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Falha da Política Externa dos EUA: Desenvolvimento sim, Ocupação Militar, Não!

24.05.2010
 
Falha da Política Externa dos EUA: Desenvolvimento sim, Ocupação Militar, Não!

Os Estados Unidos da América fez pouco ou nada para combater o tráfico de drogas no Afeganistão, onde a produção de ópio aumentou 40 vezes, supervisionado pela NATO. No Iraque, as penitenciárias norte-americanas se transformaram em escolas para os terroristas e as suas Forças Armadas estão a violar os acordos celebrados com o Governo iraquiano. Não é decerto o resultado desejado de campanhas lançadas em 2001 e 2003.


A política dos E.U.A. no Afeganistão é confusa. Por quê as tropas norte-americanas recuaram da fronteira, enquanto as forças de segurança paquistanesas estavam a empurrar os Talibã para o norte? Por quê o tráfico de drogas aumentou 40 vezes sob o controle da OTAN? Ou a realidade será que a OTAN perdeu o controle do país? Em qualquer dos casos…


Quanto ao Iraque, a campanha tem sido um desastre do começo ao fim. Com base em mentiras e acusações falsas sobre as armas que até nem existiam, as forças armadas dos E.U.A. demonstraram um desprezo pelos direitos humanos enquanto distribuíram os contratos de reconstrução para amigos da Casa Branca, sem concurso, e cometiam crimes de guerra nas prisões e nas zonas residenciais civis.

Quanto às prisões, o General iraquiano Ahmed al-Obeidi Saedi foi citado pelo The Guardian afirmando que cerca de 80 por cento dos detidos em penitenciárias norte-americanas no Iraque ou alinham outra vez com redes de terror (como a Al-Qaeda) ou então se juntam a estas. Ele disse ao jornal britânico que os presos dizem que as prisões "são o ambiente perfeito para a reorganização da Al-Qaeda".


Agora que os E.U.A. se prepara para entregar a administração das prisões para as autoridades iraquianas no próximo mês, Washington afirma que apenas 4 por cento dos 88 mil detidos em prisões iraquianas desde 2003, voltaram a cometer os mesmos crimes. Outra mentira. E como se pode classificar de “crime” uma acção de zelar pela liberdade do país contra o invasor? A Resistência Francesa durante a Segunda Guerra era uma organização terrorista? Para os Nazistas, sim.


A política dos E.U.A. de pagar aos grupos sunitas para não atacarem, espelhando a política no Afeganistão de usar os dólares dos contribuintes nos países da OTAN para pagar aos Taliban não para atacarem (se você não pode vencê-los, junte-se a eles) parece também ter falhado, na medida em que as Forças Armadas dos EUA tiveram de romper seu acordo com as autoridades iraquianas e realizar operações para além da sua esfera de operações.
Em 2008, Washington e Bagdá assinaram um acordo de limitação das atividades de tropas norte-americanas às suas bases, enquanto que em 2009 todas as ações autónomas destas forças no Iraque deveriam ter terminado. Afinal de contas, Washington disse que a guerra estava ganha. De acordo com o War and Peace Foundation, operações secretas das forças especiais estão sofrendo baixas alarmantes, em áreas do Iraque fora das bases.

Para o diretor da Fundação, em declarações à Press TV, a crescente lista de baixas é a prova de violações do acordo da parte das forças norte-americanas. Certamente, várias áreas no Iraque já estão saindo fora do controle, mesmo a capital Bagdá, onde vastas regiões são áreas proibidas para as unidades da OTAN, e agora Anbar e Diyala.


Como pode, então, os E.U.A. fixar datas de retirada para as suas tropas do Iraque até Setembro de 2010 e no Afeganistão em Julho de 2011? Mais uma vez, a política não foi devidamente pensada. Washington provocou um ninho de vespas em ambos os teatros, a única estratégia plausível de longo prazo agora, em termos militares, é o envolvimento a longo prazo. Duas décadas, o que é politicamente inconveniente. Portanto, a opção é sair, salvar a face política e perder militarmente. A imprensa comprada faz o resto.


Da próxima vez, e esperemos que não existe, talvez Washington pode perceber que os dias de criação de bases militares, instigar tumultos, cometer crimes de guerra e desviar recursos, cria mais inimigos que amigos. Deve ser o Departamento de Estado, e não o Ministério da Defesa, a fazer política junto com a Casa Branca. E uma vez por todas, a linha de fundo é desenvolvimento, não de invasões militares.


Embora o atual governo herdou uma enorme pedra oriunda da desastrosa política externa do regime de Bush para pegar e se é verdade que o Presidente Obama e a Secretária de Estado Hillary Clinton, mais do que o vice-presidente Joseph Biden, fizeram muito para construir pontes, vamos ver o grau de “Mudança” que o Presidente Obama conseguiu realizar .


Próximo capítulo: A República Islâmica do Irão. Aqui, veremos.


Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru


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