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Em busca da revolução industrial

20.06.2018
 
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Muitos(1) partidos políticos e indivíduos comprometidos com a vida pública buscaram concretizar em seus países a decantada e largamente almejada Revolução Industrial a qual, de fenômeno "natural e espontâneo", como teria ocorrido na Inglaterra, passou a dar-se nas demais nações como materialização dos mais variados projetos políticos e ideológicos formulados conscientemente.(2)

Iraci del Nero da Costa *

Destarte, a Revolução Industrial, com seu consequente desenvolvimento industrial e tecnológico, foi perseguida sob as mais diversas formas políticas e ideológicas e segundo distintos caminhos; sendo ambos fenômenos embasados nos condicionamentos impostos pelos países que a alcançaram com anterioridade e pelas condições históricas vigentes em cada nação que procurou materializar em suas fronteiras a industrialização moderna. Este processo de crescimento econômico de novo tipo teve na ação do Estado um componente fundamental e indispensável. Tal evidência já se patenteia claramente quando comparamos a Inglaterra e os EUA; enquanto naquela primeira a Revolução Industrial deu-se de maneira "natural", nos EUA, sob a liderança da burguesia industrial em formação já se percebe uma efetiva ação do Estado visando a garantir o almejado desenvolvimento industrial calcado nas inovações tecnológicas; com respeito a tal interferência basta lembrar o estabelecimento de tarifas alfandegárias protecionistas e os volumosos subsídios federais para a construção de ferrovias. Tal intervenção do Estado mostra-se crescente quando consideradas outras áreas tais como a Alemanha, a França, a Itália, a Rússia e o Japão, nações estas aqui tomadas como meros exemplos.

Esta aspiração por se alcançar a industrialização, como sabido, ganhou as mais diversas roupagens políticas, cobrindo o espectro ideológico que se estende da extrema direita às mais ferrenhas posturas assumidas pela extrema esquerda.

À direita colocaram-se a Itália de Mussolini, a Alemanha nazista e o Império do Japão o qual, consistentemente, adotou reformas modernizantes desde a Restauração de Meiji.Vistas sob tal perspectiva, e tendo em conta que o crescimento industrial antecedeu, nas três nações, a ascensão ao poder da direita extremada, pode-se propor que as Potências do Eixo empenharam-se, cada uma a seu modo, na implementação de medidas que as fizessem gozar plenamente as benesses proporcionadas pela Revolução Industrial.

No extremo oposto iremos encontrar as áreas dominadas pelos comunistas e nas quais imperou o dito socialismo real. Assim, os governos autocráticos instalados na URSS e em seus satélites assim como na China de Mao Tsé-Tung engajaram-se, de fato, na corrida pelo desenvolvimento econômico autônomo capaz de elevar suas nações e suas áreas de influência às alturas já alcançadas pelas nações industriais hegemônicas. Aqui, como nas áreas dominadas pela extrema direita, os elementos ideológicos - certamente condicionados pelo perfil histórico de cada região contemplada - apenas dão sabor diferenciado às razões mais profundas impulsionadoras da tentativa de equiparar as referidas áreas àquelas nações industrialmente mais avançadas. 

Se tivermos em conta a América do Sul veremos que entre os governos dominados por nazi-fascistas e comunistas postaram-se os regimes populistas. Aqui, exemplo palmar é achado nos períodos de governança de Getúlio Vargas, pois suas atitudes e medidas, sobretudo após 1937, visaram, claramente, a modernizar e industrializar o Brasil. Juan Domingo Perón, o preeminente líder populista argentino, embora propenso à modernização não a exerceu com o mesmo empenho demonstrado pelo governante brasileiro. De toda sorte, as iniciativas desses dois políticos projetaram-se por todo o século passado e abriram caminho para o desenvolvimento econômico industrializante assumido por seus sucessores no poder central das duas nações. Ademais, da perspectiva teórica e política, no respeitante ao desenvolvimento econômico e à América Latina como um todo, não podem ser esquecidos os papéis exercidos pela CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e pela obra de Raúl Prebisch. 

Ficam consignados acima apenas alguns exemplos pois, como é facilmente observável, a busca pela concretização da Revolução Industrial projetou-se pelo tempo afora e faz-se presente nos dias correntes deste século vinte e um em todo nosso sistema planetário independendo do sistema político imperante em cada nação.

 

NOTAS

1. Para Nina, amiga querida que já se foi.

2. Como bem anotado pelo Prof. Julio Manuel Pires, a quem devo a leitura prévia deste texto, atrelada  à questão do desenvolvimento industrial, e dele derivada, estava, quase sempre, a preocupação com o poder militar da nação.

 

* Professor Universitário aposentado.

Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:William_Bell_Scott_-_Iron_and_Coal.jpg

 


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