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Quanto pior, melhor...

21.11.2012
 
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Estamos numa de "quanto pior, melhor"... ou seja, quanto mais pobres, melhor para o investimento transnacional. O Projeto de uma Europa Unida não passa de um sonho que está prestes a se tornar num pesadelo... A ilusão de que com a adesão à CEE, Portugal poderia um dia ombrear económica e socialmente com uma Alemanha ou uma França, está a esfumar-se...

O Projeto de uma Europa Unida não passa de um sonho que está prestes a se tornar num pesadelo... A ilusão de que com a adesão à CEE, Portugal poderia um dia ombrear económica e socialmente com uma Alemanha ou uma França, está a esfumar-se... A esfumar-se, não porque sejamos pobrezinhos, o país tem potencialidades, mas porque na Divisão Internacional do Trabalho, coube-nos apenas um papel secundário e periférico no Comércio Internacional.

As Economias de Escala tendem a dominar os mercados nacionais dos Países com fraca industrialização, sobretudo quando nestes se eliminaram taxas alfandegárias e outros mecanismos de proteção da produção local. Veja-se que o endividamento dos Estados, como Portugal, resulta em grande parte da pressão financeira que as Economias de Escala exercem sobre os Países menos desenvolvidos e subdesenvolvidos. O crédito a que estes têm necessidade de recorrer, serve em grande parte para pagar as as importações, beneficiando empresas com sede ou nominação nas Economias Desenvolvidas, de que a Alemanha é o exemplo mais evidente. Nesse sentido, o endividamento torna-se num instrumento de domínio económico, e até politico, dos credores. Daí que, quando ouvimos alguns comentadores domésticos, reclamar condições de atratividade do Capital Estrangeiro, com a pecha de se criar emprego, nos dê voltas ao estomago... Só falta venderem a mãe...

Perdemos o comboio da Industrialização no Século XIX e daí para cá temos vivido à mercê dos interesses das grandes potências económicas, a começar pela Inglaterra, nossa velha aliada. Sempre fomos alérgicos ao planeamento... Se dá e enquanto dá, para quê pensar no Futuro... Enquanto tivemos o monopólio dos mercados "ultramarinos", ninguém quis saber de um plano alternativo para o período pós Independência. Depois da "Revolução dos Cravos", apenas se pensou na vertente social, menosprezando o facto de que nenhum Beneficio Social se sustenta sem uma base económica adequada. A adesão à CEE, por sua vez, criou na população portuguesa uma expectativa excessiva no que concerne ao nível de vida. Julgamos até que isso foi deliberado, pois não se apanham moscas com fel... Falava-se na chamada Coesão Social como desiderato fundamental para unir e harmonizar socialmente os europeus... na caminhada para uma Europa Unida. Doce ilusão... Na época do Cavaquismo, a euforia foi tanta que já se acreditava que Portugal estava no Pelotão da Frente. Lembram-se? Bill Clinton, Presidente dos USA, chegou a afirmar que Portugal já era um País rico e por isso não precisava da renda da Base dos Açores... Mais, permitiu-se a destruição de praticamente todo o aparelho produtivo nacional, em nome da eficiência económica, invés de se investir seriamente na sua modernização. Vieram da CEE fundos para isso, mas perderam-se no labirinto da corrupção e do laxismo de quem já contava que tal viesse a acontecer... para melhor dominar. Só o sector das pescas perdeu 70% da sua capacidade produtiva. O papel secundário de Portugal na Economia Europeia e no Mundo tem as suas raízes históricas no que acabámos de referir e numa mentalidade que aprecia mais a esperteza que a inteligência. 

A Chanceler alemã pode ser acusada de tudo, menos de falta de clareza nos objetivos que persegue... Recentemente, em reunião partidária, anunciou que a Austeridade deve prosseguir até 2018 (!!!). Na véspera da sua deslocação a Bruxelas, no passado dia 18 de Outubro, referiu em discurso aos parlamentares alemães "ver progressos nos custos unitários de trabalho" em Portugal, na Grécia, na Irlanda e na Espanha, precisamente países que se encontram com grandes dificuldades financeiras. Significa que o nível salarial tornou-se mais atrativo ao Capital alemão. Cerca de 60% do PIB alemão resulta do seu Comércio Internacional, sendo a China um dos seus principais clientes. Atualmente o custo médio do salário pago em Portugal corresponde a cerca de 43% do alemão. Mas isso ainda não chega para quem pretende exportar para o mercado chinês... onde uma crescente classe-média está ávida de bens Ocidentais, embora a maioria esmagadora da população viva miseravelmente. Mais, se o investidor alemão puder deslocalizar as suas fábricas para território português, pode continuar a dispor de trabalhadores eficientes, como os operários e técnicos portugueses o são na Alemanha, ao custo da uva mijona... Além de se buscar uma Vantagem Comparativa, através do baixo custo do Trabalho, o Estado alemão pode estar também a procurar forçar a deslocalização dessa mão-de-obra com vantagens múltiplas, inclusive para a sua Balança Comercial, do lado da coluna das importações. Menos população, menores custos com combustíveis... Faz pois todo o sentido, ainda que nos desagrade, o discurso da Angêla Merckel sobre a Austeridade e a Competitividade.

Artur Rosa Teixeira

(artur.teixeira1946@gmail.com)


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