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Cuba não deve satisfações aos EUA pelo espraiamento de bombardeiros russos

25.07.2008
 
Cuba não deve satisfações aos EUA pelo espraiamento de bombardeiros russos

Fidel Castro, o enfermo líder de Cuba, acha que sua nação não deve nem explicações nem pedidos de desculpas aos Estados Unidos por possível espraiamento de bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear.

"Raul Castro foi sábio em não comentar notícias a respeito de possível espraiamento de bombardeiros russos em bases aéreas cubanas," escreveu Castro num artigo publicado em www.cubadebate.cu .

A URSS costumava ter amplo acesso à infraestrutura de defesa cubana. Muitas bases cubanas ainda são adequadas para o acantoamento de tropas russas. A instalação de Lourdes costumava ser o principal símbolo da presença militar da URSS em Cuba. A base foi fechada em 2001, quando ficou decidido que ficava caro demais para a Rússia mantê-la adequadamente. A Rússia tinha que pagar cerca de $200 milhões de dólares por ano pelo uso da base.

Lourdes não era apenas uma instalação de defesa. Era um símbolo da unidade militar entre Rússia e Cuba. A base tinha o mesmo objetivo que os Estados Unidos estão atualmente perseguindo com seus planos de defesa contra mísseis na Europa Oriental: identificar imediatamente lançamentos de mísseis a partir do território inimigo. Outra função maior era a de inteligência eletrônica, que a instalação desempenhava: o poderoso equipamento capaz de interceptar telefones em todos os Estados Unidos.

Localizada a menos de 100 milhas de Key West, a instalação ocupa 28 milhas quadradas. A construção começou em julho de 1962, e o funcionamento da instalação continua até os dias de hoje.

No ápice da Guerra Fria, a instalação contava com mais de 1.500 membros de KGB, GRU, DGI cubano, e técnicos, engenheiros e agentes de inteligência do Bloco Oriental. Em 2000, foi noticiado que a China assinou um acordo com o governo de Cuba para compartilhar o uso da instalação por sua própria agência de inteligência.

Em Washington, o porta-voz adjunto em exercício do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Gonzalo R. Gallegos, disse que as autoridades estadunidenses não haviam recebido confirmação oficial do governo russo a respeito da notícia de jornal, e não era sabedor de quaisquer esforços dos Estados Unidos para entrar em contato diretamente com Moscou a respeito.

"Continuamos a trabalhar com os russos no tocante a essa questão," disse Gallegos na terça-feira, referindo-se a conversas voltadas para explicar o plano de defesa contra mísseis do governo dos Estados Unidos. "Temos tornado claro para eles, de maneira sistemática, que nossa proposta de espraiamento de um sistema limitado de defesa contra mísseis na Europa não representa ameaça para eles ou para a dissuasão nuclear deles."

A despeito da antiga aliança de Cuba com a ex-União Soviética, parece improvável que Raul Castro venha a permitir bombardeiros russos na ilha, arriscando-se a incorrer na ira do governo dos Estados Unidos. -Raul Castro tornou-se presidente apenas a partir de fevereiro, assegurando uma transição inconsútil em relação a seu irmão, que governou por quase meio século. Ele tem dito repetidamente que está disposto a discutir as diferenças entre os dois países em conversações mantidas em igualdade de condições com o próximo presidente dos Estados Unidos.

Os mísseis nucleares soviéticos que ficaram estacionados em Cuba durante o ápice da Guerra Fria levaram o mundo à beira de um conflito nuclear em 22 de outubro de 1962, depois que o Presidente John F. Kennedy anunciou ao mundo a presença deles. Depois de uma tensa semana de diplomacia, o líder soviético Nikita Krushchev removeu-os.

Tradução  da Pravda.ru. Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme
morpleme@gmail.com


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