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Vade retro Bush, o empresário corrupto

24.11.2008
 
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Vade retro Bush, o empresário corrupto

Até o mais debilóide cidadão estadunidense – e há muitos, segundo o cineasta Michel Moore no corrosivo livro “Uma nação de idiotas” – sabe que por detrás da retórica antiterrorista do presidente George Bush se escondem poderosos interesses econômicos – em especial das indústrias de petróleo e de armas e dos conglomerados financeiros. Não fossem os altos lucros auferidos por estes setores com a ocupação do Iraque, bastaria um rápido histórico sobre a trajetória da dinastia Bush para se ter certeza da falsidade do discurso do atual presidente. A família sempre esteve envolvida em negócios bilionários e ilícitos!


Antes de virar o 43º presidente dos EUA, em janeiro de 2001, George W. Bush foi acionista e participou da direção de várias companhias do ramo do petróleo – Arbusto, Spectrum e Harken. Já seu pai, George H.W. Bush, que presidiu o país entre 1989 e 1992, foi fundador e executivo da Zapata Oil e da Pennzoil, uma das maiores empresas petrolíferas do planeta. Seu avo, Prescott Sheldon Bush (1885-1953), foi dirigente da United Banking Corporation, banco acusado de transações ilegais com os nazistas. E seu bisavô, Samuel Prescott Bush (1863-1948), fez fortuna com a Buckeye Steel durante a I Guerra Mundial.


Família de mercadores de armas
Os negócios lucrativos e as relações promíscuas com o poder datam do período da I Guerra Mundial. No governo de Woodrow Wilson, o bisavô do atual presidente, Samuel Prescott Bush, dono da indústria de peças Buckeye Steel, tornou-se diretor do Escritório das Indústrias de Guerra e conselheiro do governo. Em curto espaço de tempo, ele dobrou a fortuna da empresa, que passou a fabricar munição, canos de canhões e outras armas. O estranho enriquecimento acabou sendo alvo de investigação de uma comissão parlamentar, presidida pelo senador Gerald Nye, sobre os “mercadores de armas”. Mas, curiosamente, os registros de suas falcatruas foram destruídos nos anos 90 para “economizar espaço” no Arquivo Nacional.


Já seu outro bisavô, George Herbert Walker, esteve envolvido com estranhos “contratos de guerra”, sendo presenteado pelo governo com milionários projetos de produção de manganês e de renovação dos campos petrolíferos na Alemanha devastada pela guerra. Os negócios melhoraram com a união dos Bush com os Walker, graças ao “casamento” da filha de George com o filho de Samuel. A rica união permitiu que a dinastia estreitasse as relações com os bancos e as casas de investimento de Wall Street e projetou o filho de Samuel, Prescott Sheldon, pai do primeiro presidente Bush e avô do segundo, no mundo da política.


As negociatas com os nazistas
Prescott foi eleito duas vezes ao senado em Connecticut e consolidou os vínculos dos negócios com o Estado. Sua trajetória, porém, foi marcada por vários escândalos. O maior deles se deu durante a II Guerra Mundial. Como diretor do United Banking Corporation (UBC), ele foi acusado de intermediar transações comerciais, como a venda de armas, para a Alemanha. Ele inclusive comprou do industrial nazista Fritz Thyssen, chamado de “anjo de Hitler”, a indústria Silesian Steel, que explorava os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz. Ao ser revelado o caso, o presidente Franklin Roosevelt enquadrou a UBC na Lei de Transações com o Inimigo e decretou intervenção branca na instituição bancária.

 
Em decorrência do escândalo, Prescott Bush foi obrigado a se afastar da direção do UBC e aderiu, numa hábil manobra para limpar a sua imagem, à campanha nacional de arrecadação de dinheiro para o Fundo Nacional de Guerra (NWF). Concluída a guerra, cumpriu um mandato apagado no Senado e se aposentou. Mas a família já havia tomado gosto pela junção entre os negócios, em especial no ramo de petróleo, e a política. O filho de Prescott, George Herbert Walker Bush, pai do atual presidente, logo ocupou o lugar de pai nesta empreitada, mudando-se de Connecticut para o Texas, a terra do petróleo.


Presidente da indústria de petróleo
Em 1950, com a ajuda do pai senador e de suas conexões com os investidores de Wall Street, ele fundou a primeira empresa de petróleo da família, a Bush-Overbey Oil. Quatro anos depois, criou a Zapata Oil, que se beneficiou de um projeto do pai que permitia a perfuração e extração de petróleo em mar, mesmo sem a sua empresa ter qualquer experiência nesta área. Em 1963, fruto da fusão com a Penn Oil, nasceu a Pennzoil, um das maiores empresas de petróleo do mundo. Consolidada a fortuna, George H.W. Bush partiu para a política, elegendo-se duas vezes deputado, mas fracassando no seu projeto para o Senado.


Vinculado aos interesses dos poderosos grupos petrolíferos, tornou-se presidente do Partido Republicano, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), quando realizou negociações secretas de armas com o Irã e o Iraque, e vice-presidente na chapa de Ronald Reagan. Às vésperas de sua posse como presidente da Republica, em 1989, ele próprio admitiu que chegara ao mais elevado posto do país graças ao poderio das empresas petrolíferas. “Vou colocar desta forma: eles conseguiram eleger um presidente dos EUA que veio da indústria do petróleo e gás”. Desgastado com as inúmeras denúncias de tráfico de influência e da ligação com setores ultradireitistas e racistas, George H. W. Bush não conseguiu sereeleger em 1992.

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