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Economia Digital - Um Brilhante Futuro para a Humanidade ou Papo Furado?

25.01.2017
 
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Economia Digital - Um Brilhante Futuro  para a Humanidade ou Papo Furado?

A expressão "Economia Digital" cada vez mais aparece  no dicionário dos políticos, empresários e jornalistas usada como uma palavra chave. Num dos principais relatórios do Banco Mundial (BM) da série "Desenvolvimento Mundial" - para 2016, apresentavam-se já também cálculos sobre a economia digital no mundo.

Por Valentin Katasonov

Tradução Anna Malm

Esse relatório (Доклад) foi apresentado com o nome de "Dividendos Digitais". No prefácio do relatório, assinado por Jim Yong Кiмом, presidente do grupo Banco Mundial, dizia-se que: "Nós vivemos a maior revolução na área de informação e comunicação na história da humanidade.

Mais do que 40% da população do planeta tem acesso a internet e cada dia apresentam-se novos usuários na rede. Em 20% das familias mais pobres do globo tem-se celulares em cada 7 de 10 dessa população. O número de familias pobres com acesso a celulares é maior do que as com acesso a toalete ou água potável.

A linha condutória através de todo o relatório do Banco Mundial, mencionado, acima, segue três idéias centrais: 1) a expansão da internet, dos celulares  e da informação e informática (informática como tecnologia de computadores -TIC) compõem a base da Economia Digital. 2) A Economia Digital de muitos países do mundo encontra-se num estado de rápido desenvolvimento. 3) A Economia Digital levará a uma radical transformação do mundo num máximal e positivo sentido.

No período 2005-2015 a quantidade de usuários da internet cresceu mais do que o dobro: foi de 1 bilhão a 3,2 bilhões de usuários. Os autores do relatório do Banco Mundial qualificaram os dados publicados no mesmo como "Revolução Digital". Hoje em dia na rede unem-se firmas, cidadãos e governos muito mais fortemente do que nunca anteriormente.

A Revolução Digital trouxe benefícios imediatos para as pessoas particulares: ficou mais simples, fácil, e confortável o dar e receber informações assim como também surgiram produtos digitais gratuitos e  novas formas de lazer. Além disso, graças a ela, vive-se numa sensação de aprofundamento das relações sociais e percebe-se um sentido de comunidade mundial.

Os autores do relatório insistem que o uso da "Revolução Digital" ficará mais notável (os "dividendos digitais" ainda mais) no caso dos celulares, da informação, e da informática (TIC) serem expandidos, estimulados e dirigidos pelo estado. Nesse caso a cobertura poderia chegar a 100%! Nenhuma zona do planeta iria permanecer tenebrosa, nas sombras (!).

 "Dividendos Digitais" reais apresentariam-se caso a internet, os celulares, a informação, e a informática (TIC) fossem usados muito mais ainda, e não só no nível doméstico (comunicação entre pessoas particulares), mas também no nível da economia. Isso levaria a humanidade da economia tradicional à economia digital,dizia-se.

Apesar do conceito "Economia Digital" ter surgido a mais de 20 anos atrás (ele foi introduzido por Nicolas Negroponte da Universidade/ Instituto Tecnológico  de Massachutets), o sentido ou o contéudo desse conceito até  hoje continua indeterminado e sendo usado de maneiras diversas.

O relatório do Banco Mundial também não dá  nenhuma definição precisa ao termo. De uma maneira geral o conceito economia digital poderia ser entendido como uma parte das relações econômicas, parte essa que seria mediada pela internet, celulares e o acima já mencionado "TIC" (ИКТ na sigla do original russo).

O conjunto contemporâneo informação-informática  estreita a relação entre as empresas, os bancos, os governos e as populações, terminando dessa maneira a distância e a cadeia de intermediários conquanto acelerando a realização de uma variedade de negócios e operações (venda e compra, créditos, arrendamentos, pagamentos de impostos, sanções e ou multas, assim como contribuições, outros pagamentos e cálulos).

Continuando de tal representação a respeito da economia digital, autores de muitas investigações (entre esses o relatório do Banco Mundial) tiraram a conclusão de que os dados do modelo econômico digital visam que esse modelo poderá garantir "dividendos digitais" para a sociedade. Isso por ex. em relação a uma maior produção, ao aumento da capacidade de concurrência das empresas, a uma redução dos custos de produção, ao enfraquecimento das crises (devido a uma aceleração da produção de produtos e serviços), ao aumento do emprego (diminuição do desemprego), ao atendimento das necessidades humanas, da diminuição da miséria, e mesmo do enfraquecimento (ou completa superação) da polarização na sociedade.

Os elementos principais da economia digital apresentam-se como: comércio digital; banco eletrônico; pagamentos digitais; reclame na internete; jogos na internete. Na maioria dos países hoje em dia o mais desenvolvido  tipo de economia digital é a do comércio, caso isso seja julgado em termos de valor do volume de negócios.

