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República das Bananas! Tentativa de Golpe no Brasil: Qual a Legitimidade do Congresso?

24.04.2016
 
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Domingo passado (17), a Câmara dos Deputados decidiu, por 367 votos a favor e 137 contra, dar início a um processo de impeachment contra a presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff, contra quem não há nenhum indício criminal. Não se pode dizer o mesmo sobre tantos desses deputados, muitos dos quais estão a salvo de processos penais apenas por gozar de imunidade parlamentar.

Timothy Bancroft-Hinchey (*)


República das Bananas

Aqueles que assistiram à sessão de dez horas no domingo passado, mesmo os que conhecem o Congresso brasileiro, ficaram chocados com o espetáculo de imbecilidade  fornecido por aquilo que parecia um grupo de crianças no jardim da infância comportando-se mal em uma excursão escolar, ou então macacos no zoológico depois que alguém tenha batido na gaiola ou jogado uma banana. Uma imagem perfeita para uma Câmara de Deputados de uma República das Bananas.

Depois do debate, se é isso que se pode chamar, houve uma sessão de votação na qual cada "deputado" discursou e apresentou voto favorável ao impeachment, ou contra ele. Imaginem, 367 adultos, muitos com casos criminais pendentes contra eles, assim que deixarem o Congresso, isto é, se eles não conseguirem permanecer ali o tempo suficiente para que o caso seja declarado nulo (prescreveu) porque o tempo se esgotou, levantando-se e fazendo declarações como esta: 

E se o Bolsonaro fosse torturado?

"Declaro, em nome do meu filho de quatro anos de idade, em nome dos meus amigos, em nome de Deus, que voto a favor!", uma voz de fútil lamentação, estridente, com lágrimas nos olhos, com histerismos teatrais, declaração essa de alguns criminosos, talvez estupradores, assassinos, fraudadores, sem qualquer pingo de moral. Um deles, de nome Bolsonaro, dedicou o discurso a um torturador, aquele que torturou a presidente Dilma quando ela era prisioneira política dos fascistas. Talvez ele gostaria de ser torturado para que pudéssemos dedicar-lhe um discurso, "Para um porco fascista". E repito, talvez o Bolsonaro queria ser torturado.

Qual a legitimidade da Câmara dos Deputados?

Que legitimidade tem uma Câmara dos Deputados para aprovar o impeachment de uma presidente eleita democraticamente por mais de 54 milhões de brasileiros, através de votação livre e justa, contra a qual não há nenhum indício de atividade criminal (no máximo, seu gabinete apresentou cenários mais favoráveis nas contas públicas, fazendo o que todos os outros governos no mundo têm feito, a diferença sendo que os parlamentos nos outros países não são feitos do mesmo... material... que a Câmara brasileira).

Que legitimidade tem um bando de elitistas que sempre gozaram de privilégios na educação, saúde, segurança, privilégios no acesso ao emprego, para julgar uma senhora Presidente cujo trabalho tem proporcionado benefícios sociais visíveis para milhões de pessoas?

Que legitimidade tem este grupo de alunos do jardim da infância, quando não se tem feito nada pelos direitos das mulheres, para as minorias étnicas, para as minorias religiosas, para a comunidade LGBT? Afinal o que esse bando de inúteis faz lá na Câmara, senão escapar da justiça (exceto os que honram a Casa)?

Que legitimidade tem esse bando de políticos egoístas para tentar remover a Presidente democraticamente eleita quando o caso não foi sequer avaliado pelo Supremo Tribunal, quando nenhuma evidência foi apresentada contra Dilma Rousseff?

Que legitimidade tem a Câmara presidida por Eduardo Cunha, o rosto por trás do golpe, o homem acusado de possuir onze contas bancárias ilegais na Suíça, cujo nome aparece nos documentos de Panamá e que está sendo investigado pelo Tribunal Supremo?

Esses criminosos insultam o trabalhador

Que legitimidade tem um sistema endemicamente corrupto que envolve os próprios juízes e parlamentares, que recebem dinheiro dos lobbies que financiam suas campanhas, tramam suas maracutaias, protegem uns aos outros e tomam decisões que afetam a vida de milhões de brasileiros, sem qualquer processo de responsabilização? Quem votou a favor do Impeachment? 367 brasileiros... de porcaria? 367 traidores? Acumulam riquezas, aceitam suborno e, em seguida, falam em nome das pessoas que trabalham no duro? Estão insultando a população brasileira, ou quê?

Examinemos agora a "Comissão Especial para o Impeachment", composta de 65 membros. Que legitimidade eles têm para opinar sobre qualquer coisa que seja, quando 36 deles são objeto de acusação, ou então foram já formalmente condenado por crimes?

Essa repugnante imundície, mais suja que qualquer coisa nadando ou boiando em qualquer esgoto fedorento, tem a audácia de acusar uma presidente democraticamente eleita que não tem sobre si um único item da prova contra?

Mas não vai ficar assim...

Por isso, vamos investigar o histórico desses ilustres deputados, e colocar tudo sob domínio público. Então, veremos quem dará a última risada. Enquanto isso, que se permita que a comunidade internacional conclua o que este novo golpe no Brasil é sua essência. Esses oportunistas transformaram o gigante, já despertado, em uma chacota diante da comunidade internacional, mais uma vez - samba, futebol, carnaval, moças semi-nuas, políticos corruptos e uma república das bananas!! Parabéns, Eduardo Cunha. E agora, vamos investigar seu passado e colocá-lo em público para todo o mundo ver...

(*) Timothy Bancroft-Hinchey 

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tem trabalhado como correspondente, jornalista, editor-adjunto, editor, editor-chefe,  gerente de projeto, diretor, diretor executivo, sócio e proprietário de publicações diárias, semanais, mensais e anuais impressos e on-line, emissoras de TV e grupos de mídia impressos, difundidos e distribuídos em Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe; tem contribuído para a publicação do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Dialog e tem escrito para o Ministério das Relações Exteriores de Cuba nas Publicações Oficiais.

Passou as últimas duas décadas em projectos humanitários, ligando comunidades, trabalhando para documentar e catalogar línguas, culturas, tradições em vias de desaparecimento, trabalhando para formar redes com as comunidades LGBT, ajudando a criar abrigos para vítimas abusadas ou assustadas e como Media Partner da ONU Mulheres, trabalhando para promover o projeto UN Women para lutar contra a violência de gênero e de lutar por um fim ao sexismo, racismo e homofobia.

Vegano, é também Media Partner da Humane Society International, lutando pelos direitos dos animais. Ele é diretor e editor-chefe da versão em Português do Pravda.Ru desde o lançamento em 2002.

 

 


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