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ONU pede explicações aos EUA após divulgação de documentos secretos sobre a ‘Guerra no Iraque’

25.10.2010
 
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ONU pede explicações aos EUA após divulgação de documentos secretos sobre a ‘Guerra no Iraque’

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

BAGDÁ/WASINGTON - (PRAVDA RU) - Através de reportagem do seu correspondente internacional, Antonio Carlos Lacerda, com o título “No Iraque, 30 Mil presos estão sem julgamento e sob tortura”, publicada no dia 10 deste mês, com manchete capa, o PRAVDA denunciou de horror no Iraque através da divulgação de documentos secretos sobre a ‘Guerra no Iraque’.

A divulgação dos documentos secretos sobre a ‘Guerra no Iraque’ está sendo considerado o maior vazamento desse tipo de documento em toda a História da Humanidade. Acredita-se até que o vazamento tenha como fonte um analista dissidente da inteligência do Exército americano, cuja identidade continua mantida sob sigilo.

Segundo os documentos, desde a invasão americana no Iraque, em 2003, morreram mais de 100 mil iraquianos, dos quais cerca de 70 mil civis. O vazamento dos documentos foi imediatamente reprovado pelo governo dos Estados Unidos que, através do seu porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, assegurou que nos documentos "não há nada que possa indicar a existência de crimes de guerra", mas considerou que "o país está mais vulnerável agora".

Na reportagem, o PRAVDA publicou denuncia da Anistia Internacional que apontou confissões conseguidas sob tortura e responsabilizou as forças militares americanas pela situação. Foram também denunciados os atos de estupros, descargas elétricas, unhas arrancadas e mutilações de órgãos humanos nas prisões iraquianas.

Após a denúncia do PRAVDA, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Anistia Internacional (AI) pediram aos Estados Unidos explicações sobre os casos de tortura e mortes de civis durante a Guerra do Iraque, que estarreceram a opinião pública mundial.

Já o primeiro ministro iraquiano, Nouri al Maliki, classificou a divulgação dos dados secretos de "sabotagem" e disse que as acusações de que seu governo teria sido complacente com os abusos são parte de uma campanha política contra ele.

Em meio ao vácuo político após a retirada das tropas de combate americanas e a ausência de um governo há meses, al Maliki acusou seus opositores de querer utilizar os documentos militares americanos para acusá-lo de cometer os abusos.

Em comunicado, o gabinete do chefe do Governo do Iraque informou que "Há objetivos políticos por trás dessa campanha midiática, e alguns buscam utilizar esses documentos contra os líderes nacionais, particularmente o primeiro-ministro".

As informações publicadas referem-se a casos de violência, torturas, estupros e inclusive assassinatos cometidos por policiais e militares iraquianos contra prisioneiros e sobre os quais o Exército americano optou por negligenciar.

Segundo a constituição iraquiana, o primeiro-ministro também é comandante-em-chefe das Forças Armadas e, de acordo com os documentos citados pela Al Jazeera, al Maliki teve vínculos com "esquadrões da morte".

Os opositores do primeiro-ministro o acusam de ter criado no seio das forças de segurança, após sua nomeação em 2006 em pleno conflito sectário, unidades responsáveis por fazer o trabalho sujo, principalmente assassinatos.

"Em relação aos assassinatos, às prisões e torturas, confirmamos que o primeiro-ministro, que é comandante das Forças Armadas, tem a autoridade sobre todas as forças e que estas cumprem seu dever de deter e castigar conforme as ordens emitidas pela Justiça, e não segundo critérios religiosos ou partidários, como alguns gostam de dizer", respondeu o gabinete do chefe de governo.

O relator especial da ONU sobre a tortura, Manfred Nowak, e a Anistia Internacional, questionaram e insistiram com os Estados Unidos a investigar os casos de tortura revelados nos documentos militares americanos que foram publicados.

"A administração (do presidente americano Barack) Obama tem a obrigação, quando surgem acusações sérias de tortura contra qualquer funcionário americano, de investigar e tomar as consequências. Essas pessoas deveriam ser processadas", afirmou o relator à rádio BBC de Londres.

"Eu teria esperado que (este tipo de investigação) fosse iniciada há tempos, porque o presidente Obama chegou ao poder prometendo a mudança (...) O presidente Obama tem a obrigação de cuidar dos casos passados. É uma obrigação investigar", continuou o relator.

Nowak reconheceu, entretanto, que poderia ser apenas uma investigação americana, já que os Estados Unidos não reconhecem o Tribunal Penal Internacional (TPI). A Anistia Internacional também pediu a Washington que investigue o quanto as autoridades sabiam sobre os maus tratos a presos no Iraque.

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres, na Inglaterra, lembrou em um comunicado que, como todos os governos, os Estados Unidos "têm uma obrigação sob o direito internacional de garantir que suas próprias forças não utilizem a tortura e que as pessoas que estão detidas pelas forças americanas não sejam entregues a outras autoridades que possam torturá-las".

"Os Estados Unidos descumpriram esta obrigação no Iraque, apesar do grande volume de provas disponíveis de muitos locais, que mostram que as forças de segurança iraquianas utilizam a tortura extensivamente e foi permitido que o fizessem impunemente", disse Malcolm Smart, diretor da Anistia para o Oriente Médio.

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