, de todas as tradições antigas, de todo o conjunto de sua história passada.

MISÉRIA

Decorridos tempos imemoriais, não existia na Ásia senão três departamentos administrativos: o das Finanças, ou pilhagem do interior; o da Guerra, ou pilhagem do exterior; e, enfim, o departamento dos Trabalhos Públicos. O clima e as condições geográficas, sobretudo a presença de vastos espaços desérticos, que se estendem do Saara, através da Arábia, da Pérsia, da Índia e da Tartária, aos platôs mais elevados da Ásia, fizeram da irrigação artificial com auxílio de canais e de outras obras hidráulicas a base da agricultura oriental.

Pages: 12345

Loading. Please wait...

Fotos popular