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Quatro mortos e centenas de feridos na quarta sexta-feira de protestos em Gaza

22.04.2018
 
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Quatro mortos e centenas de feridos na quarta sexta-feira de protestos em Gaza

As manifestações da Grande Marcha do Retorno ficaram marcadas pela forte repressão das forças israelitas. A Palestina anunciou que vai denunciar na ONU as atrocidades cometidos por Israel em Gaza.

Estima-se que entre 5000 e 10 mil palestinianos tenham participado nas manifestações de ontem junto à vedação que cerca a Faixa de Gaza. De acordo com as informações divulgadas ontem, ao final da tarde, pelo Ministério da Saúde em Gaza, a repressão das forças israelitas provocou pelo menos quatro mortos, um deles menor, e mais de 700 feridos.

A mesma fonte, citada pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), revelou que 305 pessoas foram hospitalizadas, 156 das quais tinham sido atingidas por balas reais.

Entre os quatro mortos conta-se Mohammed Ayoub, de 15 anos. A equipa de socorro que evacuou o menor afirmou que este foi atingido na cabeça com munições reais, a cerca de 50 metros da vedação, sem haver quaisquer indícios de que representava uma ameaça para as forças israelitas.

De acordo com a nota emitida pelo MPPM, as forças israelitas reprimiram as manifestações com bombas de gás lacrimogéneo (também lançadas por drones), balas de borracha e balas reais, que foram disparadas, nalguns casos e como aconteceu em semanas anteriores, por atiradores de elite.

Protestos da Grande Marcha do Retorno

Desde o início da Grande Marcha do Retorno, a 30 de Março (Dia da Terra), as forças israelitas mataram 37 palestinianos, refere o MPPM. Algumas fontes apontam para quatro dezenas, durante as manifestações e fora delas. Dois dos palestinianos foram mortos a tiro em Israel, depois de atravessarem a vedação, e os seus corpos estão retidos pelas autoridades israelitas. O número de feridos é superior aos 4900, segundo o Ministério da Saúde.

Esta foi a quarta sexta-feira consecutiva de protestos massivos na Faixa de Gaza, durante os quais milhares palestinianos se dirigem até à fronteira fortemente militarizada com Israel para exigir seu direito colectivo de retorno à sua terra natal.

Este protesto, que é designado como Grande Marcha do Retorno, deve prolongar-se até 15 de Maio, quando se assinala o 70.º aniversário da Nakba («catástrofe») palestiniana.

O termo refere-se à expulsão de cerca de 750 mil palestinianos e à limpeza étnica levada a cabo quando da criação do Estado de Israel. Hoje, existem milhões de refugiados palestinianos no mundo e estima-se que 70% dos habitantes de Gaza sejam refugiados ou seus descendentes.

Palestina quer expor crimes de Israel no Conselho de Direitos Humanos

O representante da Palestina junto das Nações Unidas, Riyad Mansour, anunciou ontem que o seu país está a ultimar um relatório sobre as atrocidades cometidas por Israel na Faixa de Gaza para o apresentar no Conselho de Direitos Humanos (CDH), em Genebra (Suíça), informa a Prensa Latina.

Mansour disse à imprensa que em breve vão ter início consultas com membros do CDH, com o propósito de levar a cabo uma investigação imparcial e credível sobre os factos.

«Não podemos permitir que a comunidade internacional continue parada quando são cometidos estes crimes horríveis contra a Palestina», afirmou o diplomata, que questionou a seriedade de uma eventual investigação liderada por Israel, «autor dos crimes».

Mansour lembrou ainda que o seu país exigiu uma tomada de posição ao Conselho de Segurança das Nações Unidas logo após a brutal repressão sobre os manifestantes na primeira mobilização da Grande Marcha do Retorno, mas, até ao momento, aquele órgão continua sem se manifestar, «nem sequer através de uma nota de imprensa».

 Fonte: abrilabril.pt


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