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A Cuba que eu vi

21.02.2008
 
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Em meus últimos dias na ilha, depois de um passeio à noite pelo centro de Havana, eu e Marcos - um amigo brasileiro que na época morava e estudava em Cuba – resolvemos sentar um pouco. Foi quando escutei o que me tiraria toda a arrogância de um possível pré-julgamento daquela e de qualquer realidade. “Apesar de tudo gostaria de poder trazer minha mãe para morar aqui. Ela sofreu um derrame e não está recebendo no Brasil a assistência médica necessária.”, relatou-me Marcos.

O hoje educador físico Marcos Fagundes trabalhava como empacotador num supermercado em sua cidade natal, Santa Maria no Rio Grande do Sul, quando recebeu uma bolsa cubana para cursar educação física no país. Sua irmã acabou de receber uma bolsa para cursar medicina em Cuba.

Para muitos, Cuba representa o sonho alcançável, a prova de que vale a pena crer e lutar pelo amanhã, e de certa forma o é. Cuba significa muito e continuará significando, simplesmente por existir, por resistir, porém é evidente que lá não é o paraíso. Ainda não foi construído sobre a terra o lugar ideal e não podemos exigir que Cuba seja isso.

Poucos dos muitos turistas que passeiam por uma ou duas semanas em Cuba sabem a fundo sobre a história cubana, as questões políticas, o regime comandado por Fidel e o embargo americano.

Mesmo assim, é comum ver pessoas que passam alguns dias na ilha, seja a turismo ou a trabalho, voltarem manifestando opiniões definitivas sobre o país.

A forma de organização é outra. Se a gente olhar tendo em vista nossa realidade, não vai entender e a tendência é imediatamente criticar sem levar em conta uma lógica diferente. O que não quer dizer que não há inúmeras coisas criticáveis.

Eu cheguei a Cuba cheia de certezas e saí cheia de perguntas. Para mim, foi muito difícil relatar minhas experiências e retornei ao Brasil tentando entender o que talvez não pudesse explicar.

Rebeka Holanda

Brasil

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