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Carta Aberta das FARC para UNASUL e os Países da ALBA

22.09.2009
 
Pages: 123
Carta Aberta das FARC para UNASUL e os Países da ALBA

Como organização política - militar amparada pelo Direito Universal que legitima a rebelião armada contra regimes opressores e tirânicos, nos dirigimos à União de Nações Suramericanas, UNASUL, e à Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, ALBA, com a esperança de participar-lhes nossos pontos de vista em torno à tensão gerada pela instalação de bases militares estadunidenses em território colombiano.

Colômbia padece o mais cruento e prolongado conflito interno da historia de Nossa América, mas por razoes de uma perversa estratégia, o Presidente Uribe nega sua existência. O governo de Colômbia é o primeiro receptor de ajuda militar norteamericana no Hemisfério.

Tem o exército mais numeroso de América Latina (500.000 homens) O 6.5% do PIB é para a guerra. Oficiais do Comando Sul do exército dos Estados Unidos conduzem no terreno as operações do Plano Patriota contra a Insurgência e o povo. Mais de 10 mil milhões de dólares tem investido a Casa Branca na execução do Plano Colômbia. Nessas circunstancias resulta absolutamente sofismático e contraditório aferrar-se à absurda subjetividade da inexistência do conflito. A origem das operações sujas de Uribe contra os países vizinhos é que seus presidentes têm-se negado a se envolver no conflito interno de Colômbia. Por isso introduz elementos que ameaçam a estabilidade da região como a peregrina tese da extraterritorialidade da política de segurança democrática, que é a nova denominação que Washington tem conferido a sua velha e nefasta Doutrina de Segurança Nacional.

Os sete punhais clavados no coração aos quais alude o Comandante Fidel Castro, podem ser mais, se temos em conta que a base aérea de Três Esquinas (Sul de Colômbia) é, desde há algum tempo, outra base militar ianque encoberta, sediada nada menos que onde se inicia a Amazônia. A tecnologia militar de ponta do “monstro do norte” não somente alinha suas miras contra a inconformidade popular e a insurgência bolivariana; apontam também, com desejo irrefreável de espólio, à franja petroleira do Orinoco, à biodiversidade da Amazônia e ao aqüífero Guarani. Mas, em geral, suas miras estão enfocadas ao predomínio hemisférico do que considera com desprezo seu pátio traseiro.

Sem dúvida Uribe já está sentenciado e condenado pelos povos e pela historia por alta traição à pátria latinoamericana. Na historia futura ficará inscrito seu nome como um triste peão do colonizador. A instalação de bases militares móveis dos Estados Unidos no norte de Suramérica constitui a mais séria ameaça para a paz e a unidade do Continente, mas, é ao mesmo tempo, o reconhecimento da derrota do Plano Colômbia, premonição do epílogo futuro de seu novo empenho guerrerista contra Nossa América.

O pré-fixo “narco” endilgado à guerrilha e agora a alguns Estados é um pretexto para a agressão, como foi no passado o comunismo. Têm revivido a McCarthy para demonizar as opções da sociedade, sempre presentes no anseio coletivo dos povos e, com o mesmo propósito utilizam o adjetivo “terrorista”. As FARC não são terroristas, mas revolucionarias. Em Colômbia, o chamado “terrorismo” tem uma historia recente e curiosa, até. Durante quase 40 anos, as FARC e o ELN foram considerados como guerrilhas “comunistas” e “castristas”, respectivamente. É evidente que esses qualificativos constituíam um reconhecimento real do caráter político de nossos movimentos porque estabelecemos conversações e diálogos com diversos governos.

Mas, chego o trágico 11 de setembro e, de repente, as guerrilhas colombianas sofreram uma kafkiana metamorfose. Da noite para o dia deixamos de ser “comunistas” e “castristas” e nos transformaram em “terroristas”.

Todos sabemos que o chamado “terrorismo” é uma arma política da ultra direita, uma categoria por fora do Direito Penal e um elemento essencial da ideologia do Imperialismo. O chamado “terrorismo” é uma noção política e ideológica introduzida pelo governo de Bush que serve para vilipendiar e para satanizar aqueles que não se submetem à política imperial, àquela de seus caines, ou de seus testa ferros. É por isso que só são qualificados de “terroristas” os que lutam contra o poder, mas jamais o serão aqueles que estão no poder.

Com essa lógica, todo movimento ou país que se oponha à dominação do Império é ou será qualificado mais adiante de “terrorista”.

As FARC apóiam totalmente as Bases de Paz que o governo de Venezuela tem conformado em seu território para opor-las às bases da agressão ianque em Colômbia. Gostaríamos de ver surgir essas Bases de Paz em todos os pontos cardinais do Hemisfério como símbolo de resistência e dignidade dos povos. Que inútil é a guerra de Obama e a de seu lacaio Uribe contra Nossa América, a de Bolívar, e nossos heróis nacionais, que a 200 anos do grito de Independência regressam com um exercito de povos a materializar seus sonhos. Necessitamos a paz de Colômbia porque é também a paz da região. Que ninguém aceite os pretextos inventados pelos guerreristas. A suposta intromissão de Venezuela e Equador nos assuntos internos de Colômbia, que tanto propalam suas campanhas midiáticas, são uma densa cortinha de fumaça para tampar a verdadeira e escancarada intromissão dos Estados Unidos, Inglaterra, Israel e Espanha no conflito colombiano.

Nosso objetivo estratégico fundamental é a paz. Assumimo-lo com as mesmas palavras do Libertador Simón Bolívar: “a insurreição se anuncia com o espírito de paz. Se resiste ao despotismo porque esse destrói a paz, e não toma as armas mas para obrigar seus inimigos à paz”.

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