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Vaticano tenta deliberadamente distanciar as Igrejas Católica e Ortodoxa

24.06.2008
 
Vaticano tenta deliberadamente distanciar as Igrejas Católica e Ortodoxa

As relações entre as igrejas Católica e Ortodoxa dificilmente podem ser ditas amigáveis. A Ucrânia é o maior empecilho quanto a isso, visto que os católicos gregos apoderam-se de templos ortodoxos de lá. A situação nos Bálcãs também está longe de ser perfeita, pois belicosos católicos esforçam-se para converter os sérvios ortodoxos ao catolicismo e enfraquecer a Sérvia o quanto possível.

Pravda.ru entrevistou Nemani Klaic, historiador sérvio, destacado membro da comunidade ortodoxa da Croácia, a respeito do papel do Vaticano nas guerras balcânicas e a respeito das relações entre as igrejas Ortodoxa e Católica.

Terá a política conduzida pelo Vaticano na Sérvia aluído a idéia de recriar-se uma igreja cristã única?

A primeira metade do século XX deixou muitas feridas profundas na história da nação sérvia e da Igreja Ortodoxa Sérvia. O Vaticano vem-se esforçando, há muito tempo, para debilitar a Ortodoxia nos Bálcãs e talvez destruí-la. Tem tentado fazê-lo pacificamente, embora amiúde tenha sucedido de a força ter sido largamente usada para o atingimento desse objetivo a todo custo possível.

A Igreja Católica na Croácia ajudava o Vaticano a atingir seus objetivos. É digno de nota que em 28 de junho de 1914 as tropas do Império Austríaco entraram em Sarajevo para afetar os sentimentos reloigiosos e nacionais dos sérvios. O herdeiro do trono austríaco, Franz Ferdinand, foi assassinado, o que se tornou motivo de deflagração de guerra contra a Sérvia e, então, da Primeira Guerra Mundial. A Croácia lutava ao lado da Áustria na Primeira Guerra Mundial, embora mais tarde tenha fingido ser vítima de Viena.

Qual foi o preço de estabelecer-se o novo estado dos sérvios, croatas e eslovenos?

Depois da guerra o rei sérvio Alexandre quis unir todas as nações eslavas - os sérvios, croatas e eslovenos - num único estado onde todos seriam iguais em termos de religião e nacionalidade. Entretanto, Roma desenvolveu certos esforços para tornar impossível qualquer tipo de acordo entre a Sérvia e a Croácia.

O Vaticano abertamente desgostava da Iugoslávia. O líder fascista italiano Benito Mussolini tinha seus próprios pontos de vista a respeito dos Bálcãs, que coincidiam com os interesses do Vaticano na Sérvia.

Para implementar seus planos, o Vaticano usou a combinação de chauvinismo religioso e nacional na Croácia. Isso ficou particularmente claro durante a existência do Estado Independente da Croácia em 1941-1945. A Igreja Católica Romana praticamente colaborou com os sicários croatas.

Ivo Guberin, padre católico, foi o primeiro a falar por todos. Ele disse que eles queriam converter os sérvios ao catolicismo com a ajuda do estado iugoslavo e de um acordo especial entre o estado e a igreja. Quando esse plano tornou-se impossível, o Vaticano perdeu seu interesse em relações amigáveis com a Iugoslávia e começou a desenvolver esforços para desmembrar o país.

Centenas de milhares de sérvios, inclusive padres, foram mandados para campos de concentração durante os anos da Segunda Guerra mundial.

 A Croácia ofereceu três possibilidades aos sérvios: converterem-se ao catolicismo, tornarem-se escravos em campos de trabalho ou simplesmente morrer. As consequências de todos esses eventos históricos podem ser vistas nas atuais relações entre as nações sérvia e croata.

 Cerca de 200.000 sérvios croatas foram forçados a evadir-se em 1995, milhares deles foram brutalmente chacinados. Muitos açougueiros croatas disseram que estavam matando seres humanos para triunfo do catolicismo. O Vaticano nunca manifestou pesar por isso.

 Tradução Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme
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