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Discurso de Bush: Disparate Nonsênsico e Simplista

24.01.2007
 
Discurso de Bush: Disparate Nonsênsico e Simplista

O discurso sobre o Estado da União nos EUA caiu a níveis absurdas durante os anos em que George Bush e seu regime se infligiram sobre o seu povo…e o resto da humanidade. Este ano, em vez de umas respostas firmes perante as ameaças criadas pelas políticas de arrogância cega, temos frases de ocasião ocas escritas sem dúvida pelos cada vez mais desesperados membros da equipa da Casa Branca.

“Entramos no ano de 2007 com grandes empenhos no caminho, e outros que são nossos para começar” é o tipo de frase que coloca o tom deste discurso, logo no início. Grandes empenhos. Eufemismo pelo acto ilegal de chacina no Iraque? “Outros”, uma boa maneira de referir ao Teerão, que deve estar a rir descontroladamente como o resto da comunidade internacional cada vez que alguém em Washington abre a boca.

Claro, a primeira parte deste discurso foca em assuntos domésticos (por quê razão será?) com frases vagas e sem nexo sobre vários assuntos, por exemplo a economia (boas notícias sobre a criação de emprego mas sem qualquer substanciação) e depois frases ainda mais vagas sobre o futuro, tão vagas que se pode perguntar o quê é que esse regime tem estado a fazer durante os últimos seis anos?

“Primeiro, temos de equilibrar o orçamento federal”. Boa! Por rebentar 200 biliões de dólares destruindo as estruturas civis do Iraque? Numa política que divorciou a comunidade internacional dos EUA, pelo menos até que haja uma mudança de regime em Washington? Boas palavras, mas ocas, seguidas por mais melosas frases sobre cuidados médicos.

“A Segurança Social e a Medicare e a Medicaid são empenhos de consciência e por isso é nosso dever mantê-los permanentemente sólidos”. O quê é que quer dizer isso? E se gastasse mais dinheiro nos cuidados médicos e menos em guerras ilegais em terras alheias?

Outras frases de ocasião seguem durante este discurso, que é mais um acto de contrição sem pedidos de desculpa, que vergonha para um Presidente dos Estados Unidos da América, como uma criança a explicar-se depois de ter rebentado uma janela com uma bola, focando a atenção na nuvem no céu.

“Espalhar oportunidade e esperança na América também requer escolas públicas que dão às crianças o conhecimento e carácter que precisam na vida”. Outra vez, então o quê é que esse regime tem estado a fazer há seis anos? Destruir infra-estruturas civis no Iraque para depois alocar contratos bilionários aos amigos que gravitam a volta da Casa Branca? E depois se atreve a falar das crianças?

Segue no discurso o cartão verde (que nada significa dado o registo ecológico deste regime) antes do coração da peça “temos de levar a luta ao inimigo”.

Começa aqui a justificação do injustificável, a política externa do regime de Bush, que confirma os EUA como a nação mais odiada na face da terra, nos quatro cantos do globo. Para George Bush, proteger os cidadãos dos EUA levou cinco anos a conseguir. Mas conseguiu nestes cinco anos destabilizar o Afeganistão e destruir o estado no Iraque, unindo praticamente todo o Médio Oriente contra Washington, e Tel Aviv. Por isso será a América um lugar mais segura hoje?

“América ainda é uma nação em guerra”. Um estudo em mediocridade, promessas vazias e jingoismo.

Quanto ao resto do discurso, como é que alguém sério pode desperdiçar seu tempo a comentar frases do tipo: “ Os extremistas Shia e Sunni são faces diferentes da mesma ameaça totalitarista. Sejam como forem os slogans que eles cantam, quando eles chacinam os inocentes, têm as mesmas propostas más. Querem matar americanos, matar a democracia no Médio Oriente e querem ganhar as armas para matarem numa escala ainda mais horrífica”?

As forças armadas dos EUA não chacinaram inocentes? E o estupro e actos de depravação sexual em Abu Ghraib? Quem foi que colocou Shia contra Sunni no Iraque? Finalmente, “A luta entre as gerações” referida pelo George Bush não é mais do que a necessidade das gerações futuras verem como vão pagar as contas de centenas de biliões de dólares gastos por este presidente (com p pequeno) em guerras ilegais. Que belo legado.

Resumindo, disparate nonsênsico e simplista por uma pessoa ridícula, nonsênsica e simplista. O quê é que havíamos de esperar?

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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