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Quando Israel Não é Israel

23.10.2008
 
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Quando Israel Não é Israel

A melhor maneira de Israel fazer cessar ataques terroristas em seu território é primeiro cessar a ocupação de todas as terras árabes e a construção contínua e irrestrita de assentamentos judaicos na Margem Oeste. Em 1967 Israel foi à guerra, em defesa própria, e capturou terra árabe. Israel estava certo em defender-se.

Entretanto, a questão não mais é tanto de defesa própria. O problema é que Israel não retrocederá a suas fronteiras anteriores a 1967 enquanto muitos israelenses e a maior parte dos cristãos evangélicos dos Estados Unidos, que apóia Israel, continuarem a crer que os judeus têm direito bíblico a todo o território árabe na Palestina. Por isso, torna-se imprescindível exame bíblico da questão.

Como cristão evangélico, de origem indiana, desejo colocar a questão bíblica na perspectiva adequada.

Embora o moderno estado de Israel hoje tenha todo o direito de existir como qualquer outra nação (desde que cumpra as resoluções das Nações Unidas garantidoras dos direitos dos palestinos), isso não significa que o sionismo (a crença de que os judeus têm direito bíblico sobre toda a Palestina) esteja correto. E é o sionismo quem está principalmente estimulando a construção e a expansão de assentamentos israelenses ilegais em terra árabe.

De uma perspectiva puramente bíblica, o sionismo enfrenta enormes problemas.
O fato é que quase nenhum dos judeus do Israel moderno é descendente dos judeus originais da Palestina de milhares de anos atrás. A maioria dos judeus em Israel nos dias de hoje é descendente de europeus que se converteram ao judaísmo na Idade Média (conhecidos como judeus khazar, ou askhenazi).

A última promessa de Deus, nas escrituras, de trazer de volta os judeus para seu torrão natal ancestral foi cumprida há séculos, quando Ele os trouxe de volta de seu cativeiro na Babilônia. Portanto, os judeus dos dias de hoje no Israel moderno não representam cumprimento daquela venerável promessa.

Além disso, as promessas de Deus concernentes à pátria dos judeus no Velho Testamento eram condicionais - só na medida em que eles continuassem a obedecê-lo aquelas promessas a respeito de seu país teriam que ser cumpridas (leiam Deuteronômio 28). De qualquer maneira, como já observei, Deus cumpriu sua promessa concernente ao país dos judeus há séculos.

Lemos no Livro de Josué 21:43, 45: "Desta maneira deu o Senhor a Israel toda a terra que, com juramento, prometera dar a seus pais; e eles a possuíram e habitaram nela. Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o Senhor prometera à casa de Israel; tudo se cumpriu." Portanto, não há nenhuma promessa concernente à terra que ainda esteja por ser cumprida.

Os cristãos modernos, em sua maioria, esperam a chegada do período da tribulação de sete anos de Israel, o que não prescindiria de os judeus estarem naquela terra. Contudo, esse período já ocorreu na história, durante os anos A.D. 63 a 70 (sete anos) quando o exército romano sitiou e destruiu Jerusalém e o Templo dos judeus.

Foi aquela destruição que, disse Jesus, marcaria o fim dos tempos (quer dizer, dos tempos judaicos). Durante aqueles sete anos, houve uma breve pausa dos ataques do exército romano e essa pausa representou uma oportunidade para os judeus daquela época que creram (cristãos) escaparem da destruição final de Jerusalém e terem suas vidas poupadas.

Os cristãos evangélicos, em sua maioria, os quais são dispensacionistas, ainda estão à procura de um Israel que, de acordo com o Novo Testamento, é o corpo espiritual de Cristo formado de crentes em Jesus Cristo, tanto judeus quanto gentios herdeiros, conjuntamente, das mesmas (não diferentes) promessas.

O problema, no tocante à maioria dos cristãos evangélicos dos dias de hoje, é que eles interpretam o Livro do Apocalipse literalmente. O Apocalipse, entretanto, é um livro de simbolismo e não deveria ser interpretado literalmente. O Livro, ele próprio, diz-nos para não o interpretarmos literalmente.

O Livro do Apocalipse, do mesmo modo que o Novo Testamento, foi originalmente escrito em grego e, assim, por vezes, temos que consultar a língua grega para termos entendimento mais preciso de certas palavras.

Já no primeiro verso do primeiro capítulo lemos: "Revelação de Jesus Cristo, que Deus (o Pai) lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João;" (Apocalipse 1.1, King James Version). A palavra "notificou" na passagem vem de uma palavra grega que significa "signos" ou "símbolos". Portanto, Cristo pretendia que o Apocalipse fosse interpretado simbolicamente, não literalmente.

Muitos cristãos evangélicos acreditam (erroneamente) que a "Grande Cidade" do Livro do Apocalipse, que Deus destrói em sua cólera e à qual é feita referência, figuradamente, como Babilônia, é Roma. Eles acreditam ser Roma porque a cidade é descrita como circundada por sete colinas.

Não obstante, Jerusalém, também, é circundada por sete colinas. A prova de que Jerusalém é a cidade, e não Roma, é encontrada em Apocalipse 11:8 onde lemos: "E jazerão os seus corpos na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também nosso Senhor foi crucificado".

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