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Indústria do Terror: EUA e OTAN Financiam Boko Haram e Estado Islamita

22.05.2016
 
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Indústria do Terror: EUA e OTAN Financiam Boko Haram e Estado Islamita

Segundo o sociólogo e ex-funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Oriente e Oriente Médio, Juan Francisco Coloane, organizações terroristas como Boko Haram e o autodenominado Estado Islamita (EI) são subcontratadas por transnacionais ocidentais, a fim de justificar a ocupação das grandes potências em nações estratégicas, desta maneira perpetuando sua hegemonia sobre países emergentes tais como Rússia, China e mesmo a Índia. O sociólogo chileno ainda detalhou neste dia 21 que, entre os principais contratistas da "indústria do terror", estão os Estados Unidos e a OTAN. 

Coloane afirmou também que o motivo pelo qual se torna tão difícil combater a rede terrorista mais letal do mundo, o EI, é justamente o fato de governos ocidentais - incluindo exatamente aquele que se proclama maior combatente do terror global, isto é, Washington - estarem por trás dele através do financiamento e de uma série de estratégias a fim de gerar "sistemas caóticos" em países geoestratégicos como Iraque, Síria e Nigéria, ricos em recursos energéticos, especialmente em petróleo. 

Acrescente-se nesta lista de países inflados pelo terror made in West o próprio Afeganistão: invadido pelo regime de Washington em 2001 sob pretexto de combate o terror global, foi neste país centro-asiático que Al-Qaeda e Taliban foram criados, treinados e financiados por Washington através da invasão secreta da CIA em 1979 a qual precedeu à soviética, contrariando a versão contada até hoje pela mídia subserviente aos porões do poder e pelos livros de História ocidentais. 

Exatamente naquela época a jihad como prática de terror foi ensinada por livros didáticos produzidos em solo norte-americano, exportados a madrassas (escolas de fundamentalismo religioso) no Afeganistão e no vizinho Paquistão. Neste vídeo, Zbigniew Brzezinski, então conselheiro de Segurança nacional do presidente estadunidense Jimmy Carter, pousa de helicóptero entre combatentes afegãos com aspecto um tanto messiânico, incentivando-os a praticar a jihad sob entusiásticos aplausos dos novos extremistas religiosos.

 

Anos mais tarde, Ronald Reagan declararia que os afegãos jihadistas assemelhavam-se aos pais fundadores dos Estados Unidos em sua luta por liberdade, e receberia alguns dos senhores da guerra na Casa Branca a fim de discutir estratégias de combate (imagem aqui role a tela até: C12820-32, President Reagan meeting with Afghan Freedom Fighters to discuss Soviet atrocities in Afghanistan.2/2/83.).

Além de altamente rico em reservas minerais e em gás natural o Afeganistão é rico em ópio, do qual se produz a heroína: o narcotráfico traçado a partir de solo afegão pela CIA tem financiado o imperialismo norte-americano a nível global, que fornece dólares e até armas a setores opositores a governos que não se submetem aos ditames de Washington. Tal fato é comprovado historicamente também na América Latina, região mais rica em biodiversidade do planeta, através de golpes militares, e hoje especificamente em países como Brasil, Venezuela (maior reserva petrolífera do mundo), Bolívia e Equador.

Sobre o narcotráfico a partir de solo afegão, vale notar (conforme aponta este gráfico, que durante o primeiro período que correspondeu à ocupação dos Estados Unidos no país centro-asiático, a produção de ópio atingiu números alarmantes. Porém, a produção de ópio chegou a quase zero em 2001, menos de cinco anos após o Taliban ter assumido o poder que marcou certo distanciamento dos Estados Unidos no Afeganistão, dada a oposição do regime afegão ao imperialismo estadunidense na região, o que não significa que, na prática, a cúpula taliban seguisse sendo apoiada e financiada secretamente pela Casa Branca.

Quando, enfim, a criatura que se havia voltado contra o criador fora derrubada do poder para dar lugar aos senhores da guerra da Aliança do Norte, apoiada por Washington, eis que a produção de ópio voltou a subir vertiginosamente, registrando índices ainda maiores que os dos anos de 1980 e 1990. Fato este que persiste até hoje,  cujo combate não está na ordem imperialista do dia.

