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Estados Unidos armam a África

25.07.2008
 
Estados Unidos armam a África

Há dez anos, o Pentágono controlava apenas três por cento dos fundos assinalados como ajuda humanitária para a África. Hoje, o Pentágono é responsável por 22 por cento desses fundos, disse a Internacional de Refugiados - Refugees International (RI). Especialistas estão convencidos de que é absolutamente impossível obterem-se paz e estabilidade na África por meio da ajuda de armamentos e uniformes fabricados nos Estados Unidos.

A luta antiterrorista, que os Estados Unidos tentam levar a efeito no mundo inteiro, implica na contenção de qualquer tipo de ameaça que possa advir dos assim chamados estados em processo de enfraquecimento, o número dos quais é mais do que significativo naquele continente. Os especialistas da RI comprovaram, com base nos exemplos da Libéria e do Congo, que a administração dos Estados Unidos havia implementado políticas faltas de equilíbrio no continente. O financiamento de esforços diplomáticos e de vários programas havia sido reduzido, enquanto que a ajuda militar havia aumentado.

"A consideração substantiva é que, no presente, as políticas [dos Estados Unidos] não estão funcionando adequadamente," disse o Presidente da Internacional de Refugiados, Ken Bacon. "Isso está afetando nossa capacidade de atuar de maneira eficaz e coerente na África e de levar a efeito a guerra contra o terrorismo de maneira coerente, em longo prazo, e de modo eficaz."

A política conduzida pelos Estados Unidos em países explosivos como Libéria e Congo é a versão mais barata de ações militares conduzidas no Iraque e no Afeganistão. As missões humanitárias foram minimizadas em favor da presença de soldados dos Estados Unidos, que estabelecem suas próprias lei e ordem na África.

O Pentágono esvazia a iniciativa da USAID e de outras organizações civis. A quantidade de fundos controlados pela USAID na África decresceu de 65 para 40 no decurso de dez anos, disse a RI. A África continua a receber ajuda humanitária, embora na forma, apenas, de soldados da OTAN.

O conceito estadunidense de segurança na África estipula armar elementos locais. O Pentágono já despendeu cerca de $50 milhões de dólares com mercenários para que treinem 2.000 soldados na Libéria do pós-guerra, com sua população de quatro milhões de pessoas.

"A ajuda externa está cada vez mais sendo supervisada por instituições militares cujas políticas são orientadas pela Guerra Global Contra o Terror, não pela guerra contra a pobreza," declara o relatório da Internacional de Refugiados.

A ajuda dos Estados Unidos contribui para a militarização da região. Portanto, não se pode excluir a possibilidade de nunca vir a ser possível estabelecerem-se comunidades pacíficas nos estados africanos posteriormente a conflitos.

Os Estados Unidos em breve criarão uma nova organização, Comando África (Africom), que tentará estabelecer um equilíbrio entre os esforços financeiros dos Estados Unidos na África, os interesses do Departamento de Estado, a USAID e o Pentágono. Muito provavelmente, a Africom obedecerá exclusivamente às instruções do Pentágono.

Agências

Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

 morpleme@gmail


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