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Perú: Governo e indígenas começam diálogo

26.05.2009
 
Perú: Governo e indígenas começam diálogo

O governo do Peru e os indígenas amazônicos, que protestam há 46 dias, iniciarão nesta terça conversas em torno do conflito, confirmou o líder dos nativos, Alberto Pizango.

O presidente da Associação Interétnica da Selva Peruana (Aidesep) disse que as bases da organização estão prontas para integrar a uma mesa de diálogo criada pelo governo na semana passada, depois de um longo tempo sem iniciativas firmes para atender o conflito.

Pizango assinalou que as comunidades amazônicas agrupadas em Aidesep, indicaram representantes para o diálogo, cujo objetivo deve ser a anulação de nove decretos contra os que iniciaram o protesto, no dia 9 de abril.

Esperamos que não tenha mais "mecidas" (enganos e manobras dilatórias) e que em troca se tomem decisões pelo bem dos povos amazônicos, disse, entrevistado por uma televisão local.

Os nativos exigem que os decretos sejam anulados, porque consideram que propiciam a entrega da Amazônia às grandes multinacionais, o que atenta contra o patrimônio nacional e contra o habitat dos indígenas.

O governo nega que os originários sejam donos da Amazônia e só oferece modificar parcialmente os decretos, ao que Pizango replica que as normas devem ser anuladas para elaborar novas em consenso com as comunidades.

Enquanto isso, continuam tomadas pelos indígenas duas instalações de bombeio de petróleo cuja inatividade tem determinado a paralisação do oleoduto norte-peruano, que transporta petróleo da selva à costa.

A interrupção foi confirmada pela empresa estatal Petroperú, a qual reportou também problemas de escassez de combustível em diversos pontos da Amazonía, que tem vários pontos sob estado de emergência devido aos| protestos.

Outro fator que pesa sobre o diálogo de manhã é a investigação fiscal por sedição, rebelião e outros delitos, aberta contra o dirigente Pizango por uma denúncia do governo que será levada até o final, segundo afirmou a ministra de Justiça, Rosario Fernández.

Pizango diminuiu viabilidade à denúncia e disse que é uma represália contra a luta indígena, a tempo de receber a solidariedade da Confederação Geral de Trabalhadores (CGTP), que nesta quarta-feira realizará uma jornada nacional de protesto.

A jornada estava programada para exigir melhorias salariais e atenção a outras demandas anti-neoliberais, mas, ante a gravidade do conflito amazônico, terá como principal bandeira o apoio aos indígenas.

A CGTP afirmou que "o início da perseguição judicial contra o líder amazônico Alberto Pizango é uma demonstração do caráter intolerante do governo e sua predisposição a quebrar a ordem constitucional".

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