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Sobre a falsa passividade da população brasileira

21.09.2017
 
Sobre a falsa passividade da população brasileira. 27352.jpeg

Neste texto expresso minha discordância com respeito à opinião exarada por vários analistas políticos segundo os quais a população brasileira estaria a demonstrar comportamento passivo relativamente à situação crítica vivida pela nação. De acordo com o pensamento de tais cronistas deveríamos estar a nos defrontar com um movimento semelhante ao ocorrido em junho de 2013.

Iraci del Nero da Costa *

Creio haver se estabelecido uma relação entre a Operação Lava Jato, o Poder Judiciário em geral e uma larga parcela das pessoas que se mobilizaram em junho de 2013. De tal grupo devem ser excluídos os petistas e lulistas interessados, tão só, nas eleições de 2018 e em conspurcar o judiciário.  

Infelizmente não tenho consciência clara sobre o caráter e as facetas que estariam a caracterizar tal interação.

É possível que a aludida massa populacional entenda que as almejadas reformas políticas, econômicas e judiciais serão encaminhadas pela ação das instâncias judiciais tendo à frente as decisões e atitudes corretivas e modificadoras que estão a ser desenvolvidas pela Operação Lava Jato.

Tudo se passaria como se houvesse ocorrido uma delegação a tais forças das esperadas mudanças da vida socioeconômica brasileira, fato este que explicaria a aparente passividade daquela parcela populacional que agiu de maneira decisiva em 2013.

Destarte, não estaríamos em face de um afastamento ou da apatia daqueles exigentes reivindicadores os quais estariam, tão somente, a aguardar as melhorias decorrentes da profícua atividade dos agentes aos quais teria sido delegada a incumbência de executar as profundas alterações tão necessárias ao aprimoramento de nossas vinculações sociais.

Se a hipótese exposta acima estiver correta e considerarmos as ações positivas desempenhadas pela Operação Lava Jato e pelo Supremo Tribunal Federal não se deve esperar, por ora, o desencadeamento de uma mobilização popular semelhante à observada em junho de 2013. Talvez apenas um apelo dos elementos integrantes da referida Operação seria capaz de atuar como estopim de um movimento como o de 2013.

Enfim, como já tive oportunidade de expressar em outro texto: "É preciso evidenciar no fecho destas breves notas, com a máxima ênfase, não estarmos a viver uma crise arruinadora. Na verdade vivenciamos um avanço inédito em nossas práticas judiciais e políticas. Isto devemos não só à pressão popular mas, sobretudo, à Operação Lava Jato a qual [...] conduziu-nos a um nível dos mais elevados no respeitante ao combate à corrupção e aos criminosos desvios cometidos por políticos do mais alto coturno e por abastados e poderosos componentes da elite empresarial brasileira [...]   pode-se reafirmar que não estamos engolfados por uma crise destrutiva, mas enveredamos por um caminho regenerador de nossa história." (Cf. COSTA, Iraci. É preciso livrarmo-nos de caminhos tortuosos. Pravda.ru online, 7 de julho de 2017, disponível em: http://port.pravda.ru/news/cplp/07-07-2017/43594-caminhos_tortuosos-0/).

  

  

* Professor Livre-docente aposentado.

 


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