O Afeganistão se configura em região estratégica para o regime norte-americano também por estar no coração da Ásia. Antes da invasão de George Bush em outubro de 2001, havia projetos da indústria petrolífera norte-americana para que oleodutos e gasodutos, que ligassem países vizinhos à Rússia ao Oriente Médio, passassem pelo subsolo afegão, negados pelo Taliban então no poder.

Quando governador do Texas, George Bush e aquele que viria a ser seu vice-presidente um ano mais tarde, Dick Cheney, receberam uma delegação do Taliban a fim de discutir a passagem de dutos pelo Afeganistão a serem construídos e explorados pela empresa norte-americana Unocal, sem chegar a um acordo. Daquele encontro, o empresário Cheney conseguiu, para sua empresa petrolífera Hulliburton, contrato para exploração de petróleo em solo afegão, e a BBC de Londres foi o único veículo de comunicação em todo o mundo a divulgar o encontro.

Em maio de 2001, poucas semanas após visita de líder taliban à Casa Branca a fim de melhorar a imagem dos donos do poder afegão perante o Departamento de Defesa dos EUA, a CNN noticia que o governo de seu país continua financiando os mujahidin: o secretário de Estado de Bush anunciou, então, milionária "ajuda humanitária" ao governo taliban que, há 5 anos, aterrorizava a sociedade afegã com extremismo religioso. O jornalista Robert Sheer escreveu dura matéria sobre o caso no diário Los Angeles Times, mas o caso perdeu-se no vazio.

Uma vez derrubado do poder afegão pelos ex-aliados norte-americanos, o presidente-fantoche de Tio Sam, Hamid Karzai que viria a ser chamado pelos afegãos em todo o país de "prefeito de Cabul" pela falta de comando nacional, autorizou a construção dos tais dutos anos antes projetados pelos tomadores de decisão de Washington. Entre os maiores beneficiários de tais tratados estavam exatamente Cheney, e o próprio  Karzai, ex-funcionário de outra indústria petrolífera norte-americana, a Unocal. 

Outro fator relevante é que o Afeganistão faz fronteira com China e Irã. Portanto, a instalação de bases militares ali é fundamental para a perpetuação da hegemonia norte-americana especialmente contra a temida China.

As declarações do ex-funcionário da ONU, evidenciando uma vez mais o mundo ao inversopromovido pelas grandes potências e apresentado passivamente pela mídia de desinformação em massa, vêm de encontro às evidências envolvendo cada um desses países, inclusive a Síria onde o Estado Islamita, sim, tem atacado com bombas químicas fornecidas pelos Estados Unidos e seus aliados na região, especialmente Turquia e Arábia Saudita.

Diante disso tudo, não surpreende que o senador John Mc Cain, exatamente o político norte-americano mais financiado pela indústria armamentista, tenha posado fraternalmente para fotos com terroristas em solo sírio (imagem com reportagem, aqui).

Contudo, as denúncias de Coloane, como era de se esperar, estão passando "desapercebidas" pela grande mídia corporativa sustentada exatamente pelas transnacionais, estendendo o debate de surdos sobre causas e "possibilidades" de se vencer o terror global, que tem levado nada a lugar nenhum enquanto o mundo assiste ao crescimento do terrorismo, da retirada de liberdades civis e da aplicação de golpes de Estado por parte dos tomadores de decisão das grandes potências, recheadas da mais profunda hipocrisia - com a velha pitada de petróleo.

O terror global apenas deixará de ser crescente realidade para ser realmente erradicado, e sem grandes esforços, quando o regime unilateral de Washington se tornar uma democracia livre da ditadura bipartidista e do tão legalizado quanto maléfico lobby da indústria armamentista, petrolífera e dos sionistas, seus maiores financiadores, o que é altamente improvável que ocorra no seio da melhor democracia que o dinheiro pode comprar, alimentada por um poderoso setor midiático de propaganda, igualmente canalha.

Ou, mais provavelmente, o terrorismo será vencido quando nações hoje emergentes atinjam nível econômico e político suficientes para equilibrar a correlação de forças em um novo mundo, efetivamente multipolar, desta maneira diminuindo a sanha imperialista ilimitada.

 


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