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Iraque: 90 mil vidas a menos e lucros empresariais garantidos

24.09.2008
 
Pages: 123
Iraque: 90 mil vidas a menos e lucros empresariais garantidos
Estudo publicado na última sexta (19) confirma que bairros sunitas de Bagdá apresentam sinais de "limpeza étnica". Já os lucros, obtidos a partir de contratos sem concorrência pública, vão muito bem, obrigado...

Cerca de cinco anos e meio após a invasão estadunidense no Iraque, este país se encontra hoje destruído, dividido e, em parte, devastado em termos populacionais. Um estudo publicado na última sexta (19) confirma que bairros sunitas de Bagdá apresentam sinais de "limpeza étnica", o que teria reduzido a violência sectária na região. As imagens de satélites dos bairros esvaziados foram captadas antes da chegada dos reforços de 30 mil militares dos EUA, em 2007. Os lucros, no entanto, vão muito bem, obrigado.


Por Gustavo Barreto, da redação


Sem nenhum planejamento prévio, os EUA demoraram mais de 4 anos para enviar reforços para os bairros sunitas, cuja população estava sendo alvo prioritário de atentados. "[Quando os reforços chegaram] muitos dos alvos do conflito já haviam sido mortos ou fugido do país, e desligaram as luzes quando partiram", disse em nota o professor de Geografia John Agnew, da Universidade da Califórnia, que dirigiu o estudo


Quase 100 mil mortos
Em números oficiais (e, portanto, conservadores), de 87 mil a 95 mil civis foram assassinados no Iraque, em decorrência dos conflitos neste país. Os dados são da organização Iraq Body Count (1), cujo nome tem como base uma frase do general americano Tommy Franks durante uma das crises no país: "Nós não contamos corpos" (2). Em julho, foram 360 civis mortos.


Um dos mortos é o carioca Sérgio Vieira de Mello, diplomata da ONU e líder político experiente que buscou, juntamente com uma equipe treinada para atuar na região, ouvir os principais líderes locais. Segundo fontes da Casa Branca que trabalham na missão norte-americana em 2003 e 2004, o governo Bush ignorou praticamente todas as medidas administrativas aconselhadas por especialistas, como a não dissolução do Exército iraquiano, a não demissão de funcionários públicos e uma transição moderada do regime político de Saddam.


Pouco antes de morrer, em 19 de agosto de 2003, Sérgio Vieira de Mello – que era o chefe da missão da ONU no Iraque – estava sendo ignorado, segundo fontes do Pentágono, pelo diplomata e administrador da Autoridade Provisória da Coalizão, Paul Bremer, um dos principais responsáveis pela derrocada da invasão.


Os refugiados iraquianos totalizam 4 milhões, sendo 2 milhões internos e outros 2 milhões na Síria e na Jordânia, países vizinhos. "Nossas descobertas sugerem que essa onda [ações dos EUA] não teve um efeito observável, exceto no sentido de que ajudou a criar um selo de aprovação para um processo de homogeneização etno-sectária dos bairros que agora está largamente concluído", escreveu o grupo de Agnew no relatório (3).


Segundo o estudo, em geral a iluminação noturna de Bagdá desde a invasão dos EUA parece ter melhorado entre 2003 e 2006, e então declinado dramaticamente entre 20 de março de 2006 e 16 de dezembro de 2007. Nesse período, as luzes da favela xiita de Sadr City continuaram constantes, assim como na Zona Verde (área central com órgãos públicos e embaixadas). Houve aumento também no bairro xiita de Nova Bagdá, na zona leste.


Imagens de satélites já foram usadas como documentação de deslocamentos forçados em Myanmar e limpeza étnica em Uganda.


Atualmente, segundo dados oficiais do Pentágono, quase 100 mil milicianos – de fato, membros e ex-membros da insurgência – foram contratados por 300 dólares por mês para "mudar de lado". São funcionários do Pentágono e vigiam bairros que suas respectivas milícias dominam.


Invasão genocida
A Casa Branca iniciou um movimento oficial de invasão do Iraque em janeiro de 2003, convocando diversos oficiais da reserva que nem sequer tinham experiência em intervenções militares ou reconstrução de um país destruído. Passou por cima até mesmo do conservador Conselho de Segurança das Nações Unidas e, evidentemente, da Assembléia Geral da ONU, que reprovou formalmente a invasão. Inspetores da ONU concluíram que o Iraque não era, de forma alguma, uma ameaça à segurança de qualquer país vizinho e que não possuía armas de destruição em massa.


Até conservadora "inteligência" dos EUA – CIA, FBI e conselheiros da Casa Branca à frente – afirmaram que, caso fosse feita uma ação desta envergadura, era preciso planejamento. Em um movimento inédito, milhões de pessoas foram às ruas em todas as grandes cidades do mundo e pediram mais do que provas: exigiam um motivo. A Casa Branca falsificou um relatório com dados sobre a ligação da Al Qaeda de Osama Bin Laden e Saddam Hussein, bem como informações de satélite sobre supostas armas de destruição em massa que o Iraque possuiria.


Pouco antes do começo da invasão, no dia 19 de março de 2003, o ministro do Exterior do Iraque, Naji Sabri, deu um depoimento, já ciente do iminente ataque a seu país por parte do governo genocida de George W. Bush e Donald Rumsfeld, líderes da ação. Sabri, entre outras coisas, disse que "é o senhor Bush que deveria ir para o exílio".

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