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A influência do pensamento russo na economia mundial

25.10.2009
 
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Por tudo isso, de acordo com BARAN, “a função mais nobre, a única função legítima do esforço intelectual, é contribuir para a emergência de uma sociedade em que o desenvolvimento suplantará a estagnação, em que o crescimento substituirá a decadência, em que a cultura porá fim ao barbarismo” (p.399).

3. O próximo a ser abordado é o economista Ladislaus Von BORTKIEWICZ (1868-1931). Segundo o Prof. Paulo Sandroni, “Nasceu em São Petersburgo, Rússia, de uma família de origem polonesa, e estudou na Universidade de Estrasburgo. Lecionou durante 30 anos na Universidade de Berlim. A obra de Bortkiewicz abrange um leque bem amplo de assuntos envolvendo a estatística, a economia e a matemática, entre outros” (2008, p.94). Em 1906, escreveu o livro denominado O principal erro da teoria dos juros de BÖHM-BAWERK. BORTKIEWICZ não considerou o lucro como o fruto da exploração, mas como uma dedução do valor de uma mercadoria.

4. Nikolai Ivanovitch BUKHARIN (1888-1938), de acordo com o Prof. Paulo Sandroni (2008, p.101), “Economista e político russo, um dos principais teóricos do Partido Bolchevista”. BUKHARIN publicou sua principal obra, O imperialismo e a economia mundial, em 1915. Nela, BUKHARIN foi contra as medidas de STALIN durante a coletivização forçada da agricultura e foi a favor do prolongamento da NEP instituída por LÊNIN. Entre as medidas da NEP destacam-se a liberdade de comércio externo, o investimento direto, o mercado livre e a privatização de empresas com menos de 20 operários. Adotada ainda na fase de afirmação da Revolução, a NEP é considerada uma etapa de transição rumo à coletivização dos meios de produção, durante a qual mesclam-se algumas características do futuro socialismo com outras do velho capitalismo, numa espécie de (um passo para trás e dois para frente).

5. O economista Alexander Vasilevitch CHAYANOV (1888-1939) foi um dos mais destacados estudiosos da economia camponesa da Rússia. CHAYANOV explicou a organização da unidade econômica campesina; seus objetivos e planos; a circulação de capital e riqueza; a relação entre terra, capital, trabalho e família; e as consequências de todo elo para a economia nacional e internacional e a articulação da economia campesina com o conjunto econômico. De acordo com o Prof. Paulo Sandroni, “Conhecido em toda a Europa, teve vários de seus escritos publicados em alemão, dentre eles A Teoria da Economia Camponesa, editados em Berlim em 1923, que pode ser considerado uma versão abreviada de sua principal obra, Peasant Farm Organization, editada em 1966 nos Estados Unidos pela American Economic Association” (2008, p.138).

6. O economista Leonid Vitaliyevich KANTOROVITCH (1912-1986) foi laureado com o Prêmio Nobel de Economia de 1975 por suas aplicações da Matemática aos problemas econômicos. Em 1959, publicou sua mais famosa obra, O melhor uso dos recursos econômicos. KANTOROVITCH foi um dos pioneiros da técnica de programação linear como instrumento de planejamento econômico. O matemático e economista russo dividiu com o holandês Tjalling Koopmans o Prêmio Nobel pelo trabalho sobre como otimizar a distribuição de recursos escassos. Em 1939, desenvolveu um modelo de programação linear que o levou à demonstração de como a descentralização do processo decisório numa economia planificada depende de um sistema de preços determinados pela escassez dos recursos.

De acordo o Prof. Fred Leite Siqueira Campos, “Kantorovitch foi o primeiro ser humano que, em 1947, encontrou soluções ótimas econômicas com a aplicação de programação linear (unindo matemática e economia). Os modelos de programação linear são formados sempre por uma função linear (que é a função objetivo) e por um conjunto de inequações lineares (restrições do problema)”.

7. Nicolai Dmitrievich KONDRATIEFF (1892-1938), foi o grande responsável pelo estudo dos ciclos econômicos longos, ou ciclos seculares, de 40 a 60 anos, mundialmente conhecidos como “ciclos de KONDRATIEFF” (graças ao economista austríaco Joseph Alois Schumpeter). KONDRATIEFF foi um dos mais talentosos economistas russos e ajudou a escrever o primeiro Plano Quinquenal da URSS e, sobretudo, escreveu a famosa obra Os ciclos longos da conjuntura, em 1928.

Segundo o Prof. Hindenburgo F. Pires, “Kondratieff, recorrendo a um método estatístico para analisar esses dados, constatou que suas tentativas de periodização incorriam num erro de 5 a 7 anos na determinação dos anos de tais tendências (V. Quadro I), e concluiu que os limites destes ciclos podiam todavia ser representados como sendo aqueles mais prováveis:”.

Quadro I. Longos Ciclos de Kondratieff

LONGOS CICLOS

FASES A (1ª Expansão ); B (2ª Declínio )

Primeira longa onda

1ª A expansão durou do fim dos anos de 1780 ou começo dos anos de 1790 até 1810-17;

2ª O declínio durou de 1810-17 até 1844-51;

Segunda longa onda

1ª A expansão durou de 1844-51 até 1870-1875;

2ª O declínio durou de 1870-75 até 1890-1896;

Terceira longa onda

1ª A expansão durou de 1890-1896 até 1914-20;

2ª O declínio provável começa nos anos de 1914-20.

Fonte: KONDRATIEFF (1944, p.32) In The Long Waves in Economic Life.

Ao examinar a natureza dos longos ciclos, do ponto de vista das modificações nas técnicas de produção, KONDRATIEFF observou que as regularidades do processo ajudam a estabelecer algumas regras empíricas para o movimento das longas ondas. E dentro desta perspectiva, em um curto, mas importante trecho, KONDRATIEFF revelou o papel das modificações nas técnicas nos longos ciclos.

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