Pravda.ru

Mundo

Observações sobre a Palestina

24.01.2009
 
Pages: 12
Observações sobre a Palestina

No início do século XX viviam na Palestina cerca de 25 mil judeus e 650 mil árabes. As grandes imigrações de judeus rumo à Palestina começaram a partir da Primeira Guerra Mundial e aumentaram com os sobreviventes do holocausto nazista ocorrido na Europa.

Para aqueles que nutriam esperanças na Terra Prometida, o primeiro-ministro inglês Winston Chirchill anunciava para o futuro Estado de Israel: “passo a passo, instituições representativas a conduzirão ao pleno auto-governo, porém os filhos dos nossos filhos morrerão antes que isso possa se tornar uma realidade”.

No início da década de 1930, era criado o primeiro grupo terrorista da Palestina, o Irgun, uma facção radical do Haganah, organização paramilitar islaelita, que tinha como objetivo acelerar a criação do Estado de Israel à força e expulsar dos povoados palestinos aqueles que se recusassem a vender suas terras aos sionistas.

Em 1936 os árabes da Palestina iniciam uma revolta nacionalista. David Ben-Gurion, criador do corpo armado israelita Haganah , reconhece a natureza da revolta: “na nossa argumentação política exterior minimizamos a importância da oposição que nos é feita pelos árabes. Entre nós não devemos ignorar a verdade de que politicamente nós somos os agressores e eles estão a defender-se. O país é deles, porque o habitam, enquanto que nós queremos vir-nos estabelecer aqui, o que na sua opinião significa que lhe queremos usurpar a sua terra, sem termos sequer entrado ainda”. A revolta árabe foi esmagada pelos ingleses com excesso de brutalidade, de acordo com Noam Chomsky, no seu livro “The Fateful Triangle”.

No dia 29 de novembro de 1947, a Assembéia Geral das Nações Unidas aprova a resolução do estabelecimento de um Estado Judeu na Palestina. No dia 14 de maio de 1948, expirado o mandato britânico da Palestina, o Estado de Israel declara independência, e desde então, a Palestina ficaria dividida em três partes, uma formando o recém-criado Estado Judeu e as outras duas, Faixa de Gaza e Cisjordânia, que deveriam formar um Estado Palestino, de acordo com uma resolução das Nações Unidas, acabaram virando campos de refugiados árabes.

Em abril de 1948, comandantes dos grupos Irgun, Stern Gang e Haganah se reunem e combinam uma ação para massacrar a população de agricultores da aldeia árabe de Deir Yassin, localizada a cinco quilômetros de Jerulasém. A ação, denominada “Unidade”, pois reunia as três principais milícias israelitas, foi responsável pelo assassinato de 254 pessoas, cujos corpos foram mutilados e jogados num poço.

Casas foram dinamitadas. O governo de Israel considerou o massacre uma vitória na guerra de conquista da Palestina. O massacre de Deir Yassin é considerado um dos principais motivos do êxodo de dezenas de milhares de palestinos da sua própria terra. O Irgun, a Stern Gang e a Haganah se unem mais tarde para formar as Forças de Defesa de Israel.

O principal líder da Irgun e articulador do massacre de Deir Yassin, foi Menahem Begin, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro de Israel, com o apoio do amigo Yitzhak Shamir, líder do grupo de extermínio Stern Gang. Shamir seria por duas vezes primeiro-ministro de Israel. Begin ganharia o Prêmio Nobel da Paz em 1978, ano em que foram anexados territórios do Líbano. Em 1981, Begin anexa também as Colinas de Golã, territórios da Síria e do Líbano, ampliando o território israelita. Foi neste período que surgiu o Hezbollah, um grupo de resistência libanês, que defendia a soberania do Líbano contra a invasão israelita.

Os massacres aos vilarejos árabes continuaram nas décadas seguintes, firmando a ocupação sistemática da Palestina pelos israelitas e forçando o êxodo de milhares de árabes para os campos de refugiados de Gaza e Cisjordânia. Desta forma, o Estado de Israel apresentava o sinal de soberania e poder sobre os árabes, cuja supressão era um objetivo para a consolidação de um projeto sionista de expansão territorialista. Diante de tanta violência, vale lembrar uma observação da ex-líder sionista Golda Meir: “Eles não são seres-humanos, não são gente, eles são árabes”.

Em junho de 1982, Israel invade o Líbano e bombardeia a capital Beirute por dois meses. Em setembro do mesmo ano, o primeiro-ministro israelita Ariel Sharon, ordena soldados da unidade especial de comando israelita “Sayyeret Matkal” a entrarem em Beirute para liquidar os “ninhos de terroristas”, com uma lista de 120 nomes de militantes palestinos e seus respectivos endereços. Todos os suspeitos foram assassinados com um tiro na nuca.

Ainda não satisfeito, Sharon ordena o ataque aos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, na parte oeste de Beirute, massacrando cerca de três mil civis palestinos, segundo a Cruz Vermelha. A ONU condenou o massacre, classificando-o como “um ato de genocídio”, onde foram usadas bombas de fósforo branco, que causaram terríveis ferimentos em milhares de pessoas. Estas armas químicas foram proibidas pela Convenção de Genebra, mas são produzidas e comercializadas pelos Estados Unidos ainda hoje. O massacre de Sabra e Chatila é detalhadamente descrito pelo jornalista francês Alain Ménargues no livro “Les Secrets de la Guerre du Liban”. Que tal se o Tribunal da Haia julgasse os crimes cometidos por Sharon, assim como julgou os de Milosevic?

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular