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Talibãs pelos olhos do refém italiano

21.03.2007
 
Talibãs pelos olhos do refém italiano

Depois de passar duas semanas como refém no Afeganistão, o jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo,  relatou nesta quarta-feira seu cativeiro em poder dos talibãs.

"Os talibãs são, em primeiro lugar, guerreiros. Pessoas habituadas a manipular armas, a utilizá-las, limpá-las, venerá-las. São quase sempre as únicas companheiras com as quais compartilham algo", afirma o repórter de 52 anos, que voltou na terça-feira a Roma, em um longo texto publicado em seu jornal, La Repubblica.

"Limpar sua própria companheira de vida e de batalha era um ritual que podia ocupá-los por pelo menos duas horas diárias", destaca.

De acordo com o jornalista, os talibãs são quase todos jovens, com idades entre 20 e 25 anos.

Mastrogiacomo descreve os seqüestradores como "jovens pobres, sem cultura nem experiência humana, sexual, emotiva, sentimental". Várias vezes tentaram "sinceramente" convencê-lo a converter-se ao islamismo.

"Conseguir derrotá-los é uma tarefa verdadeiramente difícil. Eles não têm lar, vivem se deslocando continuamente, retornam para suas famílias uma vez a cada 40 dias. Não têm salário, fazem tudo de graça, só tem o gosto e o prazer de combater por sua causa", acrescenta o repórter.

Daniele Mastrogiacomo, seqüestrado com dois guias afegãos, foi liberado na segunda-feira, poucas horas antes do fim do ultimato fixado pelos talibãs.

 Libertado na segunda-feira o jornalista contou que foi forçado a assistir à decapitação de seu motorista afegão.

 “ O comandante do Talibã ordenou sua sentença de morte em nome do Islã. Ele disse que nós todos somos espiões e tínhamos de morrer", afirmou Mastrogiacomo. "(O tradutor) está chorando. Eu não entendo. Eu pergunto o que eles disseram e ele, em lágrimas, diz 'vão nos matar"', contou. "Eu me ajoelhei. Quatro rapazes agarram o motorista e empurram sua face contra a areia. Eles cortam sua garganta e continuam até arrancar a cabeça inteira", escreveu.


"Ele não é capaz de emitir um suspiro. Eles limpam a faca em sua túnica. Eles amarram a cabeça ao seu corpo. Levam (o corpo e a cabeça) para o rio e os largam", descreveu o jornalista.
Mastrogiacomo passou a noite no hospital depois de ser libertado pelos talibãs.

O intérprete do jornalista continua seqüestrado.

A presidência afegã confirmou na terça-feira que libertou prisioneiros afegãos em troca do fim do seqüestro do repórter do jornal La Repubblica, uma decisão que provocou muitas críticas no Afeganistão.

 Fonte : AFP/G-1


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