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Sarkozy na Líbia: A que preço foi conseguida esta reconciliação?

26.07.2007
 
Sarkozy na Líbia: A que preço foi conseguida esta reconciliação?

O presidente francês Nicolas Sarkozy, em meio à polêmica na Europa sobre possíveis concessões realizadas ao regime líbio para a libertação dos médicos búlgaros, encontrou-se ontem com o líder da Líbia Muamar Kadafi.

Só um dia depois de os búlgaros terem aterrizado em Sófia , após oito anos da prisão em Líbia , acusados de contagiar de Sida mais de 400 crianças líbias, e sem perder tempo, o avião presidencial francês voava até Trípoli.

Numa curta visita de cerca de 24 horas, Sarkozy e Kadafi firmaram vários acordos da cooperação militar, industrial e sobre o uso pacífico da energia nuclear, que marcam o início da normalização das relações entre a União Europeia e o regime líbio.

 E os 27 poderiam não ser únicos. A Secretária de Estado norte-americana, Condoleeezza Rice, também anunciou ontem sua intenção de visitar “em breve” o país africano. Porém muitas vozes se perguntam a que preço foi conseguida esta reconciliação.

Recorde-se que o próprio Sarkozy negou a França ou UE terem pago “ um só euro” para a libertaçaõ dos médicos búlgaros, muitas incógnitas sobre como foram levadas a cabo as negociações secretas seguem sem resposta. Algumas fontes europeias destacam claramente que a UE acabou por pagar um “ resgate” por búlgaros , mas também é evidente que a Libia produzindo cerca de 36.000 barriles de petróleo diariamente e com uma esperança de vida de suas jazidas de 61 anos de exploração ao ritmo atual, é um bom-bocado para Bruxelas e França.

 A última espera também poder entrar no mercado de armamento líbio e, quanto à indústria nuclear civíl, Libia contactou já com Areva, o gigante francês da energia nuclear.

Enquanto a Líbia , a libertação dos médicos búlgaros foi uma carta bem jogada por Kadafi. O país volta à comunidade internacional com muita dignidade.

Os Estados Unidos e paises da UE cortaram relações diplomáticas com a Líbia em 1980 e, em 1988, responsabilizaram o governo do país, dirigido por Muammar Khadafi, pelo atentado contra um vôo da Pan Am, no qual 270 pessoas – na maioria americanos – morreram.

Em 2004, os EUA suspenderam várias das sanções econômicas que impunham ao país africano e restabeleceram ligações com a Líbia. No entanto, a exportação de armas e o investimento no setor de petróleo permaneceram limitados.

Entretanto a Líbia convocou, nesta quarta-feira, o primeiro-secretário da embaixada da Bulgária em Trípoli, para protestar oficialmente contra o perdão dado, na terça-feira, às enfermeiras e ao médico búlgaro, informaram as fontes oficiais .

 Por Lyuba Lulko


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