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O “sonho americano” cada vez mais longe dos negros

24.08.2009
 
O “sonho americano” cada vez mais longe dos negros

 POR ALFRED POTTER — especial para o Granma Internacional

UM estudo iniciado em 1968 por uma instituição não-governamental norte-americana com sede em Washington confirmou a involução de milhões de cidadãos negros nos Estados Unidos, condenados ao servilismo econômico e a carências sociais que ratificam sua desigualade, ao compará-los com as pessoas de pele branca.

A instituição Pew Charitable Trust acaba de publicar a pesquisa “Famílias brancas e negras”, que aponta que cada vez mais famílias negras nos Estados Unidos sofrem uma crescente desigualdade financeira em relação às brancas.

Estas últimas, em regra, têm progressos econômicos de uma geração para outra. No caso dos afro-americanos, diz o substancioso relatório da Pew, o processo é para muitos tragicamente ao invés.

A pesquisa demonstrou que 45% das crianças negras de famílias de classe média em 1968 — com uma média de renda de quase US$56 mil anuais —, passavam, ao crescer, a fazer parte de famílias com uma renda média anual de pouco mais de US$23 mil, isto é, menos da metade.

Este empobrecimento, que atinge quase metade dos negros norte-americanos, contrasta com um processo similar nos brancos que apenas abrange 16% das famílias, quase menos de dois terços.

No plano social, a pesquisa da Pew permitiu comprovar um estado de opinião muito pessimista entre os negros norte-americanos a respeito das possibilidades de ter verdadeiros progressos. As políticas domésticas e do exterior do atual governo desse país alimentam este pessimismo, que se acrescenta às dificuldades econômicas reais que enfrenta a população negra.

Enormes recursos, consideram muitos dos questionados, segundo estimativas de apenas deste ano (US$800 bilhões), são devorados pela ocupação no Iraque. Esse financiamento bélico permitiria dar uma guinada à situação econômica e social de milhões de negros e brancos pobres nos Estados Unidos.

Apenas a umas semanas, o presidente dos Estados Unidos vetou uma lei que dava cobertura médica a milhões de crianças pobres norte-americanas que hoje carecem dela. O financiamento proviria do aumento do imposto sobre os cigarros, mas o presidente optou por não incomodar tão poderoso lobby.

O conflito conduziu a uma situação econômica mundial muito instável, caracterizada pelo aumento dramático do preço dos combustíveis e por outras dificuldades que, no caso dos Estados Unidos, se expressam também nas falências pessoais e na perda de seus lares pela falta de pagamento de hipotecas que atinge centenas de milhares de famílias norte-americanas de baixas rendas, sendo os negros as vítimas principais em face de suas fracas finanças pessoais e familiares. Não são poucos os suicídios devido a tão trágica situação.

Estas iniqüidades aprofundam os fossos que abalam a própria textura mesma da sociedade norte-americana atual, pressupondo tempos mais difíceis ainda para toda a população negra e para a nação.

Embaixada da Cuba

Brasil


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