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Movimento lança manifesto contra monopólios de mídia

24.09.2007
 
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Movimento lança manifesto contra monopólios de mídia

Sem-Mídia defendem ‘direito fundamental do Homem à informação’ - Documento denuncia ditadura da mídia: falsa indignação de alguns barões é apresentada como sendo a opinião da maioria

Com uma manifestação em frente à Folha de S.Paulo, foi fundado no dia 15 em São Paulo o Movimento dos Sem-Mídia. Durante a mobilização foi lido o manifesto, que publicamos abaixo na íntegra, pelo blogueiro Eduardo Guimarães, organizador do ato. “Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural”, disse.

Durante o protesto contra a grande mídia brasileira foram colhidas assinaturas em apoio ao manifesto. “Que a mídia fale, mas não nos cale!”, eram os dizeres de uma faixa.

A certa altura, Guimarães interrompeu a leitura para comentar o silêncio da mídia sobre o acidente na estação Pinheiros da Linha 4 do metrô paulista, onde morreram vários operários, no ano passado: “Não disseram mais nada”, afirmou Guimarães. “Tem a CPI da TVA e ninguém fala nada”, gritou um manifestante, o que levou o conjunto dos presentes a exigir: “CPI, CPI, CPI!”.

Analisando a reduzida cobertura da manifestação pela própria Folha em seu blog, Guimarães escreveu: “Eles passaram dos limites. A reportagem da Folha sobre o Ato que fizemos ontem diante do jornal constitui uma bofetada nos rostos de todos os que lá estiveram ou que apoiaram, de longe, nosso Movimento por um jornalismo limpo, plural, fidedigno, apartidário e desideologizado”.

Manifesto dos Sem-Mídia

Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje.

No transcurso do século 20, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa.

Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades.

Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria. Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos.

Interesses

O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.

A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos.

Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as.

É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos.

Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta ‘’indignação nacional’’ com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é ‘’da opinião pública’’, apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia.

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