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Oriente Médio: Será que o esporte pode resolver a situação?

23.01.2011
 

Por várias razões, a questão do Médio Oriente não pertence apenas aos israelenses e palestinos, mas a toda a humanidade e é do interesse da humanidade que uma solução duradoura e pacífica seja encontrada, criando um sistema de dois Estados em que ambos os povos vivem lado a lado em paz e respeito mútuo, com a comunidade internacional patrocinando programas de desenvolvimento sustentável, favorecendo os dois lados igualmente.

A questão do Médio Oriente não pertence apenas aos israelenses e palestinos, mas a toda a humanidade, por várias razões: A humanidade tem uma identidade coletiva religiosa baseada na região, a busca da paz no Oriente Médio, em grande medida, dita a paz no mundo em geral e finalmente, o lobby judaico é tão poderoso e omnipresente que internacionalizou o problema. Se Israel tem e controla interesses na comunidade internacional, então os seus membros têm o direito a ter uma opinião.

Fora isso, há a questão de decência comum, o respeito pela lei e respeito pelos direitos humanos.

Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, em ordem histórica, e sua miríade de sub-religiões e seitas, cresceram na região hoje conhecida como Israel e a Autoridade Palestina e espalharam-se aos quatro cantos da Terra, criando uma corda umbilical inquebrável entre os crentes com a terra natal dos seus credos. Portanto, em um sentido espiritual, pelo menos, as terras pertencem não apenas a Israel e os palestinos, mas ao património colectivo de tod@s.

Paz no Oriente Médio só pode acontecer através da implementação de, e respeito pelo, direito internacional e enquanto Israel, sobretudo, desrespeita e viola todas as

Resoluções das Nações Unidas, começando com a apreensão de território que não lhe pertence, continuando com as violações dos direitos humanos, que quebram os termos das Convenções de Genebra e depois construindo colônias ilegais em terras roubadas aos palestinos, não podemos dizer que o direito internacional existe em qualquer maneira concreta, apenas como qualquer preceito Quixotesco e Sebastianino. E isso tem que mudar.

No entanto, é um preceito válido para alcançar, e que melhor teste do que no Oriente Médio? Segundo a lei internacional, Israel tem de sair dos territórios que ocupa e ambos os lados têm que encontrar uma solução para os danos perpetrados pelo estado de Israel. Estes não são permanentes nem indeléveis - as colônias podem ser desmontadas ou entregues como elas são. Como isso é feito é com os dois lados envolvidos - talvez um período de uma retirada faseada durante o qual Israel paga a renda à Autoridade Palestina para a utilização das suas terras, dinheiro que poderia ajudar a criar as instituições que a Autoridade Palestina precisa para funcionar como um Estado.

Finalmente, o lobby judaico internacionalizou-se, afetando diretamente a vida cotidiana dos não-judeus nos seus países. Tomemos por exemplo os Estados Unidos da América, cujos cidadãos pagam impostos; esses dólares financiam o Estado de Israel. E vejamos a enorme influência do lobby judaico nos EUA, cuja política externa é em parte controlada por Tel Aviv - por qual outro motivo os EUA veta ou se abstenha de qualquer resolução que condena Israel, mesmo que tenha cometido massacres, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, especialmente quando Washington afirma que segue uma política externa ética? Um massacre é ético? Um ataque com fósforo contra uma escola é ético?

É essa influência fora de Israel que dá o direito à humanidade expressar uma opinião - afinal, se os nossos governos estão usando dois pesos e duas medidas quando se trata de israelenses e palestinos, quando um dos lados pode agir com impunidade, a assassinar, roubar e espancar e o outros sistematicamente perde suas terras, enquanto os governos ocidentais desviam o olhar, então, em qualquer sistema democrático, os membros do eleitorado tem o direito de dizer alguma coisa.

A liberdade e o direito de opinião são sagrados e se elevam acima das acusações pelo lobby judaico contra quem manifesta uma opinião crítica de Israel ou das suas políticas, de ser "anti-semita" ou "odiar os judeus" ou "ser anti-Israel" . A primeira acusação é ridícula, porque "semita" é um adjetivo que descreve aqueles que falam línguas semíticas, que inclui as línguas hebraica e árabe. Que essa expressão ridícula e absurda "anti-semita" morra com este artigo, aqui e agora.

