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Ossétia: Ganhar a guerra da midia

20.08.2008
 
Ossétia: Ganhar a guerra da midia

Será que os midia ocidentais apresentaram uma versão objectiva do conflito Geórgia-Ossétia do Sul? Ou serviram os interesses do Império, pintando um quadro unilateralmente tendencioso, utilizando opinion makers sem qualquer credibilidade e regurgitando frases bonitas de ocasião, esperando que se fossem repetidas inúmeras vezes, como água mole em pedra dura, acabariam por furar a consciência colectiva?

As três versões do jornal russo electrónico PRAVDA.Ru (russo, inglês e português) nunca receberam tantas visitas e nunca tivemos um influxo tão vasto de novos leitores, que se apresentam com a mensagem “Nunca mais vou acreditar numa palavra que os órgãos ocidentais dizem”, depois de descobrirem que afinal quem começou esse triste episódio no Cáucaso não foi a Rússia mas sim a Geórgia (chacina de 2.000 civis russos sem qualquer provocação na noite de 7/8 de Agosto) e de descobrirem que a resposta russa foi dentro dos seus direitos sob a lei internacional, sendo uma campanha limitada e punitiva, para garantir a paz.

Para quê servem os cursos e a deontologia do jornalismo, se os canais de informação se tornam veículos de desinformação e manipulação? Querem fazer palhaços dos leitores? Não há ninguém hoje em dia que acredita nas noções de credibilidade, seriedade, decência e honestidade?

Não basta líderes como Bush e Condoleeza Rice sem referirem uma única vez aos crimes de guerra da Geórgia, como se dessem o aval ao acto de chacina e a destruição da cidade de Tskhinvali, que iniciou esse conflito. Agora quase toda a midia internacional segue cegamente a linha traçada pelos seus donos e mestres. A noção de uma midia livre e objectiva morreu no ocidente. Não existe, por isso, liberdade de expressão.

Ao contrário daquilo que dizem, na Federação Russa a midia é livre. Na PRAVDA.Ru não há quaisquer directrizes sobre o que pode ou não ser dito, desde que respeite a verdade. Ao contrário daquilo que dizem, e peço desculpa desiludir aqueles que queriam acreditar que sim, não existem quaisquer linhas-guias do Kremlin sobre nós. Portanto, que algum cidadão ocidental possa declarar-se informado, e bem informado, com os canais de televisão e imprensa ao seu dispor, desafia qualquer fio de lógica.

Termino com as palavras do Presidente Dmitry Medvedev, na conferência de imprensa depois da sua reunião com a Chanceler alemã no final de semana passada:

“Em primeiro lugar, o quê iniciou as operações militares na Ossétia do Sul? Foi a paz, as tropas russas, ou foi o exército georgiano? Se você olhar para aquilo que é mostrado na televisão a resposta não é clara, mas nós sabemos a resposta a esta pergunta.

“Em segundo lugar, a comunidade internacional deseja que esta agressão possa ter um resultado que teria significado o fim da existência de ossétios na Ossétia do Sul e de abcázes na Abkházia? Sim ou não?

“E em terceiro lugar, vamos considerar o que se passou a ser uma catástrofe humanitária, sim ou não? Ou este é apenas um caso apenas para ossétios e a Federação da Rússia?

Se nós respondermos a estas perguntas, muito se torna mais claro.

Obrigado”.

Os líderes da Geórgia, dos EUA e dos países que apoiaram Tblissi sem dar uma única referência ao covarde acto de chacina que iniciou o conflito, deveriam ter vergonha, tal como os órgãos de desinformação que tentaram tapar os olhos e manipular seu público. Mas “vergonha” é uma palavra que não existe no seu vocabulário.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru


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