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FSM: Projectos de grande visibilidade

23.01.2007
 
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FSM: Projectos de grande visibilidade

A grande novidade da edição africana do Fórum Social Mundial é que durante o quarto dia serão apresentadas propostas de articulação conjunta entre as diversas representações que participam do evento, adiantou o diretor da Associação Empresa Cidadania e Consultor Internacional do Fórum Social Mundial, Oded Grajew, em entrevista ao programa Revista Brasil.


“Muitas vezes as pessoas falam que o Fórum não dá resultado, pois não há nada de prático, e essa novidade é uma tentativa de que associações se articulem desde o início do encontro a se unirem em ações conjuntas de grande visibilidade e as apresente no quarto e último dia de encontro”, diz Oded Grajew.


O intuito é que as instituições se aproximem e aumente o diálogo entre elas no sentido de que as medidas ganhem visibilidade.


Além do aumento dessa articulação e do fortalecimento das instituições africanas, outro diferencial do encontro é a maior participação popular nos debates.


“Para nós é uma grande satisfação ver o que está acontecendo aqui em Nairobi, pois não é somente o evento que acontece durante cinco dias, mas um grande processo que se iniciou em 2005 em Porto Alegre, de mobilização, articulação e engajamento das forças sociais de toda a África, pois representa um movimento social africano que era muito frágil”, destaca o diretor.

Diário de Nairóbi: Estudante brasileira relata o dia-a-dia do VII FSM

O Portal do PT publica a partir desta segunda-feira (22) o diário de viagem da estudante Louise Caroline, que está em Nairóbi, no Quênia, paraticipando da VII edição do Fórum Social Mundial.

Louise é militante petista e v ice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes). Esta primeira página do diário foi escrita ontem (21), dia da chegada de Louise ao país africano.

Diário de uma estudante brasileira

no Fórum Social Mundial de Nairóbi

1º Dia, 21 de Janeiro

Habari! (Olá!)

Após quinze horas de viagem, finalmente desembarcamos em Nairóbi. À primeira vista, uma cidade tranqüila. À primeira vista. Logo, ao tomar um táxi, descobrimos que, além da mão inglesa, o trânsito, assim como as demais regras de convivência coletiva, são bem, digamos, “peculiares”. Não há guardas de trânsito, muito menos semáforos ou sinais. Mas há polícia, armada com grandes fuzis, revistando todos os carros em busca de drogas e bombas (!), segundo eles.

Aliás, o “segundo eles” é pura audácia de minha parte. É que por aqui se fala o Swahili, e, apesar da colonização inglesa, o inglês que todos falam tem um sotaque bem diferente das minhas aulinhas no Brasil. Portanto, não é fácil entender muitas coisas. E ser entendido, muito menos.

Como nem eu nem Gabriel (Gabriel Alves, vice-presidente da UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) tínhamos reserva para hospedagem, ficamos na dependência do taxista para encontrar um lugar. Descobrimos logo que o local do Fórum é bem longe do centro da cidade e que todos os hotéis estão lotados!

Houve quem duvidasse que um Fórum na África tivesse êxito. Assim como na edição da Índia, em 2004, as previsões falharam. Existe muita disposição e cada vez maiores articulações das entidades sociais, que garantem, novamente, um Fórum diverso e representativo.

Finalmente nos alojamos em algo tipo um “chalé”. Fica bem longe do centro e do Fórum, mas o taxista fechou um pacote conosco que fez valer a pena. Ah, o transporte público daqui é quase inexistente. E o que existe é desregulamentado e muito arriscado. Deve ser por isso que os quenianos são tão bons maratonistas: eles caminham a pé ou correm para se locomover.

Depois que nos alojamos fomos ao Mol International Sport Center, sede do Fórum. Meia hora de carro, sem trânsito por causa do domingo. Percebemos logo que o acordo feito com o taxista não era muito rentável. É que, por causa do Fórum, todos os preços foram inflacionados. Hotéis, transporte, alimentação. Tudo muito caro.

A moeda daqui é o Kenia Shiling (Ksh). No aeroporto fizemos o câmbio de 67 Ksh para cada dólar. Como no Brasil trocamos 2,28 reais para cada dólar, concluímos que os 1.500 Ksh que o taxista nos cobrou pela viagem equivalem a 51 reais!

Ficamos de pensar nisso depois e tratamos de conhecer o ambiente. Entre alemães, argentinos e muitos quenianos, encontramos três brasileiras que estão em Nairóbi desde o dia 10 de janeiro, colaborando com a organização do Fórum e enviando informações ao Brasil pelo portal “A Ciranda”.

Pela hora (já era mais de dez da noite por aqui) a sede do Fórum estava esvaziada e elas nos levaram para conhecer sua “Homestay”. As homestays são grandes casas, mansões mesmo, de famílias de classe média alta da cidade, que alugam quartos para turistas. Muitos brasileiros estão hospedados nesse esquema de homestays, o que fez com que elas acabassem se tornando ponto de encontro.

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