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EUA pediram desculpas pela detenção do chanceler venezuelano

24.09.2006
 
EUA pediram desculpas pela detenção do chanceler venezuelano

O chanceler  da Venezuela, Nicolás Maduro, foi detido ontem em um aeroporto de Nova York, e teve seus documentos e a passagem aérea confiscados. Foi o próprio ministro venezuelano quem informou sobre a detenção em uma ligação telefônica à emissora estatal "Venezuelana de Televisão", por volta das 18h (horário local).

"Nesse momento me encontro preso, detido pela Polícia de Nova York", disse Maduro no telefonema que, após sua exibição pela emissora estatal, foi retransmitido por outros canais de televisão venezuelanos. O chanceler voltava à Venezuela  de Nova York, onde  no princípio da semana  tinha  participado na Assembléia Geral da ONU "Estiveram a ponto de me despir e me machucar. Reagimos com força, com dignidade. Não vamos abaixar nossa cabeça perante esta gente, sob nenhuma circunstância", ressaltou Maduro, que é ministro de Exteriores da Venezuela desde o dia 8 de agosto.

"Violaram aberta, vulgar e expressamente as convenções internacionais que protegem os diplomatas internacionais", acrescentou.
Pouco depois, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entrevistado pela emissora "Venezuelana de Televisão", informou que havia acabado de ser informado sobre a "retenção" do ministro no aeroporto de Nova York.

Chávez considerou que se tratava de uma "provocação do Mister Diabo", denominação que utilizou durante seu discurso na Assembléia Geral da ONU em alusão ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

O presidente venezuelano disse que, segundo as informações que possuía, Maduro estava sendo "acusado" de ter participado "de atos terroristas, em 4 de fevereiro" de 1992.

"É mentira. Nem sequer participou da rebelião patriótica de 4 de fevereiro", manifestou, em referência ao golpe de 1992 liderado pelo próprio Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Perez.

O presidente venezuelano explicou que Maduro continuou em Nova York após sua participação na Assembléia Geral da ONU, porque ele lhe pediu que ficasse para participar de reuniões relativas à candidatura venezuelana a um posto de membro não-permanente do Conselho de Segurança.

Depois de liberado, o próprio Nicolás Maduro confirmou à "CNN" em espanhol que estava em liberdade após o incidente que definiu como "mais um exemplo do abuso de poder dos EUA".

Segundo o chanceler, o incidente aconteceu quando a segurança do aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, disse que ele não poderia pegar um objeto que havia passado pelas máquinas de detecção de metal.

Maduro disse então que se identificou como membro do Governo venezuelano, mas isso não impediu que ele fosse conduzido a uma sala onde foi submetido a novos controles de segurança e esteve detido durante 90 minutos.


O porta-voz da embaixada americana na Venezuela, Bryan Penn, indicou à AFP que o governo americano "pediu desculpas ao chanceler Maduro e ao governo venezuelano". "Posso confirmar que houve um incidente no aeroporto, e que, da parte da embaixada dos Estados Unidos e do Departamento de Estado, lamentamos o ocorrido", disse Penn.


"O governo dos Estados Unidos entrou em contato com o chanceler Maduro e lhe pediu desculpas, assim como ao governo da Venezuela", afirmou o porta-voz.
 

De acordo com a "CNN", fontes da Casa Branca afirmaram que os seguranças do aeroporto não sabiam quem era Maduro e que a única atitude que tomaram foi pedir a ele que se submetesse a um segundo controle de segurança.

Quando o ministro se negou, surgiram as desavenças, segundo as mesmas fontes. Uma vez resolvido o problema, Maduro recebeu a autorização necessária para embarcar, mas o ministro optou por ficar em Nova York.

EFE, AFP


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