Fala-se que a distância para a compra e venda de produtos e serviços é a mesma que a distância até a próxima estacionária ou mobila internet, senão particulares, então por ex. de quando da encomenda de produtos ou serviços através de serviços de internet-lojas e serviços de internet-escritórios.

Um dos respeitáveis especialistas na área de economia digital é a empresa The Boston Consulting Group (BCG). Na tabela. A  figura 1[*] mostram-se os dados comparativos sobre o nível de desenvolvimento do comércio electrónico em alguns países.

Табл. 1. [*]

Уровень развития электронной коммерции (ЭК) в некоторых странах (2014 год)

O nível de desenvolvimento de e-commercio (Comércio eletrônico - EC) em alguns países (ano 2014)

 

Доля ЭК в обороте розничной торговли, %

A proporção CE em volume de negócios de varejo do comércio, %

Доля ЭК в розничной торговле продуктами питания, %

A proporção CE no varejo de alimentos, %

Великобритания

Inglaterra

11,4

4,4

Германия

Alemanha

10,2

0,8

КНР

China

8,4

-

США

EUA

6,8

3,0

Япония

Japão

6,2

-

Нидерланды

Holanda

-

3,6

Франция

França

-

1,5

Россия

Rússia

3,3

0,2

Источник: «Россия онлайн. Догнать нельзя отстать». The Boston Consulting Group (2016).

Fonte: «Россия онлайн. Догнать нельзя отстать». The Boston Consulting Group (2016).

Como se vê, o mais desenvolvido comércio eletrônico de varejo é o da Inglaterra. Um pouco depois dela vem o da Alemanha. Observe o alto nível de desenvolvimento do comércio da China. Por dados da companhia  The Boston Consulting Group (2016), BCG, em 2011 o movimento do comércio eletrônico na China estava a 18 bilhões de dólares, o que em 2014 atingia 77 bilhões de dólares. Isso é um aumento de 4,3 vêzes. Para comparação tem-se a avaliação do comércio eletrônico da Rússia - 3,3% de todo o comércio a varejo. Quanto aos dados que avaliam o desenvolvimento eletrônico no comércio dos produtos alimentares a liderança é da Inglaterra, Hollanda e os EUA. Quanto a Rússia -  tem-se uma taxa microscópica  - 0,2 todo o comércio retalhista (varejo) de mercearias.

O comércio eletrônico é importante, vital, grande, relevante, valioso, considerável e substancial. Entretanto, ele não é uma parte  integrada e hegemônica da economia digital. Tem-se que em alguns países por ex. a parte de maior desenvolvimeno foi alcançada pelo sector do banco eletrônico. Peritos do BCG tentaram então avaliar o nível do desenvolvimento da economia digital estudando-a em todos os seus sectores.

Esses resultados foram expressos em índices, estudados através de muitos parâmetros ("índices BCG"). 85 dos países foram classificados em ordem decrescente de valores de índices de BCG. Veja como se mostrou o grupo liderando: 1) Dinamarca, 2) Luxemburgo, 3) Suécia, 4) Coréia do Sul, 5)Holanda, 6) Noruega, 7) Inglaterra.

Vamos agora nomear alguns países situados substancialmente mais baixo nos  postos de classificação. China (35 lugar), Federação Russa (39), Itália (40), Grécia (42), Índia (80). No último lugar, ocupando então o 85o lugar nessa classificação entrou o país africano Camarões.

Os especialistas da BCG apresentaram seus resultados fazendo uma divisão em 5 grupos. No critério utilisado pelo grupo entrava uma correlação entre o nível de desenvolvimento da economia digital com o PIB per capita.

No grupo dos líderes dos países incluidos no estudo tendo a maior porcentagem de operações econômicas "digitalizadas" assim como maior nível tecnológico sendo usados para tal "digitalização", encontravam-se seis países: Coreia do Sul, Dinamarca, Inglaterra, Suécia, Noruega e Hollanda.

No segundo lugar entrava o grupo da maioria das economias desenvolvidas do mundo como por ex. a Alemanha, os EUA, e o Japão, assim como de países da União Europeia, EU.

No terceiro grupo encontravam-se países com alto nível de bem-estar e prosperidade (PIB per capita), mas isso correlacionado em relação a um menor uso de operações digitalizadas. Aqui tem-se países do Oriente Médio, e em primeira linha então os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. Os especialistas da BCG ressaltam entretanto que entre os países desse terceiro grupo encontra-se alto tempo de desenvolvimento em relação a operações digitalizadas e que isso poderia levar a uma subida dos mesmos ao segundo e até mesmo ao primeiro grupo.

Quarto grupo - "Líderes Iniciantes". Nesse grupo o nível de desenvolvimento das operações digitais é mais alto do que o desenvolvimento da economia. O mais claro membro desse grupo é a China.

Todos os especialistas da BCG referem-se a um grupo de "atrazados" no desenvolvimento da economia digital.

É notável que a BCG avalia só o nível de desenvolvimento e uso da tecnologia digital e a economia mas não avalia até que ponto essa tecnologia garantiria o desenvolvimento econômico. Seriam os custos da construção e introdução da tecnologia digital espelhados numa dedução do PIB?