Além disso, há uma grande diferença entre "odiar os judeus" e criticar as políticas externas do Estado de Israel. Aqueles que "odeiam os judeus" são racistas, e como tal são tão desprezíveis como os que escolhem qualquer outro grupo racial ou étnica ou religiosa, apenas porque é diferente. Muitos judeus são anti-sionistas, muitos judeus trabalham voluntariamente em organizações humanitárias para proteger os palestinos dos judeus agressores das colônias que assediam suas comunidades, muitos judeus passam seu tempo livre protegendo os palestinos dos excessos e barbaridades do seu próprio povo.

Como implementar a paz?

Enquanto Israel arrogantemente decide desrespeitar a lei e violar toda e cada resolução aprovada pelo Conselho de Segurança, enquanto Israel continua a construir colônias em terras que ele roubou, enquanto continuam os ataques de colonos israelenses contra palestinos, destruindo suas casas, queimando os seus olivais e arrasando suas fazendas, não podemos dizer que a abordagem atual está funcionando.

Nova abordagem: Esporte/Desporto

E quanto ao esporte/desporto? Um encontro bem sucedido entre os comités olímpicos israelense e palestino para discutir a livre circulação de atletas, corpo técnico e material esportivo foi elogiado pela Organização das Nações Unidas; foi descrito como "um espírito muito construtivo e cooperativo" pelo Assessor Especial do Secretário-Geral do Desporto para o Desenvolvimento e Paz, Wilfried Lemke.

Para Wilfried Lemke, "A reunião foi um exemplo de como o esporte pode superar divisões e ser usado como uma ferramenta para iniciar o diálogo entre os dois lados". E acrescentou: "Com esta iniciativa, vemos mais uma vez como o esporte de uma forma pragmática e apolítica pode ter sucesso onde outros meios mais tradicionais se revelarem infrutíferas. O esporte pode proporcionar um terreno neutro para semear as sementes do progresso".

Durante a reunião, o Comitê Olímpico de Israel ofereceu cursos de capacitação e oportunidades aos atletas palestinos.

Talvez esta seja a descoberta. Esporte - competindo juntos pelo amor do jogo e a alegria de interagir contra um adversário, num espírito de respeito mútuo e camaradagem - pode juntar os jovens judeus e palestinos, em espírito de amizade, longe da Muralha, longe dos foguetes, das colônias, das gerações de ódio; e esperemos que lhes permita estabelecer amizades duradouras, longe da política e os políticos, que criaram esta situação.

É verdade, as colônias têm que sair, as terras palestinas têm que ser devolvidas. O direito internacional estabelece que as fronteiras de Israel iniciam e terminam nas fronteiras internacionalmente reconhecidas de 1948 e nem um milímetro de terra fora destes limites pertence a Israel.

No entanto, quanto mais iniciativas deste tipo houver, quanto mais trocas artísticas e culturais e quanto mais estes envolvem os mais jovens, melhor.

Certamente eles não podem fazer menos ou pior do que as gerações que os precederam. A responsabilidade por esta situação reside, principalmente, sobre os ombros de Israel, pela sua amargura, arrogância, intransigência e desrespeito não só pela lei, mas pela comunidade internacional que a defende. E também a comunidade internacional, cuja covardia e hipocrisia permite que Israel sempre se safa impune. Os governos eleitos têm de prestar contas políticas e já é altura para os eleitores de hoje começarem a utilizar os direitos que seus antepassados lutaram tanto tempo para lhes entregar: é que os governos de hoje têm de ser responsabilizados perante seu eleitorado.

Qual é a posição do seu partido político, qual é a posição do seu deputado/senador/governador/representante perante o comportamento de Israel?

Nota editorial: usamos os dois termos: esporte (Brasil) e desporto (Portugal). Que se entendam, por favor.

Timothy Bancroft-Hinchey
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