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O Brasil tem alma sem igual

25.05.2007
 
Pages: 123
O Brasil tem alma sem igual

O Brasil tem alma sem igual

Monografia de José Faria, estudante finalista de jornalismo, RJ – Brasil. Entrevista com Timothy Bancroft-Hinchey, Director e Chefe de Redacção da versão portuguesa da PRAVDA.Ru. Falámos acerca do projecto, da Esquerda Política e um pouco da pessoa atrás do ecrã.

José Faria: Como descreveria o actual jornal PRAVDA?

Timothy Bancroft-Hinchey (TBH): O jornal de Internet Pravda.Ru foi fundado em 1999, com uma única versão – a russa – e na altura, um projecto, que foi dignificar o bom nome deste jornal, que foi fundado por Lenin em 1912 mas simultaneamente re-fundá-lo, do ponto de vista de apresentar uma vertente que publicasse os assuntos de interesse à Federação Russa e não apenas o Partido Comunista, mais em linha com a deontologia do jornalismo actualmente.

Sendo assim, o jornal PRAVDA.Ru é um jornal que apresenta notícias e análise da Federação Russa e do Mundo, sendo um ponto de encontro entre o noticiário e o lazer. Sendo independentes, não temos nenhum bloco atrás de nós a filtrar o que escrevemos mas devo dizer que lembramos em cada momento que a palavra “Pravda” em russo significa “Verdade” e é isso que escrevemos. Isso quer dizer que não omitimos contar a verdade quando for inconveniente mas também não arranjamos desculpas na apresentação da mesma.

Por exemplo?

TBH: Por exemplo, a cobertura que temos feito sobre a questão da guerra no Iraque. Alguns meses antes desta guerra eclodir, quando as nossas fontes nos disseram que iria para a frente, nós já estávamos a criticar a iniciativa, a alertar as autoridades dos EUA sobre as consequências e tentar persuadir Londres, por exemplo, a não cometer o erro que iria cometer o Bush.

E falharam…

TBH: Bem, se falhar é ter razão…a questão é ser coerente e é isso que tentamos ser.

Então avisaram e não quiseram ouvir

TBH: Fizemos aquilo que nos competia. Nós sabemos qual é o nosso rumo e temos a consciência do que está certo, e por isso temos grande energia e alegria em segui-lo. E voltando à sua pergunta, a PRAVDA.Ru é hoje em dia, e 8 anos depois da sua fundação (versão russa em 1999, versão inglesa em 2000, versão portuguesa em Setembro de 2002 e versão italiana em 2006), um órgão de informação global e outra vez, dá jus ao seu nome e reputação histórica, pois temos vários milhões de leitores.

Na versão portuguesa, temos um tráfico que nos coloca a par com os principais jornais em circulação nestes oito países, e isso me agrada, mas é só o primeiro passo. Pravda.Ru é um ponto de encontro entre as culturas, juntando no mesmo site/jornal os oito países membros da CPLP mais a Federação Russa, mas também dando notícias sobre eventos internacionais. Aqui, o leitor tem acesso diariamente a aquilo que acontece em Guiné-Bissau, na Rússia, em Portugal, em São Tomé e Príncipe, no Brasil, enfim, o que acontece nos PALOPS, na CPLP está tudo aqui à mão, e somos o único site com notícias diárias sobre a Federação Russa em português.

Em conclusão, somos um jornal de notícias da Rússia, em quatro versões, uma das quais na língua portuguesa, somos independentes e o nosso objectivo é ser o maior jornal de informação, com qualidade, do mundo.

Ambicioso…

TBH: Sim, e não é pecado. Como disse, sabemos onde vamos, sabemos quem somos e muito importante, temos uma equipa dinâmica e muito unida.

Fala da sua equipa

A equipa não é minha, é da PRAVDA.Ru. A equipa começa pelo nosso Presidente, Vadim Gorshenin (versão russa) e a Vice-Presidente, Inna Novikova (versão inglesa). Passa depois por toda a equipa em Moscovo e nisso não falo só dos jornalistas, mas também das recepcionistas, secretárias, motoristas, escriturários e pessoal da limpeza. Somos uma equipa, somos um todo e todos nós temos a nossa função.

No meu caso, comecei como correspondente da PRAVDA.Ru em Lisboa, na altura da versão russa, e depois do lançamento da versão inglesa, comecei a escrever sobre eventos fora da Federação Russa. Dois anos depois, atribuíram-me a direcção da versão portuguesa mas devo dizer que não sou só eu, se não tivesse a minha equipa, a versão portuguesa não seria nada.

Temos duas pessoas muito especiais em Moscovo a contribuir, é a Lyuba (russa) e o Dério (cabo-verdeano), depois temos correspondentes nos cinco PALOPs, em Timor Leste, em Portugal e uma grande equipa no Brasil, composto por jornalistas e escritores que enviam materiais originais.

E como funciona? Quem insere os materiais?

TBH: Em Moscovo, a Lyuba controla as notícias oriundas da Federação Russa, seja política, desporto, cultura, seja o que for. Também insere notícias mundiais como vão aparecendo. De resto, os correspondentes, uns 55 deles, enviam as suas peças para mim, e eu coloco ao longo do dia, e da noite.

E também escreve?

TBH: Sim, escrevo vários artigos, principalmente de opinião, aquilo que se chama agora OP-ED (opinião-editorial) mas gosto também de escrever notícias.

Sobre quê?

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