Voltemos agora nossa atenção ao relatório do Banco Mundial "Dividendos Digitais". A partir de 2011, na média, o peso específico da economia digital no produto interno bruto (PIB) foi de 6% nos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - uma organização internacional de 34 países - Wikipédia].

O recorde aqui foi da Irlanda com 12%. Depois dela veio (medido em %) a  Coreia do Sul-9,5; o Japão-8,0; a Suiça-7,5; a Inglaterra-7,5; os EUA-7,2. Os menores indicadores dos países da OECD foram os de Portugal, da Noruega e o da Áustria.

O primeiro lugar da Irlanda na lista fornecida pelos autores é explicado pelo fato de que este é um país que fornece empresas com um alto uso da Economia Digital, além de ter um regime fiscal mais favorável.

Entretanto, uma avaliação metódica e ou metodológica dos efeitos macroeconômicos da Economia Digital levanta muitas dúvidas.

De fato, na base dos cálculos estão os indicadores das empresas que estão preocupadas com o desenvolvimento, a produção, e comércio de TIC, ou seja, essas empresas estão na prática calculando também o peso específico a ser dado nas análises computarizadas quanto ao sector de TIC (desenvolvimento e produção de software e de hardware para computadores, serviços de telefonia, Internet etc.) [Em outras palavras, através de usar os pesos que serão usados nas computações das análises estatísticas, medianas e outras mais avançadas, os analistas poderão estar a colocar-se nas mãos de interessados no assunto].

Tem-se depois que esse sector só desenvolve meios técnicos usados por outras indústrias e empresas para operações no ramo do comércio eletrônico, do banco digital/eletrônico etc.

Universais, versáteis, confiáveis e desejados métodos de cálculos para os valores dados pelos membros das atividades da Economia Digital até agora não existem, ou não se apresentaram.

Os autores do relatório do Banco Mundial só de passagem observaram que o desennvolvimento econômico dos países analisados no relatório TIC, quanto ao tempo de aumento do seu próprio desenvolvimento econômico, tinha até agora sido extremamente modesto.

Pelos dados do Banco Mundial, a contribuição de toda a economia digitalizada na economia dos países desenvolvidos foi  equivalente a 3% do PIB no período 1995-99;  1,0% no período 2005-2009 ;  e - 1,8% no período 2010-2014 .

Entretanto todos já entendiam que a principal parte dessa contribuição ia para o crescimento da capitalização das empresas do sector TIC.

Tem-se depois que o principal dividendo da economia digital serve não a comunidade mas as empresas  da IT e aqui então principalmente as empresas americanas do sector IT. Por dados do Banco Mundial, 8 das 14 maiores empresas tecnológicas do mundo encontram-se nos Estados Unidos.

A contribuição da economia digital no PIB dos EUA é avaliada em 7% - isso sendo o total de capitalização dos gigantes do sector da TIC. Diga-se aqui de passagem que ainda nos lembramos de que foi nesse sector que a bolha foi inflada em 1999-2000 na bolsa de valores NASDAQ, bolsa essa onde se cambiavam os títulos das empresas de alta tecnologia.

De quando tudo isso acontecia muitos falavam de uma nova era, a qual denominavam  "a era da alta tecnologia e comunicação". Justamente então o termo "Economia Digital" saia das salas da Universidade de Harvard  e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, para entrar no cotidiano dos especuladores americanos e dos jornalistas com eles ligados.

Nós nos lembramos também que nos anos sessenta-setenta os sociólogos americanos L. Toro, E. Toffler and D. Bell começaram a introduzir em circulação o termo "sociedade pós-industrial"  e relataram esse termo as suas teorias.

Assim então: na junção do tempo a hipotética e abstrata ídeia "sociedade pós-industrial" ganhou uma quase que "concreta encarnação no conceito "Economia Digital".

A cotação na bolsa das ações de muitas empresas IT em 2000 cairam num nível mais baixo que nunca, além de ficar também abaixo do limite. Muitos ficaram então "fartos" dessa alta-tecnologia. No decorrer de alguns anos os especulantes começaram de novo a soprar as suas bolhas, mas dessa vez no mercado de créditos assim como de títulos de hipotécas.

Tudo terminou na grave crise financeira de 2007-2009. Parece-me que hoje em dia estamos presenciando uma nova runda de jogos especulativos na bolsa nos quais os membros desse jogo de azar já começaram a usar as suas cartas da "Economia Digitalizada".

Referências e Notas:

 

Valentin Katasonov, "Economia Digital - Um Brilhante Futuro  para a Humanidade ou Papo Furado?" Цифровая экономика - светлое будущее человечества или биржевой пузырь ? Валентин КАТАСОНОВ | 08.01.2017 | ПОЛИТИКА  | ЭКОНОМИКА

*NOTA [Tabel 1]: Fonte: The Boston Consulting Group (2016). - TABEL 1: Os elementos em português na tabela foram acrescentados pela tradução.

Fonte Fondsk.ru - http://www.fondsk.ru

Anna Malm - https://artigospoliticos.wordpress.com

 


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