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FARC: Saudação ao Foro de São Paulo

25.01.2007
 
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Nas FARC cremos que não são corretas as duas apreciações anteriores e, pelo contrário, pensamos que os partidos que se encontram no Foro e que fazem parte dos governos têm o espaço, o justo direito e a necessidade de pleitear em seus países o fortalecimento do movimento tal como foi criado: sem exclusões, sem imposições e sem dogmatismo. Cremos, além disso, que se deve buscar que esta organização seja mais funcional, seja um ente catalisador das opiniões dos povos que sempre estão adiante de seus governantes, porque são os que sentem como se está exercendo o governo, se é justo, se é pulcro, se é humano, se tem cumprido com o que prometeu. Ter medo à crítica que possa fazer uma organização como o Foro de São Paulo é negar sua mesma essência como governo democrático, amplo e pluralista.

Pensar em criar outra organização atirando pela borda 16 anos de experiências, de credibilidade, é desperdiçar a oportunidade de converter o Foro num ente coordenador de diferentes partidos, movimentos e organizações políticas que, respeitando as diferenças, nos ratificamos na luta contra o imperialismo, o neoliberalismo, a solidariedade e a integração da América Latina.

Fazemos um reconhecimento aos companheiros do Grupo de Trabalho pela iniciativa de ajudar na solução ao conflito social, político e armado que vive a Colômbia desde há 60 anos, a declaração de Bogotá é, sem dúvida, um documento muito importante que, com o direito que nos assiste, pedimos seja difundido entre os assistentes ao Foro.

Na Colômbia há uma intervenção direta do Imperialismo Ianque, na atualidade há 1.400 oficiais do exército estadunidense dirigindo as operações do Plano Colômbia, do Plano Patriota e do Plano Victoria. Os Estados Unidos estão instigando e financiando a guerra com o pretexto do narcotráfico e, para isso, diariamente se estão gastando 17.5 milhões de dólares para perseguir e liquidar aos lutadores sociais, revolucionários e bolivarianos.

As fumigações estão acabando com a flora e a fauna da Amazônia, são milhares de toneladas de Glifosato e Paraqua, igual que os experimentos com o Fusarium Oxiporun. Que destrói a mata de coca, porém igualmente acaba toda a flora que tenha no lugar, contamina as bacias hidrográficas, pois os troncos dos vegetais, ao serem levados pelas águas, causam imensa perda ao sistema ecológico.

Cremos ser oportuno manifestar nossa inquietação e desagrado pela posição de alguns companheiros que, em forma e sob responsabilidade pessoal, publicamente dizem que as FARC não podem participar no Foro, por ser uma organização alçada em armas. A luta armada não se criou por decreto e tampouco se acaba por decisão similar, é a expressão de um povo que sofreu a devastação de sua população em mais de um milhão de pessoas que, nestes 60 anos, foram assassinadas, é a expressão dos milhares de militantes que foram assassinados do Partido Comunista e da União Patriótica, é a expressão de milhares de sindicalistas que foram assassinados nestes últimos anos.

Aos companheiros que pensam que não podemos participar, fraternalmente os convidamos a que nos acompanhem, não no acionar militar ao que as circunstâncias nos obrigaram, pois sabemos que não a compartem e respeitamos seus pontos de vista, os convidamos a participar da busca da solução política e, para isso, os fazemos partícipes da Plataforma para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional, aprovada por nossa 8ª Conferência realizada em 1993.

Com esta Plataforma de 12 Pontos convidamos reiteradamente a todos os setores sociais, econômicos e políticos de nosso país para que nos sentemos e, entre todos, construamos a Nova Colômbia.

Ao Foro, em seu conjunto, o convidamos a que prossiga em seus pronunciamentos e acionar pela solução política ao conflito social e armado na Colômbia, passo importante para alcançar a paz com justiça social pela qual tem lutado e seguirá lutando nosso povo, ao mesmo tempo que é passo necessário para impedir que este conflito possa ser utilizado para que o imperialismo tente ações desestabilizadoras na região.

Seguimos convidando a todos os partidos políticos, organizações sociais, de estudantes, operários, intelectuais, campesinos, indígenas e a todos os que estejam contra a injustiça, a buscar uma solução política. Convidamos a que nos acompanhem na luta pelo Intercâmbio Humanitário, com o que estaremos abrindo as portas para que centenas de colombianos e colombianas regressem a seus lares para compartir com seus seres queridos.

COMISSÃO INTERNACIONAL

FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS DA COLÔMBIA

EXÉRCITO DO POVO, FARC-EP

MONTANHAS DE COLÔMBIA, 7 DE JANEIRO DE 2007”.

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