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União Europeia: De proxeneta a prostituta

23.05.2007
 
União Europeia: De proxeneta a prostituta

União Europeia: De proxeneta a prostituta

Resposta ao artigo de Teresa de Sousa no “Público” (2007-05.23) “Por uma vez a Europa fez frente a Putin”. Este artigo defende uma Europa Ocidental virada para Washington, a Rainha das Mentiras. È a visão da Europa, proxeneta de outrora, chulando os recursos dos países que colonizou, que agora vira prostituta, rastejando-se aos pés do seu mestre, que pagando, faz com ela o que quer.

O artigo de opinião da jornalista Teresa de Sousa, publicado no “Público” de hoje, é mais um belo exemplo da retórica saudosista da Guerra Fria, que defende uma Europa Ocidental firmemente nas mãos de Washington, ao mesmo tempo que ataca a Rússia e seu Presidente por supostamente querer dividir o Velho Continente.

As referências que apoiam esta tese são previsíveis: o artigo defende a insolência de José Barroso, que na casa do seu anfitrião insinuou que na Rússia há falta de liberdade, defende a carne polaca por ser da UE e não pela sua (duvidosa) qualidade, defende a posição dos estados bálticos (eternamente criadores de cripto-fascismo), fala do “império soviético”, descreve o judeu azeri Kasparov como “um dos líderes da oposição” e não o marginal que é, e finalmente se congratula por Washington ter aplaudido a atitude da União. Aconchegadinha na cama com o Washington.

Espera-se que use o preservativo.

Porém, esta posição, sendo publicada num meio de grande circulação, merece resposta, porque parte da fábrica de ideologia, de propaganda, da russofobia controlada que constitui uma campanha por elementos hostis à Federação Russa, à sua cultura e ao seu povo e que tentam fazer uma lavagem do cérebro dos seus leitores através da manipulação do medo. Se estas órgãos de comunicação e estes “jornalistas” são comprados, nós não. Limitámo-nos a dizer a “verdade” (“Pravda”, em russo).

Na sua tentativa de criar uma posição comum, fica claro que a U.E. precisa de uma identidade colectiva e daí a escolha de um “eles” suficiente assustador (o urso da Rússia) para justificar o temeroso “nós” (entre 27 estados, a maioria dos quais anda numa frenética corrida pelo dinheiro) e a resultante procura de apoio no Novo Mundo no outro lado do Atlântico. Só que no caso desta jornalista, portuguesa, deste artigo e este órgão de comunicação, português, não se trata do Brasil, mas sim, do anglófono Estados Unidos da América.

Só que, dando uma olhada para o que faz esse monstro, este estado paria na comunidade internacional, será que os que seguem a tese da proximidade sabem com quem andam a…dormir?

Os que defendem uma ligação amorosa, e sem preservativo, com Washington e uma relação antagónica com Moscovo, lembrar-se-ão que estiveram o Presidente Putin e a maior parte do povo da Federação Russa entre os poucos que levantaram a voz desde o início contra o acto de chacina no Iraque, em que a lei internacional foi violada e a Carta da ONU foi quebrada, enquanto sensivelmente 650.000 pessoas foram massacradas, directa ou indirectamente por causa desta “invasão”. Onde estava a Europa Ocidental? E já que a autora e o artigo o defende, onde estava o José Barroso e qual foi a posição de Portugal?

Os que defendem uma ligação amorosa, e sem preservativo, com Washington lembrar-se-ão das Armas de Destruição em Massa. Cadê elas? Ou não passou tudo duma mentira?

Os que defendem uma ligação amorosa com Washington lembrar-se-ão da prisão de Abu Ghraib, da Lynndie England, a grande heroína americana, com cigarro no canto da boca a “divertir-se” porque não tinha instruções ao contrário, a atar eléctrodos aos testículos dos prisioneiros, a supervisionar ataques por canídeos, a urinar na comida e a servir de madame para o único Live Sex Show de Bagdade em mais que 50 anos – fabricação dos norte-americanos, em que prisioneiros indefesas e sem qualquer devido processo legal foram sodomizados por soldados pervertidos. Divertido, pois não?

Os que defendem uma ligação amorosa com Washington lembrar-se-ão do estupro das mulheres prisioneiras por soldados norte-americanos, lembrar-se-ão da tortura de inocentes, da chacina de crianças. E depois dirão que são com estes que querem fazer a cama.

Isso diz praticamente tudo. Depois de passar centenas de anos a servir de proxenetas, a roubar os bens e as riquezas dos povos indefesas que massacraram e colonizaram, a Europa Ocidental agora quer servir de prostituta de Washington, rastejando-se aos seus pés e a oferecer-lhe cada orifício no seu corpo.

Dai a expansão da OTAN para as fronteiras da Rússia, daí a localização de batalhões de soldados hostis a Moscovo, dai o posicionamento de mísseis nas suas fronteiras. De facto, a Europa Ocidental nunca ultrapassou o seu complexo de superioridade, que serve apenas para camuflar a verdade – da sua inferioridade e extrema fraqueza. Já que não há nativos com escudos e lanças para metralhar, vem outro saque à Rússia.

Só que nem Napoleão, nem o Hitler conseguiram aquilo que nem a U.E. nem o seu mestre norte-americano vão conseguir: retirar os recursos russos do seu proprietário devido: o povo russo. A Federação Russa tem recursos, tem potencial humano e tem uma coisa que parece que a Europa Ocidental não tem: honra.

Quando temos o Presidente da Rússia a prometer um processo de diálogo aberto e franco, quando temos o Presidente da Comissão da U.E, a fazer referências absurdamente anacrónicas e quando temos órgãos de comunicação influentes a dizerem que a U.E. deve virar-se para Washington, depois de tudo que aconteceu, vemos claramente em que lado jaz a razão.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Director e Chefe de Redacção

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